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COMÉRCIO
EXTERIOR
Reação
verde-amarela
Como o setor de eletrônicos reduziu seu déficit
comercial
Nelson Rocco
| (Foto:
CIETE SILVÉRIO) |
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GISELA,
DA MOLINEX: liquidificadores e cafeteiras fabricados no
País.
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Os fabricantes eletroeletrônicos, conhecidos vilões da balança
comercial, estão aderindo à campanha nacionalista. Não, não há
nenhum motivo político envolvido na questão. As empresas do setor
estão deixando de importar produtos e componentes e passando a
fabricá-los em território brasileiro por uma razão econômica:
a perda de valor do real tornou o produto local mais vantajoso.
Para o resto dos brasileiros, a boa notícia é que o impacto da
nova postura das empresas bateu em cheio nas contas do País. No
ano passado, o déficit comercial do setor caiu para US$ 6,6 bilhões.
E mais: com exceção de agosto, todos os outros meses de 1999 as
vendas externas de auto-rádios, geradores, componentes para informática
e telefones celulares foram superiores às compras em outros mercados.
Nada mau para um setor que em 1997 apresentou um saldo negativo
de quase US$ 9 bilhões. "Essa mudança começou em 1998 com a queda
da vendas e foi reforçada no ano passado com a crise cambial",
diz o economista Antônio Correia de Lacerda.
Um exemplo da nova onda verde-amarela é a francesa Molinex,
que comprou a Mallory em abril de 1998. A empresa veio para o
Brasil com o objetivo de vender produtos fabricados em suas unidades
de outros países. Teve que mudar idéia quando a crise cambial
jogou para as alturas os preços dos importados. "Depois da desvalorização
do real, não pudemos repassar o aumento de custos aos clientes.
A saída foi acelerar nossa produção nacional", conta Gisela Almeida,
diretora de marketing. A empresa investiu R$ 2 milhões na produção
de cafeteiras nacionais e começou a vendê-las logo em setembro.
Deu tão certo que a solução acabou agradando a matriz. Os executivos
na França decidiram autorizar a fabricação de liqüidificadores
em Itapevi, no interior de São Paulo. A Molinex, que vai conseguir
vender o produto 15% e 20% mais barato em relação aos similares
importados.
O setor de telecomunicações, em ebulição após a privatização
do sistema Telebras, não ficou atrás na troca do importado pelo
nacional. As importações para atender as empresas privatizadas
encolheram mais de 26% no ano passado, segundo dados da Abinee,
a entidade que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos. A Motorola,
por exemplo, nacionalizou o aparelho telefônico sem fio usado
pela Vésper, a concorrente da Telefonica em São Paulo. José Maurício
Gomes, diretor comercial, conta que a nacionalização foi uma exigência
dos clientes, que agora pagam 50% mais barato. Ainda em 1998,
a Philips também decidiu fabricar em Manaus os produtos na área
de áudio fabricados no Exterior. A idéia era driblar a burocracia
da alfândega e a demora na entrega dos produtos. "A decisão mostrou-se
acertada", diz o porta-voz da empresa no Brasil, Guilherme Penteado.
Segundo o executivo, as vendas de rádio-gravadores com CD cresceram
140% no ano passado. Outra ação da Philips é o acordo fechado
com a Samsung para a fabricação de tubos de imagem para monitores
de computador. A linha de montagem da Samsung em Manaus, que estava
com capacidade ociosa, vai fornecer para a Philips 7,2 milhões
de peças em cinco anos.
Mas a onda de valorização do eletrônico nacional tem
limites. A abertura comercial atabalhoada dos anos 90 fez terra
devastada de vários setores industriais, entre os quais o de componentes
eletroeletrônicos. Os especialistas dizem que boa parte dessa
perda é irrecuperável, e que a recuperação de outras áreas será
demorada. Benjamin Funari Neto, presidente da Abinee, diz que
os empresários têm se encontrado com membros do BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social) para estudar as formas
de sair do fundo do poço. As conversas indicaram três níveis de
dificuldades. O primeiro inclui os fabricantes de artigos como
auto-falantes e circuitos impressos, que podem ter uma produção
viável no Brasil imediatamente. Outro, no qual estão circuitos
integrados e capacitores, precisaria conquistar mercado externo,
para ganhar volume que compense a fabricação no País. No terceiro
nível estão os produtos fabricados globalmente - como os chips
- cuja fabricação local é claramente antieconômica. A conclusão
de Funari Neto é que a recuperação de boa parte da fabricação
de componentes é viável. "Economizaríamos US$ 1 bilhão por ano",
diz ele.
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