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JUSTIÇA
O
cerco aperta sobre Chico Lopes
Polícia indicia
ex-presidente do BC por peculato
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(Foto:
JOEDSON ALVES)
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| EM SILÊNCIO:
Como já havia feito na CPI dos Bancos, economista se recusou
a depor no inquérito |
A Polícia Federal deu na semana passada alguns passos para encerrar
um imbróglio que já dura quase treze meses. O delegado Luiz Pontel
indiciou quatro pessoas nas investigações sobre a venda de dólares
a preços subsidiados aos bancos Marka e Fonte-Cindam, logo após
a desvalorização do real, ocorrida em janeiro do ano passado.
Os indiciados foram Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central,
enquadrado no crime de peculato (desvio de dinheiro público),
Luís Augusto Bragança, sócio de Lopes na consultoria Macrométrica,
por tráfico de influência, e os banqueiros Salvatore Cacciola,
ex-presidente do Marka, e Luiz Antônio Gonçalves, ex-presidente
do Fonte-Cindam, por gestão temerária. Os indiciamentos são apenas
a primeira etapa de um processo. O inquérito será enviado para
o Ministério Público Federal, que pode pedir novas investigações,
oferecer denúncia contra os acusados ou simplesmente mandar engavetar
o caso. Pelo ritmo das investigações da PF, tudo indica que prevalecerá
a primeira opção.
Como havia feito ao ser convocado pela CPI dos Bancos - quando
não quis responder a perguntas e chegou a receber voz de prisão
-, Lopes recusou-se a prestar depoimento à PF. Limitou-se a escrever
à mão em algumas folhas de papel, para que fossem feitos exames
grafotécnicos. Foi seu segundo indiciamento. Em outubro do ano
passado ele havia sido acusado de evasão de impostos. A base para
esse primeiro inquérito foi um bilhete de Lopes para sua mulher,
Araci Pugliese. Nele, o economista revela ter US$ 1,67 milhão
depositados em uma conta bancária no Exterior em nome de Sérgio
Bragança, também sócio da Macrométrica. Até agora, o nome do banco
ou o número da conta não foram descobertos. Lopes foi presidente
do Banco Central por vinte dias, em janeiro do ano passado. Em
sua curta gestão, o governo mudou o regime de câmbio e permitiu
a livre flutuação da moeda.
A mudança cambial deixou em má situação pelo menos duas instituições
financeiras, os bancos Marka e Fonte-Cindam. Em vez de decretar
sua liquidação extra-judicial, como seria de se esperar em um
caso como esse, o BC vendeu dólares ao dois bancos com uma cotação
camarada. Quando o dólar estava a R$ 1,32, Marka e Fonte-Cindam
compraram moeda a R$ 1,27. Na prática, a operação permitia que
os bancos cobrissem uma parte do rombo, mas ainda inviabilizava
sua operação futura. Os cotistas dos fundos geridos por essas
instituições tiveram perdas de até 95% do patrimônio aplicado.
Em pelo menos um caso, no entanto, os sócios das instituições
conseguiram salvar os seus recursos. Na edição de 24 de abril
do ano passado, DINHEIRO revelou que Francisco de Assis Moura
de Melo, sócio do Marka, conseguiu sacar R$ 2 milhões antes que
o banco quebrasse - a denúncia que deu origem às investigações.
Apesar de tantos indícios de irregularidade, a apuração
das responsabilidades demorou a começar e seguiu em marcha lenta
até o final. O inquérito policial que levou ao indiciamento de
Lopes só foi aberto em abril do ano passado - três meses depois
da polêmica venda de dólares. As investigações da Polícia Federal
só começaram depois que o Congresso Nacional já havia aberto uma
CPI para investigar o assunto.
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