29 de dezembro de 1999 - nº 122 
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CONSTRUTOR DE PIRÂMIDES
SEBASTIÃO CAMARGO
O rei dos empreiteiros conheceu todos os presidentes da segunda metade do século e cresceu à sombra do governo, mas soube se adaptar melhor que os rivais quando a fonte secou

Foto: DIVULGAÇÃO
FARAÓ NOS TRÓPICOS
Camargo ficou impressionado com o que viu no Egito, mas nem tanto: “O que eu faço é mais útil”

Numa rara entrevista que deu no início da década, o empreiteiro Sebastião Camargo (1909-1994) contou como foi a primeira vez em que viu as pirâmides do Egito. Jovem e cheio de energia, ele escalou todas e admirou-as como qualquer turista, mas a conclusão que tirou foi surpreendente. “Acho uma obra monumental, como todo mundo acha, mas o que eu faço é mais útil”, disse. Camargo foi o maior dos empreiteiros que cresceram à sombra do Estado brasileiro nas últimas décadas. Ele fez estradas, túneis, pontes, barragens. Usinas hidrelétricas, foram 18. A Ponte Rio-Niterói é obra sua. Os túneis sob o Rio Pinheiros, em São Paulo, também. Sua construtora, a Camargo Corrêa, participou da construção de Itaipu, do gasoduto Brasil-Bolívia, do metrô de São Paulo e da usina nuclear Angra I.

Envie esta página para um amigoFilho de agricultores que saiu da escola depois do terceiro ano primário, Camargo começou transportando terra numa carroça puxada por burros em Jaú, no interior paulista. Abriu a empresa em 1939, comprou o primeiro trator um ano depois e começou a crescer com a construção de Brasília, quando se aproximou do presidente Juscelino Kubitschek e fez boa parte das estradas ao redor da nova capital. Camargo foi amigo de todos os presidentes brasileiros da segunda metade do século, e deu dinheiro para a campanha eleitoral de todos os políticos que o ajudaram nos negócios. Tinha visão estratégica. Nos últimos anos de sua vida, a crise do Estado fez definhar a generosa fonte de recursos que alimentou o crescimento das grandes empreiteiras, mas a Camargo Corrêa adaptou-se melhor aos novos tempos do que a concorrência. Investiu em novos negócios, mergulhou de cabeça nas privatizações e hoje administra várias concessões de estradas e energia elétrica.

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