09 de fevereiro de 2000 - nº 128 
Fim da linha
Ahumada de verde e amarelo
Mudanças no clube do Mickey
A nova Esso parte para o contra-ataque no Brasil
O outro lado da Helios
Pelas estradas da América do Sul
Outra porta aberta
Os super vírus
Tigre afia as garras
Para onde voa a Varig







VAREJO
Ahumada de verde e amarelo
Com US$ 30 milhões para gastar, rede chilena de farmácias anuncia esta semana seu parceiro nacional

Juliana Almeida

(Foto: Revista America Economia)

Nem supermercados nem lojas de departamentos. A entrada do Chile no varejo brasileiro será feita por meio da venda de remédios. A Farmacias Ahumada, líder naquele país, estuda o mercado há pelo menos dois anos e, desde então, vem sondando potenciais parceiros para facilitar o desembarque. Nesta semana, a empresa chilena finalmente anuncia o nome da rede brasileira à qual vai se associar. O sigilo será mantido, segundo a Ahumada, até que os últimos detalhes do acordo estejam definidos. Entre eles, o percentual de participação neste negócio, no qual ela colocará US$ 30 milhões. Chegar ao País, no entanto, será apenas o primeiro passo desta cadeia de farmácias que projeta uma receita de US$ 335 milhões para o ano. “A Ahumada quer formar uma rede nacional como no Chile”, diz o consultor de varejo Marcos Gouvêa de Souza. Depois de conquistar uma confortável participação de 30% em seu país, a empresa decidiu partir para outros mercados latino-americanos há cerca de três anos. O primeiro foi o peruano, onde construiu uma rede com 45 lojas. Em seguida, a Ahumada procurou as farmácias do Sul do Brasil. A gaúcha Drobel, hoje composta por 36 lojas próprias e 22 franquias, foi um dos primeiros alvos. Estiveram na mira chilena outra rede gaúcha, a Panvel, a paranaense Drogamed e as paulistanas Farma100 e Drogasil. “Os contatos conosco foram interrompidos em outubro do ano passado”, lamenta João Carlos Almeida, sócio da Drobel, que estava interessado na parceria. “Não somos nós os escolhidos”, despista Aparecido Bueno de Camargo, presidente da Drogamed. Além de ser a maior rede do Paraná, com 74 pontos-de-venda, suas lojas são parecidas com as operadas pela Ahumada - o que a coloca como uma das favoritas no negócio.

O interesse da Ahumada pelo Brasil se justifica pelo potencial do mercado. De acordo com a Sincofarma, sindicato que reúne o setor, o faturamento anual bate à casa dos US$ 9 bilhões. Outro fator que animou a empresa chilena foi a perspectiva de encontrar aqui um ambiente semelhante ao de seu país de origem. Lá, redes familiares que não conseguiram acompanhar a modernização imposta pela Ahumada acabaram sendo vendidas a preços simbólicos. No Brasil, ainda existem 52 mil farmácias, número que deverá cair pela metade quando se fortalecer a tendência mundial de concentração nas mãos dos grupos mais fortes. Os números atraentes também têm despertado a atenção de outras redes internacionais. O grupo americano All Green e o inglês Boots estudam a possibilidade de competir no mercado brasileiro.

Envie esta página para um amigo Para Gouvêa de Souza, a chegada da Ahumada ao País pode ser um prenúncio da vinda de um de seus principais acionistas, a Falabella, loja de departamento que possui 20% da rede de farmácias. A família Codner e outros executivos da empresa detêm 49,6%, fundos de pensão e de investimentos outros 20%. A Falabella já ensaiou um desembarque no Brasil, mas acabou desistindo por causa das dificuldades por que passaram Mappin e Mesbla. A Ahumada seria, então, apenas a primeira incursão dos chilenos por aqui.

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