29 de dezembro de 1999 - nº 122 
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FORÇA DO INTERIOR
ATTILIO FONTANA
O comerciante que transformou um frigorífico falido na Sadia, uma das mais bem-sucedidas empresas brasileiras

Foto: DIVULGAÇÃO
RECEITA SIMPLES
Quando lhe pediam as razões do sucesso da Sadia, a resposta de Fontana era banal: “Qualidade dos produtos e respeito aos parceiros”

Um moinho de trigo, um abatedouro de suínos em obras e uns poucos funcionários era tudo o que havia no início da Sadia. Criada em 1944 por 27 sócios liderados por Attilio Fontana (1900-1989) em Concórdia, no interior de Santa Catarina, a empresa foi longe. Hoje, é o maior grupo nacional no setor alimentício. Faturou US$ 2,2 bilhões no ano passado, emprega 24 mil pessoas e vende seus produtos em vários países. Não foi fácil. No início, a empresa ficava a 40 quilômetros de distância da estação ferroviária mais próxima, e a viagem até lá costumava levar horas por causa das estradas precárias. São Paulo e Rio de Janeiro, os dois principais centros consumidores do País, ficavam mais longe ainda. Não havia telefone nem telégrafo em Concórdia.

Filho de colonos italianos que mal completou o primário, nascido e criado no ambiente rural, Fontana era um sujeito audacioso. Perdeu cedo o pai e o irmão mais velho, e nos anos 20 entrou no mundo dos negócios como comerciante. Foi até São Paulo e fechou um contrato de fornecimento de alfafa com uma família paulistana. Com o lucro da operação, abriu um hotel em Bom Retiro do Cruzeiro, uma cidadezinha catarinense que hoje se chama Joaçaba. O hotel logo se transformou em casa comercial. Os bons contatos estabelecidos por Fontana em São Paulo e no Paraná fizeram-no comandar uma lucrativa rota de mercadorias a partir de sua região.

Envie esta página para um amigoFontana tornou-se um comerciante influente e logo começou a se dividir entre os negócios e a política. Foi misturando um pouco as duas coisas que criou a Sadia. Preocupado com a situação financeira ruim de um frigorífico da cidade, o prefeito de Concórdia chamou Fontana para ajudá-lo no início da década de 40. Atraído pelo potencial da região, que estava crescendo, o empresário assumiu a direção do frigorífico e em dois anos transformou-o na Sadia. Em 1950, Fontana elegeu-se prefeito de Concórdia. Durante seu mandato, deu prioridade para obras de infra-estrutura, saúde e educação. “O governo que não constrói escolas acaba construindo cadeias”, dizia. Sua carreira política chegou ao auge na década de 70, quando foi vice-governador de Santa Catarina. Mas sua grande obra foi a Sadia. Quando lhe pediam a receita para o sucesso da empresa, tudo que conseguia soltar era uma resposta meio sem graça: “Qualidade de nossos produtos e respeito aos parceiros.”

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