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INVESTIMENTO
Fundo
perdido
Taxas de administração
gigantes podem tomar todo o lucro dos investidores
Lucia Kassai
Para que serve um fundo de investimentos? Para dar dinheiro para
o investidor e o administrador, responderão todos. Ao entregar
seu dinheiro a especialistas, o cliente espera uma rentabilidade
minimamente razoável, acima de investimentos banais como a poupança.
E os gestores, que conduzirão a bolada por mares turbulentos da
economia, garantem sua remuneração cobrando taxas de administração
e performance (geralmente em torno dos 2,5%). Até aí, tudo funciona
bem. O problema é quando as taxas parecem escandalosamente altas
e a rentabilidade ridiculamente baixa. Um fundo como o Agenda
Carteira Livre, da Agenda Corretora, cobra 8% para cuidar do dinheiro
dos clientes, mas dificilmente há quem reclame ao constatar que
a rentabilidade foi de 153,42% no ano passado, superando o Ibovespa.
Mas o que dirão os clientes do Banrisul Automático, que rendeu
3,66% (menos de um terço do rendimento da poupança) e levou os
clientes a morrer com 12% de taxa de administração? Em alguns
casos, o susto pode ser ainda maior. A fatia dos administradores
às vezes chega a 20%, engolindo todo o lucro que o cotista poderia
ter. Com os juros de hoje, um fundo rende, no máximo, 19% por
ano. Ou seja, quem entrar em janeiro com R$ 100 sairá em dezembro
com R$ 95,20 no bolso e um gosto amargo de prejuízo na boca. "Se
a taxa de administração estiver próxima da taxa de juros, o investidor
é candidato certo a perder dinheiro", explica Cássio Bariani,
da consultoria InvestTracker.
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Quem
cobra mais
As taxas mais altas do mercado
Banco
Cidade FIF Curto Prazo
Taxa de administração: 20%
Rentabilidade em 1999: 0,18%
Patrimônio: R$ 36,6 milhões
Rend
(BBV)
Taxa de administração: 15%
Rentabilidade em 1999: 2,11%
Patrimônio: R$ 55,6 milhões
BNL
Ações
Taxa de administração: 12%
Rentabilidade: 27,69%
Patrimônio: R$ 1,5 milhão
Banrisul
Automático
Taxa de administração: 12%
Rentabilidade: 3,66%
Patrimônio: R$ 531,8 milhões
Banespa
Curto Prazo Plus
Taxa de Administração: 6,5%
Rentabilidade: 8,69%
Patrimônio: R$ 95,2 milhões
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Para atrair o investidor, os bancos têm apelado para táticas
de guerra. O artifício da moda é não cobrar a famigerada CPMF,
de 0,38%. Mas essa aparente vantagem pode não passar de propaganda.
O Cidade Asset Management, do Banco Cidade, poupa a freguesia
do valor do imposto, mas seu FIF Curto Prazo cobra 20% para jogar
com os 36 milhões de reais de seu patrimônio. "Este fundo é ideal
para quem movimenta muito a conta. A taxa de administração parece
alta, mas é compensada pela isenção do CPMF", garante Isaac Kafif,
diretor da administradora. Não é o que mostram os números do ano
passado. Em 1999, quem deixou R$ 100 investidos no Cidade FIF
Curto Prazo festejou a chegada do milênio com lucro de R$ 0,18.
Os gestores são rápidos no gatilho para aumentar as taxas de
administração quando lhes é conveniente. Infelizmente, não fazem
questão de baixá-las quando isso seria possível. Veja-se o caso
do Banespa. Quando os juros subiram, no começo do ano passado,
os gestores convocaram assembléias e quadruplicaram a proporção
que era descontada do Banespa Curto Prazo Plus - de 1,5% para
6,5%. Quando os juros caíram, não houve a mesma agilidade para
reduzir o quinhão do administrador. "Poderíamos ter convocado
uma assembléia para sugerir uma redução, mas não fizemos", admite
Orlando Zainaghi, administrador do fundo, evitando entrar em maiores
detalhes. O mesmo banco oferece outra opção de investimento com
o mesmo perfil, o Banespa Top, que cobra taxa de apenas 3,5%.
"Por que alguém iria aplicar num fundo que cobra uma taxa de 6,5%
quando outro, semelhante, cobra 3,5%?", diz o próprio Zainaghi.
De fato, há R$ 408 milhões aplicados no Top, contra R$ 95 milhões
no Curto Prazo Plus. Não se sabe se todos os cotistas do time
dos 6,5% estão informados da existência da opção mais barata.
O Banco Central chegou a cogitar a limitação da taxa de performance,
que poderia ser cobrada apenas de grandes investidores. A medida
não chegou a entrar em vigor, mas muitos operadores, por conta
própria, eliminaram a cobrança - e aumentaram a taxa de administração.
Foi o raciocínio do HSBC Asset Management, que elevou a proporção
descontada do PoupMais e PoupMais 30 Diário de 1,5% para 2,5%,
no ano passado. "A taxa de performance causava muita confusão",
diz Renato Ramos, diretor da empresa. Perguntados, os administradores listam uma infinidade
de motivos para explicar por que cobram taxas acima da média.
Há os custos de envio das informações, das taxas de fiscalização
da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da publicação do balanço
e das auditorias - que, dependendo da composição do fundo, são
mais complicadas. Mas não adiante. Para os cotistas, fica sempre
a desconfiança de que o que aumentou foi a margem de lucro do
operador.
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