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PRIVATIZAÇÃO
Indústria
do leilão
Um grupo de empresas de consultoria faturou US$
190 milhões preparando a venda de estatais.
Veja como foi ganho esse dinheiro.
Estela Caparelli
| (Foto:
BIÔ BARREIRA) |
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CALABI,
DO BNDES: gestor da venda faz parceria com empresas
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A cada batida de martelo dos leilões de estatais brasileiras,
uma indústria milionária e pouco conhecida vem se fortalecendo:
a de consultorias de privatização. São escritórios de advocacia,
auditorias, empresas de engenharia e bancos contratados pelo governo
exclusivamente para avaliar as estatais e criar modelos de venda.
Pelos serviços prestados entre 1991 e 1998, essas empresas receberam
dos cofres públicos US$ 187 milhões, segundo DINHEIRO apurou.
O número consta de um levantamento feito pelo BNDES, o principal
gerente do programa de privatizações brasileiro. A cifra é insignificante
se comparada aos U$ 89 bilhões arrecadados com a venda de estatais
no mesmo período. O valor, no entanto, é relevante tendo em vista
que os recursos foram distribuídos por cerca de 100 companhias
nacionais e estrangeiras. Na lista dos conselheiros, figuram as
auditorias Deloitte Touche e KPMG, bancos Fator e Graphus, consultoria
Rotschild e companhias pouco conhecidas como Projeta e NMR. "É
um negócio importante, que vem crescendo nos últimos anos. Agora,
nos preparamos para participar da nova fase da venda das estatais,
que inclui as geradoras federais e as empresas de saneamento",
diz André Castello Branco, sócio da divisão da KPMG, que participou
ativamente de privatizações como a da Vale do Rio Doce, Banco
do Estado da Bahia e Copesul.
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69,7% dos US$ 187 milhões levantados entre 1991 e 1998
pelas consultorias de privatização são referentes ao pagamento
de um trabalho conhecido no meio como serviço B. É a tarefa
mais complexa porque inclui, além de avaliação econômico-financeira
da estatal, a preparação da venda. Esse trabalho é complementado
pelo serviço A, que rendeu US$ 15,5 milhões no mesmo período.
Trata-se de uma nova avaliação econômico-financeira, usada
com uma segunda opinião sobre a empresa analisada.
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O
melhor ano dos negócios foi 1997, quando o governo desembolsou
US$ 67,7 milhões para os trabalhos de privatização. O valor
é três vezes maior que o faturamento do ano anterior, de
US$ 20,8 milhões. Em 1998, os gastos caíram para US$ 10,8
milhões, mesmo com a venda do Sistema Telebras.
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O
negócio de consultoria de privatização surgiu em 1991, com
o lançamento do programa nacional de privatização. Naquele
ano, rendeu apenas US$ 1,1 milhão. Em 1992, o trabalho ganhou
força e, no ano seguinte, US$ 19,4 milhões foram arrecadados.
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Hoje, pelo menos 100 empresas estão dedicadas ao aconselhamento
na privatização. Entre elas, estão as auditorias KPMG e
Ernst & Young, bancos Fator e Graphus e as consultorias
Projeta e NMR.
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O pico dos negócios dos consultores de privatizações aconteceu
em 1997. Naquele ano, eles faturaram US$ 67,7 milhões. Um ano
depois, a receita despencou para US$ 10,8 milhões, mesmo com a
venda do Sistema Telebras por R$ 22 bilhões. "Podemos ficar um
ano sem participar de um trabalho", afirma Luiz Carlos Passetti,
sócio da Ernst & Young. Desde 1998, Passetti e sua equipe cuidam
da avaliação econômico-financeira da Cesp, empresa de energia
de São Paulo. No chamado serviço A, as empresas - que trabalham
em consórcios - recebem um determinado valor por horas trabalhadas
para levantar a real situação da empresa. Para isso, vasculham
balanços, avaliam o mercado potencial, traçam perspectivas. Até
hoje, 8,2% dos US$ 187 milhões arrecadados foram destinados ao
pagamento dessa tarefa.
O trabalho mais caro - e mais complexo - dos conselheiros é o
chamado serviço B. Entre 1991 e 1998, US$ 130 milhões foram arrecadados
pelos profissionais para fazer uma nova avaliação econômico-financeira
e elaborar todo o plano de venda da estatal em questão. É uma
longa empreitada que inclui conversas com potenciais compradores,
apresentações da empresa à venda em outros países, provisionamento
de dívida e conversas com fornecedores. No início de 1998, Passetti,
da KPMG, teve que viajar num trem da Rede Ferroviária Federal
pelo interior do Mato Grosso para avaliar as condições da locomotiva.
No final da viagem, teve que dormir em um casebre afastado
da cidade porque o outro trem só sairia no dia seguinte. "Fomos
pegos de surpresa. Faz parte do trabalho", brinca Passetti. Deve
valer a pena. Pelo trabalho completo, as empresas recebem um pequeno
percentual sobre o que é arrecadado nos leilões. Se depender das
privatizações que vêm por aí, o negócio deve render alguns milhões
de dólares a mais.
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