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CRISE
Acabou a brincadeira na Mattel
Resultados
negativos afastam Jill Barad do comando.
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| O LEGADO
DE JILL: prejuízo de mais de US$ 80 milhões no ano passado. |
As formas perfeitas, o sofisticado guarda-roupas e a infinidade
de acessórios que fazem o mundo de sonhos das bonecas Barbie não
foram suficientes para garantir o reinado de Jill Barad à frente
da fabricante de brinquedos Mattel. Depois de três anos de uma
gestão marcada pela escassez de lucros e estagnação nas vendas,
a executiva que transformou a Barbie no brinquedo mais vendido
do mundo renunciou ao cargo. A gota d'água foi a compra da The
Learning Company, em maio passado, numa tentativa da Mattel de
ingressar no segmento de brinquedos interativos e softwares. A
aquisição custou caro. Apesar das sucessivas promessas de Barad,
a nova unidade nunca atingiu os índices de vendas projetados e
passou a drenar os recursos da companhia. No último trimestre
do ano passado, a Learning Company registrou perdas de US$ 183
milhões, zerando os lucros da Mattel, apesar do impulso nas vendas
dos produtos das marcas Fischer-Price e Pleasant Company na época
do Natal.
Insatisfeitos com os prejuízos - as perdas da Mattel superaram
os US$ 80 milhões no ano passado - e o declínio nas vendas, os
acionistas passaram a pressionar o conselho administrativo a puxar
o cartão vermelho para conter os estragos da executiva. "Eu e
os membros do conselho decidimos que devo renunciaR", declarou
Barad ao anunciar sua saída depois de 20 anos na empresa, onde
entrou como gerente de produto. Nomeada diretora de marketing
da divisão Barbie, ela foi responsável pela introdução de novos
produtos como carros, móveis e até bichinhos de estimação, numa
linha que até então vivia exclusivamente de uma boneca. Praticamente
sem concorrentes no mercado, Barad construiu sua fama na área
de marketing e galgou posições até se tornar uma das executivas
mais importantes dos Estados Unidos.
O primeiro ano à frente da Mattel foi espetacular:
aumento de 6,6% nas vendas e 24,5% em receita. Os problemas começaram
no ano seguinte, quando a queda nas vendas - a primeira em uma
década - fizeram soar o alarme na sede da companhia, em El Segundo,
Califórnia. Para reverter os maus resultados, a solução era ampliar
a oferta de produtos concentrada em bonecas, carrinhos e brinquedos
para crianças em fase pré-escolar. Jill Barad decidiu apostar
no ambicioso projeto de colocar a Mattel no segmento de jogos
eletrônicos por meio da compra da Learning Company. Constantemente
criticada pela decisão, a sorridente executiva nunca deu o braço
a torcer. Seus colegas afirmam que lhe falta habilidade em áreas
cruciais como a financeira e diplomática. Mas os problemas da
Mattel não terminam com a saída de Jill Barad. A empresa acaba
de anunciar um investimento entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões
para reestruturar sua área de software. Além disso, terá muito
trabalho para convencer os investidores de Wall Street de que
a brincadeira agora é séria.
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