16 de fevereiro de 2000 - nº 129 

Indústria do leilão
Reação verde-amarela
Confusão do euro
Vinte anos parados









EUROPA
Confusão do euro
Banco Central volta atrás e decide barrar a queda

(Foto: AP)
CONTRADIÇÃO: Duisenberg, presidente do Banco Central Europeu (BCE), cede e decide interromper queda do euro

Wim Duisenberg está deixando perturbados analistas em todo o mundo. Ninguém consegue entender o que realmente pensa o todo-poderoso presidente do Banco Central europeu. Até o início desde mês, Duisenberg fazia questão de dizer que a queda livre do euro, a moeda única da Europa, e uma possível alta da inflação não deveriam tirar o sono de ninguém. Pois bem, no último dia 3 ele mudou de opinião: elevou os juros europeus em 0,25 percentual para 3,25% para conter a queda da moeda européia e o fantasma da alta de preços. Dá pra entender? Muita gente acha que não. Para se ter uma idéia, apenas 14 dos 40 analistas consultados pela agência Bloomberg previram a alta dos juros de Duseinberg. "A alta de juros aumenta a confusão", disparou o jornal inglês Financial Times em editorial.

E que confusão. Em seu boletim de janeiro, o próprio Banco Central Europeu afirmou que as pressões inflacionárias na região não deveriam causar preocupação. O que mudou então? Nada, exceto o fato de que o euro desabou 16% desde o seu lançamento, em janeiro do ano passado, e atingiu seu nível mais baixo no final do mês passado, fechando a 96 centavos de dólar. Em termos práticos, essa desvalorização podem implicar pressão dos preços de produtos e insumos importados. Nesse caso, a decisão do Duseinberg poderia parecer acertada. O problema é que, ao apontar a desvalorização, Duseinberg derrubou suas próprias idéias. Até então, ele sempre defendeu que a queda do euro era uma situação momentânea que seria resolvida com o fortalecimento da economia da Europa. Ao elevar os juros para contê-la, mostrou falta de convicção e abriu espaço para um queda-de-braço com o mercado, que já não tem mais o parâmetro-Duisenberg.

Envie esta página para um amigo Ironicamente, o vilão da queda do euro é o vigor da economia da Europa. Investidores estão enviando dinheiro em massa para os EUA, principalmente para a compra de empresas de tecnologia. "A Europa estão tão apaixonada pelos EUA que se transformou em exportadora de capital", diz Kit Juckes, executiva da NatWest Global Financial Markets. Por essa razão, aumentar os juros europeus também tem a função de manter o dinheiro em solo europeu. Mas a decisão pode trazer conseqüências negativas. "Elevar as taxas pode prejudicar o crescimento da economia real", diz Antonio Correa de Lacerda, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet). Pelo visto, os dias de tranqüilidade de Duseinberg ficaram realmente para trás.

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