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E-BUSINESS
O dínamo da E * Trade
Como Christos Cotsakos está construindo a maior usina de serviços financeiros da Internet

A maioria das pessoas acha que banqueiros são pessoas sisudas, que vestem ternos elegantes, dirigem seus negócios com frieza e só abrem a carteira com muita parcimônia. Nem todos. Christos M. Cotsakos, presidente da E*Trade, segunda maior corretora virtual de ações dos Estados Unidos, pertence a outra espécie. Como é de praxe entre os empreendedores da Internet, ele não usa gravata. Até recentemente, nunca tinha trabalhado no setor financeiro. E sua empresa vive no prejuízo. Mesmo assim, seria tolice ignorá-lo. Entre tantos projetos mirabolantes que vivem aparecendo na rede mundial de computadores, o de Cotsakos é um dos mais ambiciosos. Ele quer fazer da E*Trade uma usina de serviços financeiros completa, capaz de servir aos seus clientes como banco, corretora, seguradora e fonte de informações sobre o mercado. Ninguém sabe se ele vai conseguir, mas a competição nesse meio é feroz e os rivais da E*Trade não tiram o olho de Cotsakos.

Entre as empresas americanas que nos últimos tempos surgiram na Internet, a E*Trade é uma das mais bem-sucedidas. Em apenas três anos de vida, sua carteira de clientes saltou de 73 mil para 1,9 milhão. Com 15% dos negócios com ações feitos pela Internet, ela ainda come poeira diante da Charles Schwab, a corretora que lidera a tropa com 23% do mercado e 3,3 milhões de contas. Mas a E*Trade preocupa os concorrentes porque cresce mesmo sem ter vínculos com bancos e corretoras do mundo real. Ao contrário da Schwab e das outras corretoras virtuais, ela nasceu como uma empresa de Internet, e não como filial de uma firma já estabelecida no mercado. Nos últimos meses, mamutes do setor financeiro como a corretora Merril Lynch e o banco de investimentos Morgan Stanley Dean Witter entraram no ramo, com medo de perder mais fregueses do que já perderam para novatos como a E*Trade. Com poder de fogo financeiro e a carteira abarrotada de clientes, eles são uma ameaça séria, e é por isso que Cotsakos está correndo. Acaba de comprar um banco on-line inglês, o Telebank, com patrimônio de US$ 2,7 bilhões, e nos próximos dois anos pretende gastar US$ 100 milhões em tecnologia e propaganda para transformar a E*Trade no lugar da Internet que todos vão procurar para resolver problemas financeiros e aplicar suas economias. Ele está investindo na criação de programas que facilitem as coisas para a freguesia - em vez de perder horas buscando as informações de que precisam, seus clientes receberão tudo mastigado.

Envie esta página para um amigo Filho de imigrantes gregos, Cotsakos sempre foi péssimo aluno, gastou parte da infância brigando com outros garotos na rua e lutou no Vietnã, de onde saiu com uma medalha e uma bala na perna esquerda. No trabalho, o sujeito é um dínamo. Teatral, exuberante, hipercompetitivo, parece ser o homem certo para envolver a equipe num projeto de alto risco como o da E*Trade. Para que os executivos aprendam a tomar decisões rápidas, Cotsakos os mandou dirigir carros de Fórmula 1 certa vez. Para que saibam trabalhar em equipe, são enviados para cursos de culinária. O estilo pode parecer insano, mas tem funcionado. Em fevereiro do ano passado, a E*Trade sofreu um baque sério quando uma pane nos computadores impediu que seus clientes acessassem suas contas e negociassem ações durante alguns dias. As linhas de telefone da firma ficaram congestionadas e fregueses irados difamaram a empresa pela rede. Poderia ter sido o fim da E*Trade, mas a corretora continua em pé. Investiu em novos sistemas, fisgou clientes com ofertas e ganhou fama com anúncios antológicos (o melhor: "Se seu corretor é tão bom, como é que ele ainda tem que trabalhar?"). Pelo que Cotsakos anda falando sobre seus planos, ele mal começou. "Somos predadores", diz. "Acreditamos que temos um direito sagrado à participação de mercado."

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09 de fevereiro de 2000 - nº 128