09 de fevereiro de 2000 - nº 128 

Pré-datado de plástico
O cerco aperta sobre Chico Lopes
O dínamo da E * Trade
Fundo perdido
O touro pula a cerca







CRÉDITO
Pré-datado de plástico
Cartões tentam desbancar cheques no varejo

(Ilustração: TATO)

Franco Iacomini

O dinheiro de plástico finalmente venceu uma batalha na guerra contra os cheques pré-datados, a mais tradicional modalidade de venda a prazo no País. Pesquisa feita pela Credicard, administradora das bandeiras Mastercard, Diners e do cartão de débito Redeshop, mostrou que nos últimos quatro anos os cheques "para segurar" caíram de 40% do total das compras nos supermercados para 24%. No mesmo período, o uso de cartões cresceu 62,5%. A notícia pode marcar o início de uma virada. No primeiro ano de estabilidade do Plano Real, o total do comércio plastificado não passava de R$ 5,7 bilhões. Ano passado, chegou a R$ 37,9 bilhões. As administradoras agora apostam em novas armas, os cartões de débito (como o Redeshop e o Visa Elektron) para enterrar de vez os pré-datados. Até meados deste ano, elas pretendem lançar serviços que vão permitir aos seus clientes programar os pagamentos em datas futuras. Um pré-datado de plástico.

Ainda é cedo para saber se a iniciativa terá sucesso. A palavra final caberá aos comerciantes, e a briga se dará em torno de números. O que impede a maior popularização do dinheiro de plástico, hoje, é a taxa de administração. Pequenos estabelecimentos pagam até 5% do volume das compras para a administradora do cartão de crédito. É bem mais do que os 3% que eles pagam aos bancos para descontar cheques pré-datados. A taxa dos cartões de débito é mais baixa, mas a média ainda fica nos 2,5%. A previsão é que possa baixar até 0,75%. "As administradoras já estão fazendo concessões para os lojistas e abaixando as taxas", diz Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

No passado, o pré-datado servia como uma maneira de contornar a burocracia necessária para fazer compras a crédito. O lojista não analisava os dados do comprador antes de uma venda a prazo. Considerava que o cliente era bom porque, afinal, um banco havia confiado nele a ponto de dar-lhe um talão. O pré-datado era econômico para o comerciante, que não precisava criar um departamento específico para cuidar do crediário Para o cliente, a vantagem era clara: em um época de inflação alta como foram o final dos anos 80 e o início dos anos 90, adiar o pagamento de uma conta sempre era interessante.

Envie esta página para um amigo O Plano Real acabou com a mamata. Adiar pagamentos deixou de ser vantagem, ao mesmo tempo em que as novidades eletrônicas permitiam às administradoras de cartões reduzir custos de operação. Isso permitiu investir no cliente de renda mais baixa, o que antes seria antieconômico. "A tecnologia nos permitiu pensar em segmentos em que não entraríamos nunca há dez ou quinze anos", diz Fernando Castejon, diretor-executivo de Produtos e Serviços da Visa. Resta saber se, desta vez, esse consumidor aceitará trocar o papel pelo plástico.

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