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INTERNET
Terra
faz estréia bilionária
Seu
valor de mercado triplica para US$ 10 bilhões
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(Foto:PITI
REALI )
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PULOS DE
ALEGRIA: Lacerda viu de perto a alta de 185% das ações da
Terra Network |
Passava das 7h da noite e Sílvia de Jesus, diretora-executiva
do ZAZ, não tirava os olhos do computador. "Será
que já fechou?", indagava com ansiedade, na última
quarta-feira 17, no escritório paulista da provedora de
acesso à Internet. Enquanto isso, em Nova York, Marcelo
Lacerda, diretor de Novos Negócios do ZAZ, observava a
mesma tela com igual ansiedade. Ambos acompanhavam, no site da
Nasdaq - a bolsa de valores virtual dos Estados Unidos -, a incrível
valorização das ações da Terra Networks,
a holding européia que controla o ZAZ e tem 70% do capital
nas mãos da espanhola Telefónica. Lançadas
ao público na véspera por US$ 13,40, as ações
da empresa já tinham triplicado de valor, fechando a US$
38,25 - alta de 185% no primeiro dia de negociação.
Durante o pregão eletrônico, a cotação
chegou a US$ 54,12, para deleite de Sílvia e dos demais
funcionários do ZAZ que, como ela, têm direito a
receber parte da remuneração anual em ações
da empresa (uma regalia chamada de stock options). "Pulamos
de alegria", diz a executiva.
A operação de abertura de capital, feita em Madri
e em Nova York, fez da Terra Networks a maior empresa de Internet
da Europa: o valor de mercado pulou de US$ 3,75 bilhões
na estréia para US$ 10,6 bilhões, superando a inglesa
Freeserve Plc. Só na Espanha as ordens de compra dos investidores
superaram em 30 vezes o volume de ações ofertadas.
Com isso, Lacerda, Sílvia e o diretor e Novas Tecnologias,
Sérgio Preto, entraram para o time dos executivos que estão
fazendo fortunas com ações de empresas de tecnologia.
A Terra Networks separou 5% de suas ações para premiar
os funcionários das empresas controladas com stock options.
Com a venda de 25% da empresa no mercado acionário e a
conseqüente valorização, as opções
de compra de ações no futuro - ao preço do
lançamento - viraram ouro puro.
A criação de riquezas instantâneas com empresas
que não dão lucro tem sido uma regra no setor de
informática. Nem todas as companhias, contudo, mantêm
o fôlego inicial na bolsa. A StarMedia Network, de Nova
York, não conseguiu sustentar as explosivas cotações
de seus papéis. Eles foram lançados a US$ 15 em
maio passado, chegaram a US$ 70 em julho e cederam para a casa
dos US$ 35 neste mês. Os executivos do ZAZ torcem para que
suas ações continuem na estratosfera - e têm
boas razões para acreditar nisso. O potencial de crescimento
dos negócios na Internet é imenso. Na América
Latina, região em que a Terra Networks tem sua maior clientela,
o número de internautas deve pular de 7 milhões
para 12 milhões até 2002. No Brasil, o ZAZ tem 340
mil usuários e não pára de crescer, em que
pese a dura concorrência do Universo On Line (UOL) e, mais
recentemente, da America Online (AOL). "Vamos duplicar nossa
base de assinantes no ano que vem", diz Sílvia.
A
globalização de suas operações é
o ponto forte da empresa. O ZAZ é a porta local da Terra.com,
site que reúne provedores de acesso de seis países
(Argentina, Brasil, Chile, Guatemala, México e Peru), além
da Espanha. O lançamento do megaportal foi feito no final
de outubro, com números que impressionaram os investidores:
mais de 800 mil clientes, 18 milhões de visitas mensais
e 300 milhões de páginas abertas por mês.
A companhia só deve dar lucro daqui a três anos,
o que não a impediu de captar US$ 500 milhões nas
bolsas para financiar investimentos na compra de provedores na
América Latina. Sinal de que a febre do cyberspace nos
pregões está apenas começando.
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