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FORÇA MOTORA
HENRY
FORD
Com
o carro, ele inventou a fábrica moderna e a indústria automobilística,
um dos grandes negócios do século
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GÊNIO
DETESTÁVEL
Inovador, mas mau administrador, Ford gostava mais do chão
da fábrica do que do escritório. Era também
um homem autoritário e racista |
O automóvel é um dos produtos mais populares do
século, mas no início pouca gente apostava nele.
Os primeiros carros eram muito caros, davam um defeito atrás
do outro e era difícil dirigi-los. Henry Ford (1863-1947)
mudou tudo isso. Com o carro, ele criou a fábrica moderna
e transformou a indústria automobilística em um
dos empreendimentos mais importantes do século. Ford convenceu
as pessoas de que precisavam do automóvel e lhes apresentou
um carro simples, fácil de usar, acessível. Lançado
em 1908 com o preço de US$ 850, o Modelo T foi um sucesso
instantâneo. Não era um carro para os ricos se exibirem
em passeios de fim de semana. Era feito para o homem comum usar
todos os dias. Nas quase duas décadas em que Ford produziu
o Modelo T, ele vendeu 15 milhões de automóveis.
Para conseguir isso, ele teve que virar pelo avesso a fábrica.
No início do século, carros eram produzidos de forma
quase artesanal pelos operários, um de cada vez. Ford inventou
a linha de montagem. Reorganizou a produção para
que mais automóveis pudessem ser feitos ao mesmo tempo,
dispondo as várias etapas da fabricação de
um carro ao longo de uma esteira rolante. Em 1909, a fábrica
de Ford produziu 14 mil automóveis. Cinco anos depois,
fez 230 mil. Sem a linha de montagem, teria sido impossível
produzir em massa os carros que os americanos estavam comprando.
Ela também provocou grandes transformações
no mundo do trabalho. Para os operários, o trabalho na
fábrica tornou-se repetitivo e extenuante. A linha de montagem
tinha velocidade própria e azar de quem não a acompanhasse.
Para segurar seu pessoal, Ford aumentou o salário dos operários.
Oferecendo US$ 5 por dia, o dobro do que a indústria pagava
na época, atraiu gente do país inteiro para trabalhar
com ele. O trabalho era simples, pagava bem e não exigia
nenhuma qualificação especial.
O nascimento da indústria automobilística e da
produção em massa também tiveram conseqüências
em outros campos. Ford fez os negócios se multiplicarem
ao redor de sua empresa. Em 1912, ele já tinha 7 mil revendedores
associados à Ford nos Estados Unidos. O crescimento das
vendas de automóveis estimulou o aparecimento de postos
de gasolina e a construção de estradas asfaltadas.
Com o avanço de Ford e de seus concorrentes, fornecedores
de peças, revendedores e oficinas de reparos se multiplicaram.
Houve também uma revolução nos costumes.
Com o carro, as pessoas puderam viajar mais. As cidades cresceram,
e elas podiam morar em bairros mais tranquilos, longe das áreas
centrais. Com o tempo, também surgiram a poluição,
o barulho, acidentes e congestionamentos. Mas poucos lembram hoje
de como a vida nas cidades era difícil antes do carro.
No início do século, os cavalos deixavam nas ruas
de Nova York mais de uma tonelada de esterco e mais de 200 mil
litros de urina por dia. Todo ano, era preciso remover 15 mil
cavalos mortos das ruas.
O
empresário que promoveu tantas transformações
no mundo dos negócios e na vida das pessoas foi também
um homem detestável. Era autoritário e cruel com
os empregados. Vivia cercado de capangas que espionavam os operários
na fábrica, livravam-se dos agitadores e mantinham o sindicato
do lado de fora dos portões. Era um racista, que não
gostava de judeus nem de negros e tinha amigos na Ku Klux Klan.
Nascido numa fazenda, Ford cresceu no ambiente rural e gostava
de montar e desmontar coisas quando criança. Tinha predileção
por relógios, e aos 13 anos conseguiu montar pela primeira
vez um que funcionava. Produziu o primeiro carro uma década
depois, um veículo que chamou de Quadriciclo e que só
saiu da garagem depois que ele destruiu uma parte da parede para
abrir caminho.
Ford era um homem de negócios intuitivo e genial, mas
era mau administrador. Gostava de andar pela fábrica e
passava muito pouco tempo no escritório. Não tinha
paciência para examinar balanços financeiros, detestava
banqueiros e mantinha enormes quantias de dinheiro no cofre para
não ter que tomá-lo emprestado dos bancos. Seu império
era quase auto-suficiente, mas era uma máquina pesada.
Ford tinha uma frota de navios, uma ferrovia, minas de carvão
e até uma fazenda na Amazônia para produzir borracha.
Uma vez deu US$ 1,5 milhão ao inventor Thomas Alva Edison,
seu amigo, para que criasse uma bateria elétrica para seus
carros. Como Edison não conseguiu produzir uma bateria
que funcionasse direito, foi dinheiro jogado fora. Ford também
não era muito bom em marketing. Durante 19 anos, ele produziu
apenas um tipo de carro, o Modelo T, todos iguais e pretos. Só
em 1927 achou que era hora de introduzir mudanças e lançou
o Modelo A. Era tarde. A concorrência estava prestes a ultrapassá-lo.
Em 1931, a General Motors virou a número 1 da indústria
automobilística e nunca mais abandonou o posto.
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