29 de dezembro de 1999 - nº 122 
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Poder de Estado
Nenhum empresário brasileiro teve influência maior na economia que a do Estado neste século

Ele mandou construir pontes e estradas, foi o primeiro a produzir aço em larga escala, até hoje é o único que extrai e refina petróleo. Também foi graças à sua iniciativa que surgiram as usinas que abastecem o País de energia e nasceram as redes de telefonia. Foi o Estado quem fez tudo isso no Brasil, ao contrário do que ocorreu em países como os Estados Unidos, onde o setor privado deu o primeiro passo. Nenhum empresário brasileiro deu neste século uma contribuição maior ou teve influência mais duradoura que a do Estado. Às vezes de forma errática e ineficaz, em outras com planejamento e método, o governo brasileiro se misturou com a economia e os negócios de maneira decisiva. “Excetuando as nações socialistas, em nenhum outro lugar o Estado tomou esse rumo de forma tão deliberada e importante”, diz o economista Celso Furtado.

Foi assim desde o início. No começo do século, quando 80% da economia brasileira era dominada pela agricultura cafeeira, o Estado manipulava os preços do café para ajudar os produtores e mexia no câmbio quando interessava aos pioneiros da indústria. Na década de 30, o esgotamento da economia agrícola lançou o Estado de cabeça no projeto de industrialização do País. Com Getúlio Vargas no poder, o serviço público tornou-se um grande empregador e surgiram as grandes indústrias de base do setor estatal, como a Companhia Siderúrgica Nacional e a mineradora Companhia Vale do Rio Doce. No fim dos anos 30, a industrialização do País tinha avançado bastante, mas o grande salto do Estado-empresário foi dado durante a década de 50.

Envie esta página para um amigoO governo agiu em três frentes. Primeiro, criou as grandes estatais da área de infra-estrutura, a Petrobras, a Telebras e a Eletrobras. Segundo, passou a financiar diretamente projetos de empresas brasileiras. Por fim, distribuiu incentivos para expandir a indústria de base e atrair multinacionais como as fábricas de automóveis, que trouxessem o que havia de melhor em matéria de tecnologia. “Sem essas políticas, a indústria e o País não teriam se desenvolvido como ocorreu”, diz o economista Wilson Cano. A economia brasileira acumulou taxas de crescimento estupendas durante boa parte do século, mas uma hora a farra acabou. Com o tempo, as estatais se revelaram caras e ineficientes, o Estado se endividou de maneira excessiva e a inflação fugiu ao controle. O modelo de desenvolvimento dependente do Estado-empresário teve que ser abandonado, o País entrou no aperto e até agora procura algo para colocar no lugar.

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