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BANQUEIRO
DO BRASIL
AMADOR
AGUIAR
O
fundador do Bradesco fez o primeiro banco de varejo do país e
mudou o sistema financeiro
| Foto:
PRENSA TRÊS |
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NA LINHA
DE FRENTE
O Bradesco nasceu num pequeno prédio em Marília, no interior
paulista (à esquerda). A revolução começou quando Aguiar mandou
os gerentes para a porta das agências |
A maioria das pessoas que têm conta em banco está
acostumada a ser paparicada pelos gerentes e dispõe de
tantas facilidades que pode passar semanas, meses sem por os pés
na agência. Nem sempre foi assim. Na década de 40,
quando Amador Aguiar (1904-1991) fundou o Bradesco, banco era
coisa de magnata. Os financistas da época em geral tinham
uma visão elitista do negócio e só se interessavam
pelo dinheiro dos fazendeiros e dos grandes industriais. O Bradesco
mudou tudo. Foi o primeiro banco brasileiro a investir no varejo.
Os gerentes, que antes se escondiam em suas salas, foram enviados
para a frente das agências. Em vez de devolver cheques preenchidos
de forma errada, o banco chamava os clientes para ensiná-los
a usar o talão direito. O Bradesco foi o primeiro a aceitar
o pagamento de contas de luz, o primeiro a receber declarações
de Imposto de Renda e o primeiro a usar computadores em larga
escala.
Ao
contrário da maioria de seus concorrentes, Aguiar começou
de baixo. Menino pobre que fugiu de casa aos 16 anos, ele trabalhou
como contínuo e tipógrafo e parou de estudar antes
de concluir o primário. O fundador do maior banco privado
da América Latina era um sujeito simples, que levou seu
estilo de vida para dentro do banco. Por muito tempo funcionários
que quisessem subir tiveram de assinar uma declaração
de princípios concordando com as idéias do
chefe. Até hoje o Bradesco é dirigido por executivos
que começaram a trabalhar em funções modestas
nas agências do banco e deram duro para chegar ao topo.
Aguiar costumava ser aborrecido quando falava de si mesmo para
estranhos. Quando o assunto era seu negócio, ou sua receita
para lucrar no mundo das finanças, ele era maroto: Nunca
empreste muito a poucos, e sim pouco a muitos.
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