16 de fevereiro de 2000 - nº 129 

A nova vitrine da Americanas
Nó na internet?
Janela para a rede








INTERNET
A nova vitrine da Americanas
Rede investe no varejo virtual, valoriza suas ações e avança em outros países da América Latina.

Juliana Almeida

(Foto: BIÔ BARREIRA)
OTIMISMO: o presidente Pedro Donda prevê receita de R$ 530 milhões em 2003

A septuagenária Lojas Americanas, uma das poucas sobreviventes entre as lojas de departamento brasileiras, acaba de se render ao mundo virtual. Ao oficializar, na semana passada, a criação da Americanas.com - subsidiária responsável por suas operações na Internet - a empresa aproveitou para mostrar que não está entrando neste mercado por acaso. "Até o fim do ano queremos ser o principal destino de compras na Web nacional e, em breve, na América Latina", afirmou Pedro Donda, contratado para presidir a nova empresa. Com essa tacada, a companhia espera atingir dois alvos ao mesmo tempo. Primeiro: recuperar o prestígio junto aos analistas de investimentos, que já haviam deixado de recomendar as ações da companhia. Segundo: conferir à Americanas uma imagem de modernidade. A rede, com 91 lojas espalhadas por 18 Estados, concluiu em 1999 um processo de reestruturação que durou dois anos, sob a direção do salvador de empresas Claudio Galleazi. Nesse período, Galleazi - que levantou as contas de empresas como Artex, Vila Romana e Cecrisa - decidiu vender os supermercados para o Carrefour, separar a operação imobiliária da de varejo, melhorar a logística, rever a localização de alguns pontos-de-venda e criar uma divisão de Internet. "O surgimento da Americanas.com faz parte deste processo de revisão dos nossos negócios", afirma o diretor da Americanas, Miguel Gutierrez.

Otimismo não falta a Pedro Donda. Ele estima que a nova empresa - que consumiu investimentos de R$ 10 milhões até agora - vai agregar ao grupo um faturamento anual de R$ 530 milhões dentro de três anos. Até setembro de 1999 (últimos dados disponíveis), a Americanas acumulou vendas de R$ 965,4 milhões. O próximo passo da Americanas.com será encontrar investidores estratégicos para conseguir se manter neste mercado competitivo, que exige investimentos constantes. "Estamos prontos para entrar numa briga de igual para igual, usando as mesmas armas dos nossos concorrentes", diz Gutierrez. Isso significa que a companhia poderá optar por uma abertura de capital nos Estados Unidos, seguindo o caminho trilhado por diversas empresas no setor. Mas os atuais acionistas não pretendem abrir mão do controle, pelo menos nos próximos 18 meses. Esse é o tempo estimado por Donda para que a nova companhia se consolide, conheça seus clientes e seus nichos de atuação.

Envie esta página para um amigo Aos 46 anos, Donda, idealizador de um empreendimento pioneiro em comércio eletrônico, a Interchange, zomba de seus colegas que apontam o IPO (denominação da primeira oferta pública de uma empresa nos Estados Unidos) como uma solução fácil para obtenção de recursos. "Os IPO Boys não têm idéia do que é dirigir uma empresa de capital aberto. Os investidores que hoje prestigiam suas ações, amanhã poderão colocá-las no pé." As dificuldades e exigências do meio eletrônico levaram o grupo a separar a operação virtual em uma subsidiária, com um sistema próprio de distribuição. De acordo com resultados obtidos em Curitiba, cidade que foi usada como mercado-teste, as compras na Web são diferentes daquelas realizadas nas lojas tradicionais. "O tíquete médio na Internet é cinco vezes superior ao da loja (de R$ 14,80)", observa Donda. Segundo ele, os internautas devem priorizar a compra de produtos de maior valor. Por isso, os estoques precisam ser diferentes dos de uma loja tradicional. Quem quiser comprar um bombom ou uma bala terá que continuar visitando as prateleiras.

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