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INDÚSTRIA
FARMACÊUTICA
Quem ganha com os genéricos
Por enquanto,
os laboratórios nacionais. Mas os multinacionais também estão
de olho neste mercado
Juliana Almeida
Enquanto o setor farmacêutico e o governo lavam roupa suja na
CPI, dois laboratórios brasileiros, o Teuto e o EMS, assistem
à briga de camarote. Ambos comemoram a chegada de seis medicamentos
genéricos com sua marca às farmácias. Além de baixar o preço desses
remédios em até 50%, essas indústrias poderão multiplicar suas
receitas nos próximos anos. O Teuto espera mais do que quintuplicar
suas vendas em três anos, quando elas atingirão US$ 560 milhões
anuais. Já o EMS aposta em um crescimento de 50% neste ano sobre
os US$ 75 milhões faturados em 1999. "Esta é uma forma de estimular
as empresas nacionais, a exemplo do que ocorreu em outros países",
diz José Eduardo Bandeira de Mello, presidente da Abifarma, associação
que reúne a indústria farmacêutica.
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Das
vendas de remédios nos EUA e na
EUROPA, os genéricos representam 40%
US$
7,6 bilhões foi a receita do setor
farmacêutico no Brasil em 1999
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Para aproveitar a oportunidade, o EMS e o Teuto começaram a desenvolver
os genéricos antes mesmo da aprovação da Lei de Patentes, em 1997.
"Investimos US$ 6 milhões a partir de 1996", diz Carlos Eduardo
Sanchez, presidente do grupo paulista EMS - Sigma Farma. Com a
liberação da venda desse tipo de medicamento, Sanchez prevê um
aumento de 1,5% para 2,6% na participação de mercado do EMS. A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS) já aprovou três
genéricos produzidos pelo laboratório: Ampicilina, Cafalexina
e Ranitidina. Outros 34 medicamentos estão em processo para receber
o sinal verde. "Queremos ter 100 genéricos em 2001 e, assim, ser
o maior laboratório do segmento no País", diz Sanchez.
Se depender do seu concorrente Teuto, o EMS terá bastante trabalho.
O laboratório goiano quer aprovar ainda este ano 120 genéricos.
Para comportar um aumento na demanda, está construindo uma nova
unidade que produzirá 30 milhões de caixas por mês, três vezes
mais do que sua atual capacidade. A obra, orçada em R$ 100 milhões,
estará pronta até o fim de 2000, segundo Jailton Batista, superintendente
do Teuto. Parte desta produção, até 30%, será destinada ao Mercosul,
Estados Unidos e países da Europa. "Em 2003, as vendas de genéricos
representarão 70% do nosso faturamento ou algo como US$ 392 milhões",
diz Batista.
Laboratórios como o EMS e o Teuto espelham-se no comportamento
desse segmento na Europa e nos Estados Unidos. Por lá, os genéricos
representam 40% das vendas. O faturamento do setor farmacêutico
no Brasil atingiu US$ 7,6 bilhões em 1999. Assim, as vendas de
genéricos teriam um potencial de US$ 4 bilhões por ano. Há um
outro estímulo para o setor: a carência do mercado brasileiro,
onde existem 30 milhões de potenciais consumidores de genéricos
e outros 27 milhões que, por falta de recursos, não compram todos
os remédios necessários para seu tratamento.
De olho nesses números, 21 laboratórios já solicitaram à ANVS
a liberação de 151 produtos com nome genérico, entre antibióticos,
antidepressivos e analgésicos. Muitos desses pedidos vêm de empresas
nacionais de médio porte, mas há também gigantes multinacionais
observando esse filão. O laboratório alemão Knoll, por exemplo,
submeteu sua linha Basf Generics, com 36 produtos, à aprovação
governamental.
Outras empresas internacionais preferem a cautela. "Neste primeiro
ano vamos observar o comportamento do mercado", diz Cintia Piccina,
assessora da diretoria da suíça Novartis. A empresa produz genéricos
em alguns países, usando marcas locais. Eles representaram 9%
de sua receita na área de saúde, de US$ 12,5 bilhões em 1998,
último dado disponível. Piccina lembra que a entrada no segmento
de genéricos exigirá novos investimentos da empresa. O dinheiro
será aplicado ou na construção de uma nova unidade ou, o que é
mais provável, na aquisição de algum laboratório nacional. Outras
multinacionais do setor também já saíram à caça de seus concorrentes
nacionais. "Fomos procurados diversas vezes, mas ainda não era
hora de vender", diz Batista, do Teuto.
Os fornecedores de matérias-primas importadas também
deverão ser beneficiados com a chegada dos genéricos. "Estamos
preparados para atender o aumento da demanda", afirma Valdir Magalhães,
diretor comercial da Galena, maior importadora e distribuidora
de matérias-primas para a indústria farmacêutica do país. Segundo
Magalhães, a Galena está em negociação com alguns laboratórios
para fornecimento de princípios ativos. O real tamanho deste mercado,
no entanto, só será definido quando houver uma campanha governamental
orientando a população sobre os novos medicamentos e uma fiscalização
eficiente para coibir a venda de remédios falsificados. Até lá,
os resultados dos investimentos no setor serão tão misteriosos
como aqueles feitos no mundo virtual.
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