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Dinheiro da
Redação
Pacto,
de novo?
Carlos José Marques
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Uma velha lorota correu solta em discursos oficiais na semana
passada. A de que um pacto - unindo empresários, trabalhadores
e governo - seria necessário para barrar a ressurreição
inflacionária. Pacto! Por enésimas vezes governos
recorreram à proposta, sem que do papel saísse uma
única ação concreta. Pacto virou vacina para
acalmar a turba em períodos grevistas. Pacto só
foi pedido e acionado quando estatais completaram o realinhamento
tarifário periódico a que estavam acostumadas. Produtos
e serviços continuaram a aumentar indiscriminadamente,
ignorando pactos, e a espiral inflacionária tomou forma.
Hoje, o ambiente em que se volta a falar de pacto tem, de novo,
a inflação repicando via tarifas públicas
generosamente majoradas - e, de quebra, dólar desvairado.
A bandeira do pacto moderno restabelece, como no passado, que
trabalhadores deveriam resistir à tentação
de reajustes salariais enquanto empresários garantiriam
preços, para não comprometer a meta de inflação.
Resposta sensata foi dada pelo sindicalista Luiz Marinho, que
sugeriu ao governo primeiro fazer a sua parte, acenar com medidas
para a retomada do crescimento, alargamento do mercado de trabalho,
juros civilizados. A inflação atual possui efetiva
diferença da antiga, para o bem e para o mal. Para o bem:
por não ser uma inflação de demanda, mas
de custo - onde o aumento da virada do dólar e dos juros
asfixiantes comprometeram seriamente a produção
-, o atual fenômeno permite e até reforça
a necessidade de o governo buscar medidas incentivadoras do crescimento.
A meta de 4% para o ano 2000 é a melhor terapia em uma
economia que já vem de anos com o PIB arrastado. Para o
mal: a inflação que está aí demonstra,
cristalinamente, que todo o aperto enfrentado em prol da estabilidade
da moeda e dos preços foi outro conto da carochinha. Daqui
para a frente, qualquer remédio recessivo, na direção
de juros altos, aperto de crédito e que tais levará,
decerto, ao colapso produtivo e, por tabela, social. Quem não
aprendeu ameaça, de novo, com juros altos. Quem usar de
sensatez vai buscar o desenvolvimento. Já não é
sem tempo.
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