29 de dezembro de 1999 - nº 122 
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IDEOLOGIA DE CLASSE
ROBERTO SIMONSEN
Na pré-história da indústria, ele foi o seu porta-voz mais enfático

Foto: FIESP
HOMEM DE IDÉIAS
A receita de Simonsen, com câmbio a favor e intervenção do Estado, desagradava os fazendeiros

No início do século, não era fácil defender a indústria no Brasil. A economia era dominada pelo café e os fazendeiros ditavam as regras na política e nos negócios. As fábricas eram lugares primitivos, onde mulheres e crianças trabalhavam até onze horas por dia. Nesse ambiente, era natural que a pregação de Roberto Simonsen (1889-1948) soasse irrealista. Na pré-história da indústria brasileira, Simonsen foi seu porta-voz mais enfático. Ele avaliava corretamente que a riqueza gerada pelo café logo se tornaria insuficiente para fazer andar o país. Achava que o Brasil tinha que se industrializar para crescer, mas queria que o Estado se engajasse no projeto, com planejamento estratégico e uma política tarifária favorável aos empresários nacionais. Como os interesses de industriais e fazendeiros nem sempre coincidiam, foi preciso tempo para fazer valer essas idéias.

Envie esta página para um amigoSimonsen e outros pioneiros da indústria fundaram em 1928 o Centro das Indústrias de São Paulo, embrião da Fiesp, mas só uma década depois, durante o Estado Novo, Getúlio Vargas decidiu se empenhar a fundo no projeto de industrialização do país. No meio tempo, Simonsen foi preso e passou uma temporada no exílio. Ele via a indústria como fonte de progresso e solução para todas as mazelas brasileiras. “O consumo e a produção trarão o engrandecimento do país, o bem-estar e a tranquilidade da sua população, que poderá resolver então todos os demais problemas nacionais”, disse uma vez. Filho de pai inglês e mãe descendente de um mercenário escocês que lutou pela independência do Brasil e do Chile, Simonsen teve infância de menino rico e entrou cedo no mundo dos negócios. Começou com uma construtora que fez fortuna erguendo quartéis para o Exército, teve um frigorífico, lidou com cobre, borracha e gado. Mas Simonsen não se deu tão bem nos negócios como na política, e morreu com a maior parte de suas empresas fechadas ou fora do controle de sua família.

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