16 de fevereiro de 2000 - nº 129 

A receita de Júnior
Fábrica de ar
Quem ganha com os genéricos
Acabou a brincadeira na Mattel
Octagon entra na área
Reviravolta em uma indústria de US$ 3 bi
O celular em breve será assim








CRISE
Acabou a brincadeira na Mattel
Resultados negativos afastam Jill Barad do comando.

O LEGADO DE JILL: prejuízo de mais de US$ 80 milhões no ano passado.

As formas perfeitas, o sofisticado guarda-roupas e a infinidade de acessórios que fazem o mundo de sonhos das bonecas Barbie não foram suficientes para garantir o reinado de Jill Barad à frente da fabricante de brinquedos Mattel. Depois de três anos de uma gestão marcada pela escassez de lucros e estagnação nas vendas, a executiva que transformou a Barbie no brinquedo mais vendido do mundo renunciou ao cargo. A gota d'água foi a compra da The Learning Company, em maio passado, numa tentativa da Mattel de ingressar no segmento de brinquedos interativos e softwares. A aquisição custou caro. Apesar das sucessivas promessas de Barad, a nova unidade nunca atingiu os índices de vendas projetados e passou a drenar os recursos da companhia. No último trimestre do ano passado, a Learning Company registrou perdas de US$ 183 milhões, zerando os lucros da Mattel, apesar do impulso nas vendas dos produtos das marcas Fischer-Price e Pleasant Company na época do Natal.

Insatisfeitos com os prejuízos - as perdas da Mattel superaram os US$ 80 milhões no ano passado - e o declínio nas vendas, os acionistas passaram a pressionar o conselho administrativo a puxar o cartão vermelho para conter os estragos da executiva. "Eu e os membros do conselho decidimos que devo renunciaR", declarou Barad ao anunciar sua saída depois de 20 anos na empresa, onde entrou como gerente de produto. Nomeada diretora de marketing da divisão Barbie, ela foi responsável pela introdução de novos produtos como carros, móveis e até bichinhos de estimação, numa linha que até então vivia exclusivamente de uma boneca. Praticamente sem concorrentes no mercado, Barad construiu sua fama na área de marketing e galgou posições até se tornar uma das executivas mais importantes dos Estados Unidos.

Envie esta página para um amigo O primeiro ano à frente da Mattel foi espetacular: aumento de 6,6% nas vendas e 24,5% em receita. Os problemas começaram no ano seguinte, quando a queda nas vendas - a primeira em uma década - fizeram soar o alarme na sede da companhia, em El Segundo, Califórnia. Para reverter os maus resultados, a solução era ampliar a oferta de produtos concentrada em bonecas, carrinhos e brinquedos para crianças em fase pré-escolar. Jill Barad decidiu apostar no ambicioso projeto de colocar a Mattel no segmento de jogos eletrônicos por meio da compra da Learning Company. Constantemente criticada pela decisão, a sorridente executiva nunca deu o braço a torcer. Seus colegas afirmam que lhe falta habilidade em áreas cruciais como a financeira e diplomática. Mas os problemas da Mattel não terminam com a saída de Jill Barad. A empresa acaba de anunciar um investimento entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões para reestruturar sua área de software. Além disso, terá muito trabalho para convencer os investidores de Wall Street de que a brincadeira agora é séria.

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