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CRESCIMENTO
Vinte
anos parados
PIB de 1999 coroa duas décadas de desempenho econômico
pífio e de renda per capita estagnada
Edson Porto
Para os investidores que trabalham com um horizonte de 30 minutos,
os números do Produto Interno Bruto brasileiro, revelados na semana
passada, foram motivo de comemoração - as bolsas chegaram a subir
embaladas pela notícia. Não que o crescimento pífio de 0,82% do
PIB em 1999, sustentado basicamente na força da agricultura, tenha
sido considerado bom por quem quer que seja. Mas, em comparação
com as catastróficas previsões do início do ano passado, o resultado
azul agradou ao mercado. Quando se olha em perspectiva, porém,
o dado é desalentador. Com o desempenho de 1999, o País fecha
a década com um crescimento médio ainda mais medíocre do que o
dos anos 80: 2,3% contra 2,9%. O mais dramático, no entanto, não
está nessa comparação, e sim no desempenho da renda per capita.
No ano passado, a renda por cidadão caiu 0,4%. É o segundo ano
consecutivo do governo Fernando Henrique em que isso ocorre -
em 1998, a queda foi de 1,45%. "A renda per capita é um dos indicadores
básicos do desenvolvimento e, no Brasil, ela está parada há 20
anos", diz Antônio Prado, economista do Dieese. Na década de 1980,
a taxa média de crescimento da renda per capita ficou em 0,84%
e, nos últimos dez anos, ela não passou de 0,34%. "Isso mostra
que não estamos conseguindo superar o subdesenvolvimento", completa
Prado.
Os resultados do País seriam ainda piores se a taxa de natalidade
brasileira não estivesse caindo rapidamente nos últimos anos.
Hoje, estima-se que a população cresça 1,4% ao ano. No início
dos anos 90, o crescimento estava perto dos 2% e, há quinze anos,
era de 2,5%. Isto que dizer que a renda per capita está caindo
apesar de o crescimento demográfico ter se reduzido - ao contrário
do que diz a tese neomalthusiana de que a raiz de todos os problemas
no Terceiro Mundo é o crescimento demográfico. "O problema brasileiro
é mesmo de desempenho econômico, não demográfico", diz Marcio
Holland, economista da Universidade Federal de Uberlândia.
O número anunciado na semana passada animou o governo
a voltar a falar de crescimento de 4% do PIB este ano. Mesmo que
essa expectativa se concretize, a maioria da população vai demorar
a sentir os efeitos. De acordo com um levantamento feito pelo
Dieese, há dez anos o crescimento do PIB se refletia integralmente
no aumento do emprego. Entre 1986 e 1987, por exemplo, o Brasil
cresceu 10% e a ocupação cresceu também 10%. Mas entre 1994 e
1995, o crescimento foi 10%, e os empregos só subiram 5%. A explicação
é que houve uma mudança estrutural na relação entre o crescimento
do PIB e a oferta de trabalho, por conta da tecnologia e das novas
formas de gestão.
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