29 de dezembro de 1999 - nº 122 
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BANQUEIRO DO BRASIL
AMADOR AGUIAR
O fundador do Bradesco fez o primeiro banco de varejo do país e mudou o sistema financeiro

Foto: PRENSA TRÊS
NA LINHA DE FRENTE
O Bradesco nasceu num pequeno prédio em Marília, no interior paulista (à esquerda). A revolução começou quando Aguiar mandou os gerentes para a porta das agências

A maioria das pessoas que têm conta em banco está acostumada a ser paparicada pelos gerentes e dispõe de tantas facilidades que pode passar semanas, meses sem por os pés na agência. Nem sempre foi assim. Na década de 40, quando Amador Aguiar (1904-1991) fundou o Bradesco, banco era coisa de magnata. Os financistas da época em geral tinham uma visão elitista do negócio e só se interessavam pelo dinheiro dos fazendeiros e dos grandes industriais. O Bradesco mudou tudo. Foi o primeiro banco brasileiro a investir no varejo. Os gerentes, que antes se escondiam em suas salas, foram enviados para a frente das agências. Em vez de devolver cheques preenchidos de forma errada, o banco chamava os clientes para ensiná-los a usar o talão direito. O Bradesco foi o primeiro a aceitar o pagamento de contas de luz, o primeiro a receber declarações de Imposto de Renda e o primeiro a usar computadores em larga escala.

Envie esta página para um amigoAo contrário da maioria de seus concorrentes, Aguiar começou de baixo. Menino pobre que fugiu de casa aos 16 anos, ele trabalhou como contínuo e tipógrafo e parou de estudar antes de concluir o primário. O fundador do maior banco privado da América Latina era um sujeito simples, que levou seu estilo de vida para dentro do banco. Por muito tempo funcionários que quisessem subir tiveram de assinar uma “declaração de princípios” concordando com as idéias do chefe. Até hoje o Bradesco é dirigido por executivos que começaram a trabalhar em funções modestas nas agências do banco e deram duro para chegar ao topo. Aguiar costumava ser aborrecido quando falava de si mesmo para estranhos. Quando o assunto era seu negócio, ou sua receita para lucrar no mundo das finanças, ele era maroto: “Nunca empreste muito a poucos, e sim pouco a muitos.”

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