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Poder
de Estado
Nenhum
empresário brasileiro teve influência maior na economia que a
do Estado neste século
Ele mandou construir pontes e estradas, foi o primeiro a produzir
aço em larga escala, até hoje é o único
que extrai e refina petróleo. Também foi graças
à sua iniciativa que surgiram as usinas que abastecem o
País de energia e nasceram as redes de telefonia. Foi o
Estado quem fez tudo isso no Brasil, ao contrário do que
ocorreu em países como os Estados Unidos, onde o setor
privado deu o primeiro passo. Nenhum empresário brasileiro
deu neste século uma contribuição maior ou
teve influência mais duradoura que a do Estado. Às
vezes de forma errática e ineficaz, em outras com planejamento
e método, o governo brasileiro se misturou com a economia
e os negócios de maneira decisiva. Excetuando as
nações socialistas, em nenhum outro lugar o Estado
tomou esse rumo de forma tão deliberada e importante,
diz o economista Celso Furtado.
Foi assim desde o início. No começo do século,
quando 80% da economia brasileira era dominada pela agricultura
cafeeira, o Estado manipulava os preços do café
para ajudar os produtores e mexia no câmbio quando interessava
aos pioneiros da indústria. Na década de 30, o esgotamento
da economia agrícola lançou o Estado de cabeça
no projeto de industrialização do País. Com
Getúlio Vargas no poder, o serviço público
tornou-se um grande empregador e surgiram as grandes indústrias
de base do setor estatal, como a Companhia Siderúrgica
Nacional e a mineradora Companhia Vale do Rio Doce. No fim dos
anos 30, a industrialização do País tinha
avançado bastante, mas o grande salto do Estado-empresário
foi dado durante a década de 50.
O
governo agiu em três frentes. Primeiro, criou as grandes
estatais da área de infra-estrutura, a Petrobras, a Telebras
e a Eletrobras. Segundo, passou a financiar diretamente projetos
de empresas brasileiras. Por fim, distribuiu incentivos para expandir
a indústria de base e atrair multinacionais como as fábricas
de automóveis, que trouxessem o que havia de melhor em
matéria de tecnologia. Sem essas políticas,
a indústria e o País não teriam se desenvolvido
como ocorreu, diz o economista Wilson Cano. A economia brasileira
acumulou taxas de crescimento estupendas durante boa parte do
século, mas uma hora a farra acabou. Com o tempo, as estatais
se revelaram caras e ineficientes, o Estado se endividou de maneira
excessiva e a inflação fugiu ao controle. O modelo
de desenvolvimento dependente do Estado-empresário teve
que ser abandonado, o País entrou no aperto e até
agora procura algo para colocar no lugar.
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