29 de dezembro de 1999 - nº 122 
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REI DO VAREJO
HERMAN LUNDGREN
O imigrante sueco que construiu a partir do Nordeste a maior rede de lojas que o país conheceu até hoje

Foto: DIÁRIO DE PERNAMBUCO
O PATRIARCA
Lundgren foi para Recife, ao contrário da maioria dos imigrantes, e não viveu para ver os herdeiros brigarem pela sucessão

Herman Theodor Lundgren (18XX-1907) deixou a Suécia em 1855. Passou dois meses no mar até aportar no Rio de Janeiro. Como outros imigrantes de seu tempo, queria aventura e sonhava em ficar rico. Mas preferiu ficar longe do Rio e de São Paulo, ao contrário da maioria, e estabeleceu-se em Recife por achar que lá teria menos concorrência. Alto, loiro, olhos azuis e poliglota, logo arrumou trabalho no porto. Servia de intérprete para os estrangeiros que chegavam à cidade e tornou-se conhecido a ponto de virar cônsul dos países nórdicos no Recife. Lundgren começou a prosperar fazendo corretagem de navios. Acompanhava o movimento de mercadorias importadas de uma posição privilegiada e foi assim que encontrou sua primeira oportunidade de negócios. Importada da Europa, a pólvora era muito cara no Brasil e Lundgren fundou uma fábrica de explosivos, a Pernambuco Powder. Usou uma frota de veleiros para distribuir o produto e enriqueceu.

Envie esta página para um amigoNa virada do século, Lundgren assumiu o controle de uma tecelagem, a Companhia de Tecidos Paulista, e usou a empresa como ponto de partida para a construção de uma enorme rede de varejo, a maior que o país já conheceu. Lundgren percebeu logo que vários atravessadores encareciam seus produtos e comiam seus lucros. Criou então as Lojas Paulista, que passaram a se chamar Casas Pernambucanas depois da derrota dos paulistas na Revolução de 1932. Em 1915, Lundgren já tinha lojas em Porto Alegre, Florianópolis e Teresina. A rede cresceu oferecendo produtos populares a preços baixos, e tornou-se conhecida com propaganda. No interior, a empresa fazia pichações em cercas e pedras na beira das estradas. Na década de 70, as Pernambucanas tinham 800 lojas e 40 mil funcionários. Morto em 1907, Lundgren já estava fora de cena quando os herdeiros começaram a brigar e não assistiu à decadência da rede. Hoje, as Pernambucanas têm 240 lojas em seis Estados.

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