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IDEOLOGIA
DE CLASSE
ROBERTO
SIMONSEN
Na
pré-história da indústria, ele foi o seu porta-voz mais enfático
| Foto:
FIESP |
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HOMEM
DE IDÉIAS
A receita de Simonsen, com câmbio a favor e intervenção do
Estado, desagradava os fazendeiros |
No início do século, não era fácil
defender a indústria no Brasil. A economia era dominada
pelo café e os fazendeiros ditavam as regras na política
e nos negócios. As fábricas eram lugares primitivos,
onde mulheres e crianças trabalhavam até onze horas
por dia. Nesse ambiente, era natural que a pregação
de Roberto Simonsen (1889-1948) soasse irrealista. Na pré-história
da indústria brasileira, Simonsen foi seu porta-voz mais
enfático. Ele avaliava corretamente que a riqueza gerada
pelo café logo se tornaria insuficiente para fazer andar
o país. Achava que o Brasil tinha que se industrializar
para crescer, mas queria que o Estado se engajasse no projeto,
com planejamento estratégico e uma política tarifária
favorável aos empresários nacionais. Como os interesses
de industriais e fazendeiros nem sempre coincidiam, foi preciso
tempo para fazer valer essas idéias.
Simonsen
e outros pioneiros da indústria fundaram em 1928 o Centro
das Indústrias de São Paulo, embrião da Fiesp,
mas só uma década depois, durante o Estado Novo,
Getúlio Vargas decidiu se empenhar a fundo no projeto de
industrialização do país. No meio tempo,
Simonsen foi preso e passou uma temporada no exílio. Ele
via a indústria como fonte de progresso e solução
para todas as mazelas brasileiras. O consumo e a produção
trarão o engrandecimento do país, o bem-estar e
a tranquilidade da sua população, que poderá
resolver então todos os demais problemas nacionais,
disse uma vez. Filho de pai inglês e mãe descendente
de um mercenário escocês que lutou pela independência
do Brasil e do Chile, Simonsen teve infância de menino rico
e entrou cedo no mundo dos negócios. Começou com
uma construtora que fez fortuna erguendo quartéis para
o Exército, teve um frigorífico, lidou com cobre,
borracha e gado. Mas Simonsen não se deu tão bem
nos negócios como na política, e morreu com a maior
parte de suas empresas fechadas ou fora do controle de sua família.
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