|
EUROPA
Confusão
do euro
Banco Central volta atrás e decide barrar a queda
| (Foto:
AP) |
 |
|
CONTRADIÇÃO:
Duisenberg, presidente do Banco Central Europeu (BCE), cede
e decide interromper queda do euro
|
Wim Duisenberg está deixando perturbados analistas em todo o
mundo. Ninguém consegue entender o que realmente pensa o todo-poderoso
presidente do Banco Central europeu. Até o início desde mês, Duisenberg
fazia questão de dizer que a queda livre do euro, a moeda única
da Europa, e uma possível alta da inflação não deveriam tirar
o sono de ninguém. Pois bem, no último dia 3 ele mudou de opinião:
elevou os juros europeus em 0,25 percentual para 3,25% para conter
a queda da moeda européia e o fantasma da alta de preços. Dá pra
entender? Muita gente acha que não. Para se ter uma idéia, apenas
14 dos 40 analistas consultados pela agência Bloomberg previram
a alta dos juros de Duseinberg. "A alta de juros aumenta a confusão",
disparou o jornal inglês Financial Times em editorial.
E que confusão. Em seu boletim de janeiro, o próprio Banco Central
Europeu afirmou que as pressões inflacionárias na região não deveriam
causar preocupação. O que mudou então? Nada, exceto o fato de
que o euro desabou 16% desde o seu lançamento, em janeiro do ano
passado, e atingiu seu nível mais baixo no final do mês passado,
fechando a 96 centavos de dólar. Em termos práticos, essa desvalorização
podem implicar pressão dos preços de produtos e insumos importados.
Nesse caso, a decisão do Duseinberg poderia parecer acertada.
O problema é que, ao apontar a desvalorização, Duseinberg derrubou
suas próprias idéias. Até então, ele sempre defendeu que a queda
do euro era uma situação momentânea que seria resolvida com o
fortalecimento da economia da Europa. Ao elevar os juros para
contê-la, mostrou falta de convicção e abriu espaço para um queda-de-braço
com o mercado, que já não tem mais o parâmetro-Duisenberg.
Ironicamente, o vilão da queda do euro é o vigor da
economia da Europa. Investidores estão enviando dinheiro em massa
para os EUA, principalmente para a compra de empresas de tecnologia.
"A Europa estão tão apaixonada pelos EUA que se transformou em
exportadora de capital", diz Kit Juckes, executiva da NatWest
Global Financial Markets. Por essa razão, aumentar os juros europeus
também tem a função de manter o dinheiro em solo europeu. Mas
a decisão pode trazer conseqüências negativas. "Elevar as taxas
pode prejudicar o crescimento da economia real", diz Antonio Correa
de Lacerda, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos
de Empresas Transnacionais (Sobeet). Pelo visto, os dias de tranqüilidade
de Duseinberg ficaram realmente para trás.
|