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MÁRTIR DO
SERTÃO
DELMIRO
GOUVEIA
Ícone
nacionalista, o industrial começou com dinheiro dos americanos
| Foto:
DIÁRIO DE PERNAMBUCO |
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UM DÂNDI
Boêmio e mulherengo, Gouveia era também um homem viajado |
Delmiro Augusto da Cruz Gouveia (1863-1917) entrou nos livros
de história como pioneiro da industrialização
no Nordeste e uma espécie de mártir do empresariado
nacional. Industriais ingleses foram acusados de levar à
ruína os negócios de Gouveia, que no início
do século montou uma fábrica de linhas de algodão
no interior de Alagoas. São apontados até como mandantes
do assassinato do industrial, morto em 1917, num crime nunca esclarecido.
Mas a realidade é sempre mais complexa. Durante quatro
anos, Gouveia travou uma batalha feroz com a Machine Cottons,
uma empresa britânica que dominava o comércio de
linhas no Brasil, mas não estava sozinho. Gouveia teve
apoio de capitais norte-americanos em vários passos de
sua trajetória. Engenheiros estrangeiros ajudaram a erguer
a usina hidrelétrica que ele construiu na Cachoeira de
Paulo Afonso para pôr sua fábrica em movimento. Seus
sócios eram italianos. E mais de um governo estadual abençoou
seu empreendimento com isenções fiscais.
Gouveia
foi um personagem pitoresco. Boêmio e mulherengo, vestia-se
como um dândi e era um homem viajado, que conhecia a Europa
e os Estados Unidos. O comércio o tornou um dos homens
mais ricos de Pernambuco na virada do século. No início
associado a grandes firmas americanas, ele dominava o comércio
de peles de cabra e bode, usadas para fabricar vários artigos
populares na região. Seu crescimento provocou a ruína
dos concorrentes menores e rendeu a Gouveia vários desafetos
na elite pernambucana. Como resultado, o empresário quebrou
pouco antes de completar 40 anos de idade. Falido, com credores
e inimigos por toda parte, Gouveia raptou uma menina de 16 anos
de idade pela qual se apaixonara e fugiu com ela para Alagoas,
onde em pouco tempo pôs de pé sua fábrica
de linhas. Sua maior aventura estava apenas começando.
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