24 de novembro de 1999 - nº 117 










AÇÕES
Clubes rentáveis da bolsa
Mergulhe em um investimento entre amigos

Luiz Antonio Cintra

(Foto: CALÉ )

Família unida: André Zylberberg (segundo da esq. para dir.) com esposa, pais, irmão e cunhado

Atenção, administradores de fundos: tem investidor amador dando baile em profissionais experientes do mercado financeiro. Fazendo uso da figura jurídica do clube de investimento, esses investidores unem esforços e dinheiro, tomam rédea da administração de seus recursos e conseguem muitas vezes bater a rentabilidade dos fundos de ações disponíveis no mercado. Somente na bolsa de São Paulo, são atualmente 172 clubes, responsáveis pela gestão de R$ 166 milhões. Mais barata e menos burocrática que um fundo, a opção de aplicar por meio de um clube de investimento representa ainda uma vantagem fiscal: paga-se a famigerada CPMF somente na hora de entrar no clube - e não a cada vez que se troca de papel, como ocorre na administração de uma carteira de ações individual. Ou seja, a tributação é semelhante à de um fundo de ações, mas quem dá as ordens de compra e de venda, e escolhe os papéis que farão parte do portfólio, são os membros do clube.

O primeiro passo para criar um clube de investimento é reunir um grupo de amigos ou de familiares dispostos a investir em ações. As bolsas de valores fazem duas exigências: o número mínimo de participantes tem de ser de três pessoas (no máximo, 150) e, como qualquer outro investidor, é preciso uma corretora para a custódia e administração dos papéis. Mas isso não significa perda de autonomia para os participantes. “Cada clube cria o seu próprio estatuto. Ali estará escrito como será a gestão do clube, quem será o representante legal junto à corretora”, diz Marcos de Almeida Figueiredo, gestor autônomo na corretora paulistana Socopa. Ele faz uma ressalva importantíssima: “O representante do clube ocupa uma posição fundamental, tem de ser alguém de absoluta confiança do grupo”, diz Figueiredo. Geralmente, o escolhido costuma ter mais experiência em mercado financeiro, com sangue-frio para suportar os altos e baixos das ações. A abertura de um clube implica arcar com alguns custos, já que é necessário um CGC específico e registro em bolsa. A prática do mercado é embutir os gastos em uma taxa de administração, cobrada mensalmente, que costuma chegar a 1% ao ano do valor administrado. Mas vale lembrar que, quanto menor o patrimônio do clube, maior será a taxa.

Algumas corretoras, entretanto, criam clubes de investimento abertos, nos quais qualquer cliente pode entrar. Nesses casos, a gestão fica a cargo exclusivamente da corretora e tudo se passa como se o investidor estivesse aplicando em um fundo de ações. Na Hedging-Griffo, o clube de investimento Strategy exige uma aplicação mínima de R$ 20 mil. “Mas quem pensa em entrar em um clube deve estar consciente de que se trata de um investimento de longo prazo”, diz Dan Cohen, estrategista de renda variável da Hedging-Griffo.

Envie esta página para um amigoAlguns profissionais do mercado financeiro acabam atraindo “leigos”, mesmo que eles não tenham a menor idéia do que seja uma ação ordinária. É esse o caso do economista carioca André Zylberberg, que há oito anos atua no mercado financeiro e atualmente é sócio da administradora de recursos Paradigma. Zylberberg está à frente de um clube do qual fazem parte seus pais, sua irmã e sua esposa. “Às vezes troco algumas idéias com meu pai, que conhece mais do funcionamento da bolsa. Mas, no dia-a-dia, quem decide sou eu”, diz o economista. Criado em março de 98, o clube concentra seus investimentos no setor de telecomunicações. Até o final de outubro, acumulou a respeitável rentabilidade de 65,5% no ano. No mesmo período, os fundos de ações carteira livre, administrados por corretoras e bancos, renderam em média 32%.

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