29 de dezembro de 1999 - nº 122 
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PREGÃO PARA AS MASSAS
CHARLES MERRILL
O banqueiro que levou a classe média a Wall Street via as bolsas como muito mais do que um cassino

ESPORTE NACIONAL
Das reuniões da Merrill Lynch nos anos 50 à euforia de hoje, o investimento em ações só cresceu nos Estados Unidos

Negociar ações é um esporte nacional nos Estados Unidos. Estima-se que uma em cada duas famílias americanas aplique suas economias nas bolsas de valores. Investidores passam horas em casa grudados em telas de computador, comprando e vendendo papéis. Parte dessa movimentação tem a ver com o crescimento da economia americana e a euforia criada pelas empresas de tecnologia e pela Internet. Há várias razões para o investimento nas bolsas ser tão popular nos Estados Unidos, mas ninguém contribuiu mais para isso do que o banqueiro Charles Merrill (1885-1956), fundador da Merrill Lynch, maior corretora do mundo. Nos anos 40, quando os Estados Unidos começaram a se curar da ressaca dos anos 30, Merrill lançou uma campanha massiva para popularizar as bolsas e democratizar o acesso ao maior mercado de capitais do mundo. Ele conseguiu. E ganhou um bom dinheiro com isso.

Envie esta página para um amigoMerrill estreou nos negócios antes da Primeira Guerra Mundial, quando o mundo das finanças era dominado por especuladores sem escrúpulos e corretores gananciosos e as pessoas passavam longe de Wall Street. Merrill via as ações como investimento de longo prazo, não como um meio de fazer dinheiro fácil e rápido. Meses antes da quebra da Bolsa de Nova York em 1929, achou que a farra da especulação já tinha ido longe demais e vendeu tudo, salvando a própria carteira e a de muitos clientes também. Voltou à tona uma década depois e promoveu uma revolução na Merrill Lynch. Para explicar o funcionamento do mercado e atrair clientes, publicou anúncios em jornais e revistas, fez reuniões em associações, mandou os corretores bater de porta em porta para convencer as pessoas e reduziu as taxas cobradas dos pequenos investidores. No fim da Segunda Guerra Mundial, já controlava 10% dos negócios na Bolsa de Nova York.

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