29 de dezembro de 1999 - nº 122 
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EMBAIXADOR DO JAPÃO
AKIO MORITA
Com uma coleção de produtos revolucionários, o criador da Sony conquistou o Ocidente e reergueu a imagem de seu país

Foto: AP
PARÁBOLA PERFEITA
Numa repetição da história do Japão, Morita surgiu no pós-guerra e saiu de cena com a recessão dos anos 90

A trajetória de Akio Morita (1921-1999) é uma parábola perfeita da história do Japão neste século. Sua carreira nasceu das cinzas do pós-guerra, cresceu quando as empresas japonesas pareciam prestes a dominar o mundo e terminou na hora em que o Japão afundava na pior recessão econômica de sua história. Morita foi um dos principais responsáveis pela reinvenção do Japão nas últimas décadas. Ao morrer em outubro, com 78 anos de idade, ele havia realizado uma obra espantosa. A Sony fatura hoje perto de US$ 60 bilhões, em negócios que vão da produção de eletroeletrônicos à venda de seguros. No início, em 1946, havia apenas Morita, US$ 500 doados por seu pai, e seu amigo e sócio Masaru Ibuka. Morita abandonou o futuro seguro que tinha à frente dos negócios da família, que produzia saquê havia várias gerações, para se arriscar num ramo em que o Japão parecia destinado ao fracasso, o da eletrônica. A história mostrou que ele não poderia ter feito aposta melhor.

Envie esta página para um amigoMorita deu uma enorme contribuição para renovar a imagem do Japão. Nos anos que se seguiram à derrota na Segunda Guerra Mundial, os japoneses eram vistos como um povo atrasado, incapaz de fabricar produtos confiáveis ou competir com o Ocidente. Ninguém mais pensa assim hoje, e Morita tem tudo a ver com isso. Seus produtos fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas no mundo inteiro. Nasceram na Sony o rádio de bolso, o videocassete, o walkman, o CD player. Tudo resultado da união da criatividade do engenheiro Ibuka com o talento de vendedor de Morita. O criador da Sony foi um gênio do marketing, e o primeiro entre os japoneses a perceber que teria de se voltar para os Estados Unidos se quisesse crescer. Muito do fascínio exercido por Morita se deve à maneira como ele conquistou o Ocidente. Para vender a imagem da Sony e de seu país, ele mudou-se com a família para os Estados Unidos, aprendeu a falar inglês e agir como um homem de negócios ocidental. Virou um embaixador informal da economia japonesa, e um símbolo da arrancada do Japão nos anos 80. Em 1993, quando um derrame o levou à aposentadoria forçada, a festa já tinha acabado e o Japão estava mergulhado na recessão. Morita foi internado no dia em que seria anunciada sua nomeação para a presidência da mais importante associação empresarial do Japão. Muitos achavam que ele poderia ajudar o país a sair do buraco e até hoje procuram um substituto à altura.

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