AÇÕES
Clubes
rentáveis da bolsa
Mergulhe em um
investimento entre amigos
Luiz Antonio Cintra
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(Foto:
CALÉ )
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Família
unida: André Zylberberg (segundo da esq. para dir.) com esposa,
pais, irmão e cunhado |
Atenção, administradores de fundos: tem investidor
amador dando baile em profissionais experientes do mercado financeiro.
Fazendo uso da figura jurídica do clube de investimento,
esses investidores unem esforços e dinheiro, tomam rédea
da administração de seus recursos e conseguem muitas
vezes bater a rentabilidade dos fundos de ações
disponíveis no mercado. Somente na bolsa de São
Paulo, são atualmente 172 clubes, responsáveis pela
gestão de R$ 166 milhões. Mais barata e menos burocrática
que um fundo, a opção de aplicar por meio de um
clube de investimento representa ainda uma vantagem fiscal: paga-se
a famigerada CPMF somente na hora de entrar no clube - e não
a cada vez que se troca de papel, como ocorre na administração
de uma carteira de ações individual. Ou seja, a
tributação é semelhante à de um fundo
de ações, mas quem dá as ordens de compra
e de venda, e escolhe os papéis que farão parte
do portfólio, são os membros do clube.
O primeiro passo para criar um clube de investimento é
reunir um grupo de amigos ou de familiares dispostos a investir
em ações. As bolsas de valores fazem duas exigências:
o número mínimo de participantes tem de ser de três
pessoas (no máximo, 150) e, como qualquer outro investidor,
é preciso uma corretora para a custódia e administração
dos papéis. Mas isso não significa perda de autonomia
para os participantes. Cada clube cria o seu próprio
estatuto. Ali estará escrito como será a gestão
do clube, quem será o representante legal junto à
corretora, diz Marcos de Almeida Figueiredo, gestor autônomo
na corretora paulistana Socopa. Ele faz uma ressalva importantíssima:
O representante do clube ocupa uma posição
fundamental, tem de ser alguém de absoluta confiança
do grupo, diz Figueiredo. Geralmente, o escolhido costuma
ter mais experiência em mercado financeiro, com sangue-frio
para suportar os altos e baixos das ações. A abertura
de um clube implica arcar com alguns custos, já que é
necessário um CGC específico e registro em bolsa.
A prática do mercado é embutir os gastos em uma
taxa de administração, cobrada mensalmente, que
costuma chegar a 1% ao ano do valor administrado. Mas vale lembrar
que, quanto menor o patrimônio do clube, maior será
a taxa.
Algumas corretoras, entretanto, criam clubes de investimento
abertos, nos quais qualquer cliente pode entrar. Nesses casos,
a gestão fica a cargo exclusivamente da corretora e tudo
se passa como se o investidor estivesse aplicando em um fundo
de ações. Na Hedging-Griffo, o clube de investimento
Strategy exige uma aplicação mínima de R$
20 mil. Mas quem pensa em entrar em um clube deve estar
consciente de que se trata de um investimento de longo prazo,
diz Dan Cohen, estrategista de renda variável da Hedging-Griffo.
Alguns
profissionais do mercado financeiro acabam atraindo leigos,
mesmo que eles não tenham a menor idéia do que seja
uma ação ordinária. É esse o caso
do economista carioca André Zylberberg, que há oito
anos atua no mercado financeiro e atualmente é sócio
da administradora de recursos Paradigma. Zylberberg está
à frente de um clube do qual fazem parte seus pais, sua
irmã e sua esposa. Às vezes troco algumas
idéias com meu pai, que conhece mais do funcionamento da
bolsa. Mas, no dia-a-dia, quem decide sou eu, diz o economista.
Criado em março de 98, o clube concentra seus investimentos
no setor de telecomunicações. Até o final
de outubro, acumulou a respeitável rentabilidade de 65,5%
no ano. No mesmo período, os fundos de ações
carteira livre, administrados por corretoras e bancos, renderam
em média 32%.
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