16 de fevereiro de 2000 - nº 129 

A receita de Júnior
Fábrica de ar
Quem ganha com os genéricos
Acabou a brincadeira na Mattel
Octagon entra na área
Reviravolta em uma indústria de US$ 3 bi
O celular em breve será assim








TELECOMUNICAÇÕES
O celular em breve será assim
Primeiro no Japão, depois na Europa. E por aqui...

Márcia Avruch, de Cannes

PELO TELEFONE: videoconferências e transações financeiras ao alcance da mão

Enquanto os brasileiros ainda usam seus modernos telefones celulares apenas para falar e ouvir, europeus e asiáticos estão prestes a colocar as mãos em aparelhos de terceira geração capazes de transmitir, além de voz, mensagens, documentos e até imagens em tempo real. A data já está marcada: os primeiros modelos de celulares de terceira geração que usam o padrão de transmissão UMTS (sigla para Universal Mobile Telecommunications System) chegam ao Japão no final do ano e, nos países da Europa, no ano que vem. São aparelhos como o SX45, desenvolvido pela Siemens, cujo protótipo foi apresentado no último Congresso Mundial de GSM (Global System for Mobile Communications), realizado em Cannes, na França. Redondo, formato pouco convencional para um telefone, do tamanho de uma caixinha de pastilhas e com uma câmera embutida, o SX45 permite a transmissão simultânea de dados e voz, envio de arquivos anexados e a realização de videoconferências. "Quem quiser oferecer serviços multimídia em alta velocidade e com qualidade de definição terá de optar por esse novo padrão", diz Josef Huber, representante da Siemens no Fórum UMTS.

É só o que está faltando para a indústria de telecomunicações dar início a um novo capítulo no terreno das transações eletrônicas: o mobile commerce. Transações financeiras como pagamento de contas, compras de produtos ou serviços e até lances em leilões poderão ser feitas via celular. Segundo alguns especialistas, a mobilidade dará uma nova dimensão às chamadas compras por impulso e de conveniência. Por enquanto, os europeus só estão sentindo um gostinho do que está por vir. Graças a equipamentos dotados da tecnologia WAP (de Wireless Application Protocol), podem acessar a Internet, receber e enviar e-mails e mensagens. Na Finlândia, país sede da Nokia, os celulares com minibrowsers são a sensação entre os adolescentes. Em vez de usar o telefone para falar eles preferem trocar mensagens ou criar salas de chats com grupos de amigos. A brincadeira rende cerca de US$ 200 milhões anuais às operadoras finlandesas. Embora ainda pertençam à segunda geração (ou geração 2,5 como preferem os especialistas), os celulares WAP continuam agregando novas funções. Também da alemã Siemens, os modelos da família S35 são dotados de um dispositivo infra-vermelho que permite conectá-los a outros equipamentos, como o recém-lançado Unifier - mistura de agenda eletrônica e notebook. Ele oferece teclado e tela maiores do que as do celular e com o uso de smartcards permite realizar transações financeiras e acessar serviços via Internet pelo celular.

Envie esta página para um amigo Por enquanto, esse maravilhoso mundo das telecomunicações está disponível aos brasileiros apenas em feiras e páginas de revista. Para os membros da Associação de GSM, a terceira geração de telefones sem fio pode nunca chegar ao Brasil. A previsão pessimista é também uma forma de pressão em defesa dos fabricantes que ficaram alijados do mercado brasileiro com a adoção do padrão TDMA. Os defensores do GSM argumentam que o uso da freqüência de 1.9 MHZ para a banda C (ou PCS, de Personal Communication System) vai contra a orientação da União Internacional de Telecomunicações (UIT) de preservar essa faixa para a terceira geração da telefonia celular. O temor é que o Brasil siga o exemplo dos Estados Unidos, que designou a faixa de 1.9 MHZ para os serviços de PCS. A decisão está nas mãos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e deve ser divulgada nos próximos meses.

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