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EMBAIXADOR
DO JAPÃO
AKIO
MORITA
Com
uma coleção de produtos revolucionários, o criador da Sony conquistou
o Ocidente e reergueu a imagem de seu país
| Foto:
AP |
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PARÁBOLA
PERFEITA
Numa repetição da história do Japão, Morita surgiu no pós-guerra
e saiu de cena com a recessão dos anos 90 |
A trajetória de Akio Morita (1921-1999) é uma parábola
perfeita da história do Japão neste século.
Sua carreira nasceu das cinzas do pós-guerra, cresceu quando
as empresas japonesas pareciam prestes a dominar o mundo e terminou
na hora em que o Japão afundava na pior recessão
econômica de sua história. Morita foi um dos principais
responsáveis pela reinvenção do Japão
nas últimas décadas. Ao morrer em outubro, com 78
anos de idade, ele havia realizado uma obra espantosa. A Sony
fatura hoje perto de US$ 60 bilhões, em negócios
que vão da produção de eletroeletrônicos
à venda de seguros. No início, em 1946, havia apenas
Morita, US$ 500 doados por seu pai, e seu amigo e sócio
Masaru Ibuka. Morita abandonou o futuro seguro que tinha à
frente dos negócios da família, que produzia saquê
havia várias gerações, para se arriscar num
ramo em que o Japão parecia destinado ao fracasso, o da
eletrônica. A história mostrou que ele não
poderia ter feito aposta melhor.
Morita
deu uma enorme contribuição para renovar a imagem
do Japão. Nos anos que se seguiram à derrota na
Segunda Guerra Mundial, os japoneses eram vistos como um povo
atrasado, incapaz de fabricar produtos confiáveis ou competir
com o Ocidente. Ninguém mais pensa assim hoje, e Morita
tem tudo a ver com isso. Seus produtos fazem parte do cotidiano
de milhões de pessoas no mundo inteiro. Nasceram na Sony
o rádio de bolso, o videocassete, o walkman, o CD player.
Tudo resultado da união da criatividade do engenheiro Ibuka
com o talento de vendedor de Morita. O criador da Sony foi um
gênio do marketing, e o primeiro entre os japoneses a perceber
que teria de se voltar para os Estados Unidos se quisesse crescer.
Muito do fascínio exercido por Morita se deve à
maneira como ele conquistou o Ocidente. Para vender a imagem da
Sony e de seu país, ele mudou-se com a família para
os Estados Unidos, aprendeu a falar inglês e agir como um
homem de negócios ocidental. Virou um embaixador informal
da economia japonesa, e um símbolo da arrancada do Japão
nos anos 80. Em 1993, quando um derrame o levou à aposentadoria
forçada, a festa já tinha acabado e o Japão
estava mergulhado na recessão. Morita foi internado no
dia em que seria anunciada sua nomeação para a presidência
da mais importante associação empresarial do Japão.
Muitos achavam que ele poderia ajudar o país a sair do
buraco e até hoje procuram um substituto à altura.
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