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INTERNET
A nova vitrine da Americanas
Rede investe
no varejo virtual, valoriza suas ações e avança em outros países
da América Latina.
Juliana Almeida
| (Foto:
BIÔ BARREIRA) |
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OTIMISMO:
o presidente Pedro Donda prevê receita de R$ 530 milhões
em 2003
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A septuagenária Lojas Americanas, uma das poucas sobreviventes
entre as lojas de departamento brasileiras, acaba de se render
ao mundo virtual. Ao oficializar, na semana passada, a criação
da Americanas.com - subsidiária responsável por suas operações
na Internet - a empresa aproveitou para mostrar que não está entrando
neste mercado por acaso. "Até o fim do ano queremos ser o principal
destino de compras na Web nacional e, em breve, na América Latina",
afirmou Pedro Donda, contratado para presidir a nova empresa.
Com essa tacada, a companhia espera atingir dois alvos ao mesmo
tempo. Primeiro: recuperar o prestígio junto aos analistas de
investimentos, que já haviam deixado de recomendar as ações da
companhia. Segundo: conferir à Americanas uma imagem de modernidade.
A rede, com 91 lojas espalhadas por 18 Estados, concluiu em 1999
um processo de reestruturação que durou dois anos, sob a direção
do salvador de empresas Claudio Galleazi. Nesse período, Galleazi
- que levantou as contas de empresas como Artex, Vila Romana e
Cecrisa - decidiu vender os supermercados para o Carrefour, separar
a operação imobiliária da de varejo, melhorar a logística, rever
a localização de alguns pontos-de-venda e criar uma divisão de
Internet. "O surgimento da Americanas.com faz parte deste processo
de revisão dos nossos negócios", afirma o diretor da Americanas,
Miguel Gutierrez.
Otimismo não falta a Pedro Donda. Ele estima que a nova empresa
- que consumiu investimentos de R$ 10 milhões até agora - vai
agregar ao grupo um faturamento anual de R$ 530 milhões dentro
de três anos. Até setembro de 1999 (últimos dados disponíveis),
a Americanas acumulou vendas de R$ 965,4 milhões. O próximo passo
da Americanas.com será encontrar investidores estratégicos para
conseguir se manter neste mercado competitivo, que exige investimentos
constantes. "Estamos prontos para entrar numa briga de igual para
igual, usando as mesmas armas dos nossos concorrentes", diz Gutierrez.
Isso significa que a companhia poderá optar por uma abertura de
capital nos Estados Unidos, seguindo o caminho trilhado por diversas
empresas no setor. Mas os atuais acionistas não pretendem abrir
mão do controle, pelo menos nos próximos 18 meses. Esse é o tempo
estimado por Donda para que a nova companhia se consolide, conheça
seus clientes e seus nichos de atuação.
Aos 46 anos, Donda, idealizador de um empreendimento
pioneiro em comércio eletrônico, a Interchange, zomba de seus
colegas que apontam o IPO (denominação da primeira oferta pública
de uma empresa nos Estados Unidos) como uma solução fácil para
obtenção de recursos. "Os IPO Boys não têm idéia do que é dirigir
uma empresa de capital aberto. Os investidores que hoje prestigiam
suas ações, amanhã poderão colocá-las no pé." As dificuldades
e exigências do meio eletrônico levaram o grupo a separar a operação
virtual em uma subsidiária, com um sistema próprio de distribuição.
De acordo com resultados obtidos em Curitiba, cidade que foi usada
como mercado-teste, as compras na Web são diferentes daquelas
realizadas nas lojas tradicionais. "O tíquete médio na Internet
é cinco vezes superior ao da loja (de R$ 14,80)", observa Donda.
Segundo ele, os internautas devem priorizar a compra de produtos
de maior valor. Por isso, os estoques precisam ser diferentes
dos de uma loja tradicional. Quem quiser comprar um bombom ou
uma bala terá que continuar visitando as prateleiras.
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