16 de fevereiro de 2000 - nº 129 

A receita de Júnior
Fábrica de ar
Quem ganha com os genéricos
Acabou a brincadeira na Mattel
Octagon entra na área
Reviravolta em uma indústria de US$ 3 bi
O celular em breve será assim








MARKETING
Octagon entra na área
Além do futebol, empresa irá investir em autódromos, atletas e eventos esportivos no Brasil

Carlos Eduardo Sambrana

(Foto: GUSTAVO LOURENÇÃO)

LUIS F. TAVARES: Empresa irá
aplicar US$ 500 milhões no Santos
e no Atlético Mineiro

Atente para estes números. No mundo, o esporte movimenta algo em torno de US$ 1 trilhão. Nos Estados Unidos, o setor representa 4,5% do PIB, algo como US$ 414 bilhões. A cada gol, cesta, raquetada, enfim, a cada belo lance as caixas registradoras das empresas de marketing esportivo rodam numa velocidade impressionante. Trata-se hoje de uma das mais lucrativas indústrias do planeta e fez nascer grandes companhias da noite para o dia. O caso da novata Octagon é emblemático. Já ouviu falar dela? Vamos às apresentações: a empresa surgiu nos Estados Unidos, em 1997, como braço de marketing esportivo do Interpublic Group Companies (IPG), gigante de US$ 28 bilhões que controla agências como McCann Erickson, Lowe e Lintas, entre outras. Em poucos menos de três anos, ganhou o mundo por meio de aquisições ou parcerias e conseguiu, até agora, cravar sua bandeira em 17 países, Brasil inclusive. Desde sua criação, a Octagon multiplicou seu tamanho por cinco e desde então vem fazendo fortuna administrando carreiras de atletas, dando consultoria a quem pretende investir em propagandas na área esportiva, vendendo e distribuindo direitos de televisão, produzindo programas, promovendo eventos e trabalhando com o licenciamento de marcas.

No Brasil, a Octagon fez a sua estréia em grande estilo: comprou 49% da maior companhia de marketing esportivo da América Latina, a Koch Tavares, e levou junto uma carteira de eventos que inclui, entre outras atrações, o futebol de areia e o vôlei de praia. Isso sem falar nos direitos comerciais para o Brasil dos principais torneios de tênis do mundo. "Apesar destes grandes eventos, nossa meta por aqui não poderia ser outra se não o futebol", diz Luis Felipe Tavares, presidente da filial brasileira da Octagon. Há muito espaço para crescimento. No Brasil, esse esporte movimenta anualmente de US$ 800 milhões a US$ 1 bilhão. No mundo, o faturamento chega a US$ 250 bilhões anuais.

Para atuar nos campos brasileiros, a Octagon Koch Tavares foi buscar a parceria do CIE (Corporação Interamericana de Entretenimento), grupo mexicano que fatura US$ 500 milhões por ano e atua na área de entretenimento. Os alvos da CIE/Octagon Koch Tavares no momento são o Santos e o Atlético Mineiro. "Acredito que nos próximos 20 a 30 dias estaremos assinando a papelada com os clubes", diz Tavares. A parceria assegura à Octagon os direitos sobre o licenciamento de todos os produtos que levarem o distintivo de cada time. Futuramente, Tavares pretende negociar até os direitos televisivos dos jogos dos dois clubes. Em troca, a empresa fará um aporte de US$ 250 milhões no Santos em um período de 10 anos. Outros US$ 250 milhões serão investidos no Atlético Mineiro em 15 anos. Do total arrecadado, ao final de um ano, 30% vão para o clube e o restante para os cofres da empresa.

Envie esta página para um amigoAlém dos negócios envolvendo o futebol, as previsões para este ano são bem otimistas. "Um dos planos é produzir programas esportivos para a televisão", revela Tavares. Outra idéia é seguir os passos de seus pares da Octagon na Inglaterra, que pagaram US$ 290 milhões para ter o direito de administrar o autódromo de Brands Hatch. No Brasil, pode ser Jacarepaguá ou Interlagos. Tavares não conta. Diz apenas que está na fase dos primeiros contatos. Mas, a julgar pela velocidade com que a empresa costuma avançar em novos negócios, não será nenhuma surpresa se nos próximos anos o logotipo dos americanos aparecer ao lado dos bólidos durante o Grande Prêmio Brasil de F-1.

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