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REI DO VAREJO
HERMAN
LUNDGREN
O
imigrante sueco que construiu a partir do Nordeste a maior rede
de lojas que o país conheceu até hoje
| Foto:
DIÁRIO DE PERNAMBUCO |
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O PATRIARCA
Lundgren foi para Recife, ao contrário da maioria dos
imigrantes, e não viveu para ver os herdeiros brigarem
pela sucessão |
Herman Theodor Lundgren (18XX-1907) deixou a Suécia em
1855. Passou dois meses no mar até aportar no Rio de Janeiro.
Como outros imigrantes de seu tempo, queria aventura e sonhava
em ficar rico. Mas preferiu ficar longe do Rio e de São
Paulo, ao contrário da maioria, e estabeleceu-se em Recife
por achar que lá teria menos concorrência. Alto,
loiro, olhos azuis e poliglota, logo arrumou trabalho no porto.
Servia de intérprete para os estrangeiros que chegavam
à cidade e tornou-se conhecido a ponto de virar cônsul
dos países nórdicos no Recife. Lundgren começou
a prosperar fazendo corretagem de navios. Acompanhava o movimento
de mercadorias importadas de uma posição privilegiada
e foi assim que encontrou sua primeira oportunidade de negócios.
Importada da Europa, a pólvora era muito cara no Brasil
e Lundgren fundou uma fábrica de explosivos, a Pernambuco
Powder. Usou uma frota de veleiros para distribuir o produto e
enriqueceu.
Na
virada do século, Lundgren assumiu o controle de uma tecelagem,
a Companhia de Tecidos Paulista, e usou a empresa como ponto de
partida para a construção de uma enorme rede de
varejo, a maior que o país já conheceu. Lundgren
percebeu logo que vários atravessadores encareciam seus
produtos e comiam seus lucros. Criou então as Lojas Paulista,
que passaram a se chamar Casas Pernambucanas depois da derrota
dos paulistas na Revolução de 1932. Em 1915, Lundgren
já tinha lojas em Porto Alegre, Florianópolis e
Teresina. A rede cresceu oferecendo produtos populares a preços
baixos, e tornou-se conhecida com propaganda. No interior, a empresa
fazia pichações em cercas e pedras na beira das
estradas. Na década de 70, as Pernambucanas tinham 800
lojas e 40 mil funcionários. Morto em 1907, Lundgren já
estava fora de cena quando os herdeiros começaram a brigar
e não assistiu à decadência da rede. Hoje,
as Pernambucanas têm 240 lojas em seis Estados.
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