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CONSTRUTOR
DE PIRÂMIDES
SEBASTIÃO
CAMARGO
O
rei dos empreiteiros conheceu todos os presidentes da segunda
metade do século e cresceu à sombra do governo, mas soube se adaptar
melhor que os rivais quando a fonte secou
| Foto:
DIVULGAÇÃO |
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FARAÓ
NOS TRÓPICOS
Camargo ficou impressionado com o que viu no Egito, mas nem
tanto: O que eu faço é mais útil |
Numa rara entrevista que deu no início da década,
o empreiteiro Sebastião Camargo (1909-1994) contou como
foi a primeira vez em que viu as pirâmides do Egito. Jovem
e cheio de energia, ele escalou todas e admirou-as como qualquer
turista, mas a conclusão que tirou foi surpreendente. Acho
uma obra monumental, como todo mundo acha, mas o que eu faço
é mais útil, disse. Camargo foi o maior dos
empreiteiros que cresceram à sombra do Estado brasileiro
nas últimas décadas. Ele fez estradas, túneis,
pontes, barragens. Usinas hidrelétricas, foram 18. A Ponte
Rio-Niterói é obra sua. Os túneis sob o Rio
Pinheiros, em São Paulo, também. Sua construtora,
a Camargo Corrêa, participou da construção
de Itaipu, do gasoduto Brasil-Bolívia, do metrô de
São Paulo e da usina nuclear Angra I.
Filho
de agricultores que saiu da escola depois do terceiro ano primário,
Camargo começou transportando terra numa carroça
puxada por burros em Jaú, no interior paulista. Abriu a
empresa em 1939, comprou o primeiro trator um ano depois e começou
a crescer com a construção de Brasília, quando
se aproximou do presidente Juscelino Kubitschek e fez boa parte
das estradas ao redor da nova capital. Camargo foi amigo de todos
os presidentes brasileiros da segunda metade do século,
e deu dinheiro para a campanha eleitoral de todos os políticos
que o ajudaram nos negócios. Tinha visão estratégica.
Nos últimos anos de sua vida, a crise do Estado fez definhar
a generosa fonte de recursos que alimentou o crescimento das grandes
empreiteiras, mas a Camargo Corrêa adaptou-se melhor aos
novos tempos do que a concorrência. Investiu em novos negócios,
mergulhou de cabeça nas privatizações e hoje
administra várias concessões de estradas e energia
elétrica.
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