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TELECOMUNICAÇÕES
O celular em breve será assim
Primeiro no
Japão, depois na Europa. E por aqui...
Márcia Avruch, de Cannes
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| PELO
TELEFONE: videoconferências e transações financeiras ao alcance
da mão
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Enquanto os brasileiros ainda usam seus modernos telefones celulares
apenas para falar e ouvir, europeus e asiáticos estão prestes
a colocar as mãos em aparelhos de terceira geração capazes de
transmitir, além de voz, mensagens, documentos e até imagens em
tempo real. A data já está marcada: os primeiros modelos de celulares
de terceira geração que usam o padrão de transmissão UMTS (sigla
para Universal Mobile Telecommunications System) chegam ao Japão
no final do ano e, nos países da Europa, no ano que vem. São aparelhos
como o SX45, desenvolvido pela Siemens, cujo protótipo foi apresentado
no último Congresso Mundial de GSM (Global System for Mobile Communications),
realizado em Cannes, na França. Redondo, formato pouco convencional
para um telefone, do tamanho de uma caixinha de pastilhas e com
uma câmera embutida, o SX45 permite a transmissão simultânea de
dados e voz, envio de arquivos anexados e a realização de videoconferências.
"Quem quiser oferecer serviços multimídia em alta velocidade e
com qualidade de definição terá de optar por esse novo padrão",
diz Josef Huber, representante da Siemens no Fórum UMTS.
É só o que está faltando para a indústria de telecomunicações
dar início a um novo capítulo no terreno das transações eletrônicas:
o mobile commerce. Transações financeiras como pagamento de contas,
compras de produtos ou serviços e até lances em leilões poderão
ser feitas via celular. Segundo alguns especialistas, a mobilidade
dará uma nova dimensão às chamadas compras por impulso e de conveniência.
Por enquanto, os europeus só estão sentindo um gostinho do que
está por vir. Graças a equipamentos dotados da tecnologia WAP
(de Wireless Application Protocol), podem acessar a Internet,
receber e enviar e-mails e mensagens. Na Finlândia, país sede
da Nokia, os celulares com minibrowsers são a sensação entre os
adolescentes. Em vez de usar o telefone para falar eles preferem
trocar mensagens ou criar salas de chats com grupos de amigos.
A brincadeira rende cerca de US$ 200 milhões anuais às operadoras
finlandesas. Embora ainda pertençam à segunda geração (ou geração
2,5 como preferem os especialistas), os celulares WAP continuam
agregando novas funções. Também da alemã Siemens, os modelos da
família S35 são dotados de um dispositivo infra-vermelho que permite
conectá-los a outros equipamentos, como o recém-lançado Unifier
- mistura de agenda eletrônica e notebook. Ele oferece teclado
e tela maiores do que as do celular e com o uso de smartcards
permite realizar transações financeiras e acessar serviços via
Internet pelo celular.
Por enquanto, esse maravilhoso mundo das telecomunicações
está disponível aos brasileiros apenas em feiras e páginas de
revista. Para os membros da Associação de GSM, a terceira geração
de telefones sem fio pode nunca chegar ao Brasil. A previsão pessimista
é também uma forma de pressão em defesa dos fabricantes que ficaram
alijados do mercado brasileiro com a adoção do padrão TDMA. Os
defensores do GSM argumentam que o uso da freqüência de 1.9 MHZ
para a banda C (ou PCS, de Personal Communication System) vai
contra a orientação da União Internacional de Telecomunicações
(UIT) de preservar essa faixa para a terceira geração da telefonia
celular. O temor é que o Brasil siga o exemplo dos Estados Unidos,
que designou a faixa de 1.9 MHZ para os serviços de PCS. A decisão
está nas mãos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
e deve ser divulgada nos próximos meses.
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