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CAPA
Janela para a rede
Windows 2000
abrirá a Internet à Microsoft. Ou...
Ivan Martins e Lino Rodrigues
| (Foto:
BIÔ BARREIRA) |
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TUDO
PRONTO: A contagem regressiva está no final. Começa a corrida
para a distribuição do novo produto.
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Na festa de garagem com que três mil programadores da Microsoft
celebraram a conclusão do Windows 2000, em 15 de dezembro passado,
Bill Gates tomou a palavra e anunciou, peremptoriamente, que o
novo sistema operacional iria "mudar a maneira como se faz computação".
Havia muita cerveja no recinto e a euforia corria solta em Redmond,
depois de quatro anos de trabalho ininterrupto. Mas não foi por
isso que Gates exagerou. Além de afagar os dedicados criadores
do seu novo carro-chefe, o auto nomeado arquiteto-chefe de programas
da Microsoft queria anunciar uma batalha. O lançamento mundial
do Windows 2000, nesta Quinta-feira 17, põe na rua o mais ambicioso
projeto da Microsoft desde 1995, quando foi apresentado ao mundo
o navegador Internet Explorer. Com este novo programa, desenhado
para substituir o Windows NT no controle de redes de computadores
corporativas, a maior empresa de software do mundo pretende abrir
uma trincheira no terreno mais promissor da indústria de informática
- o dos programas empresariais para a Internet. O Windows 2000
foi desenhado para colocar as empresas na rede de forma fácil
e segura, permitindo comércio eletrônico, montagem e gerenciamento
de sites. Além disso, oferece uma série de comodidades para que
as empresas transacionem entre si pela rede - ou para que seus
funcionários trabalhem em qualquer lugar do mundo, com acesso
pela Internet aos seus arquivos pessoais. Se o programa for aceito,
colocará a Microsoft em uma posição dominante no mundo bilionário
do .com. Se for recusado, ou tiver uma aceitação inferior à dos
produtos concorrentes da Sun, Oracle e Novell, a empresa estará
em apuros.
"Isto é a própria vida para a Microsoft", afirma Steve Ballmer,
o novo presidente da companhia. Com um faturamento anual de US$
25 bilhões e controle quase monopolístico do mercado mundial de
programas para microcomputadores - o que lhe vale suspeitas e
processos da justiça americana -, a empresa de Ballmer e Gates
é um gigante na encruzilhada. Os lucros da Microsoft no último
trimestre de 1999 cresceram 22% e a empresa tem em caixa reservas
de US$ 19 bilhões, mas há um problema: em plena Era da Internet,
o grosso do seu faturamento vem da venda de programas como o Windows
e o Office, que funcionam desconectados da rede. Se a Internet
é o futuro, a Microsoft está com o pé no passado. É por isso que
Gates enviou recentemente um memorando aos seus 31 mil funcionários
exortando para que eles abraçassem a tarefa de criar software
"que melhore a maneira como as pessoas se relacionam com a Internet",
explicando que essa é "uma revolução ainda mais importante do
que foram as interfaces gráficas (do Windows)". Gates quer que
a empresa mais bem-sucedida do mundo reinvente a si mesma e embarque
numa cruzada para levar seus programas à Internet. O objetivo
final é tornar os programas da Microsoft tão importantes na rede
como já são fora dela. Gates espera vê-los instalados em aparelhos
de comunicação de vários tamanhos e utilidades, regidos por um
novo sistema operacional que funcionaria distribuído entre os
nós da Internet. Seria, nas palavras de Ballmer, uma "versão do
Windows que habita a Web e que todo mundo compartilha". O embrião
dessa criatura virtual é o Windows 2000.
"O novo sistema facilita a administração da rede interna de
computadores e sua ligação à Internet", afirma Francisco Manuel
Coelho, gerente-geral de tecnologia do banco BBA, de São Paulo.
O BBA foi uma das mais de 100 empresas brasileiras que receberam
uma versão semifinal do produto para testes. No mundo todo, foram
distribuídas 450 mil dessas cópias beta, como são conhecidas no
jargão do mercado. A idéia era descobrir e corrigir os erros antes
do lançamento final. Até o dia 17, quando a atriz Carolina Ferraz
subirá ao palco da casa de espetáculos paulistana Via Funchal
para apresentar o Windows 2000, o programa terá de estar rodando
como bicicleta em piso de mármore - ao menos é o que esperam Luiz
Marcelo Moncau e João Bortone, respectivamente diretor e gerente
de marketing da Microsoft do Brasil. Os dois estão desde dezembro
em contagem regressiva para o lançamento, que vai custar R$ 7
milhões e envolver os 250 funcionários da filial brasileira. Na
semana passada, a máquina de distribuição já estava em movimento
para colocar o novo produto em 3 mil revendas do País. Na outra
ponta, 100 atendentes de telemarketing contratados para a ocasião
ultimavam os preparativos para resolver as dúvidas e problemas
dos clientes. Quem pagar os R$ 500 que serão cobrados pelo produto
nas lojas - ou R$ 900 na versão usada nos computadores que comandam
as redes empresariais - vai exigir suporte. "Essa mudança será
menos traumática do que foi a do Windows 95", prevê Moncau. Explica-se:
o Windows NT, que será substituído pelo 2000, tem uma base de
usuários empresariais infinitamente menor que os mais de 200 milhões
que usam as versões populares do Windows ao redor do mundo. Para
essa massa de clientes, o substituto do Windows 98 virá no segundo
semestre, com o nome de Windows Millennium.
"Marketing agressivo e milionário funciona com leigos, mas os
técnicos nas empresas não se deixam levar pela propaganda", afirma
Paulo Delegá, diretor de marketing da Novell no Brasil, a mais
tradicional fornecedora de software para redes empresariais e
concorrente feroz da criadora do Windows. Na verdade, o NT da
Microsoft já controla mais de 40% das redes corporativas brasileiras
- em números da Fundação Getúlio Vargas - e tem crescido com muito
rapidez desde 1993, quando foi lançado. A Microsoft afirma que
70% dos computadores que controlam redes corporativas, os chamados
servidores, já estão saindo de fábrica com o NT. Logo, o 2000
começa vida com uma boa herança. Ao mesmo tempo, porém, o mercado
brasileiro aponta uma tendência de crescimento do Linux, o programa
de rede criado por um estudante finlandês que se tornou uma espécie
de bandeira libertária entre os especialistas que não gostam da
Microsoft e do seu poderio. O Linux pode ser apanhado de graça
na rede e, no Brasil, tem suporte técnico da paranaense Conectiva.
"O Windows 2000 é para empresas americanas, que não se preocupam
com o preço dos equipamentos", diz Sandro Nunes Henrique, presidente
da Conectiva. Ele bate na tecla de que para abrigar os 30 milhões
de linhas de instrução do novo programa da Microsoft, as empresas
terão de comprar computadores mais potentes e mais caros do que
os que atualmente usam o NT ou seus concorrentes. A Microsoft
diz que isso não é verdade, e que as mesmas máquinas suportam
bem os dois programas. Veja o que diz Coelho, responsável pelo
teste do Windows 2000 no BBA: "Estamos investindo US$ 240 mil
na troca de 100 máquinas que ficaram lentas com a instalação do
Windows 2000".
Isso não seria novidade. Em todas as ocasiões em que
a Microsoft fez evolução de programas, as empresas tiveram que
meter a mão no bolso para comprar novos equipamentos. Esse fenômeno,
do qual todo mundo reclama, nunca impediu que os novos produtos
da empresa de Gates triunfassem. Os clientes fazem as contas e
decidem que é mais barato gastar do que ficar para trás. O risco
agora é outro - e muito maior. Com o deslocamento do eixo de negócios
para a Internet, as empresas podem estar menos propensas a investir
na produtividade do computador de mesa, que sempre foi o grande
apelo dos produtos da Microsoft. Para conquistar os corações e
mentes corporativos, o Windows 2000 terá de aumentar a produtividade
da Internet. Só assim poderá mudar o fato de que apenas 5% do
comércio eletrônico é feito com programas da Microsoft. Ou superar
a constatação em pesquisa de que a marca que inspira mais confiança
aos comerciantes da rede é a IBM. Trata-se, como já disse Ballmer,
de uma questão de vida ou morte. Mais uma, nos 20 anos da Microsoft.
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Ficha corrida
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