24 de novembro de 1999 - nº 117 

A Guerra dos anões
Vira vira na RTP
Internet à mineira
Nova rota do lucro de Cabral

Santos desembarca no futuro

Pokemón invade o planeta

A regente do Mozarteum

Reduto de mulher bonita

A nova trilha de Duda

Esteé Lauder vem às compras no Brasil

Quem constrói o mosáico?

A máquina de idéias da Citroën
Terra faz estréia bilionária
A fraude das margarinas







INTERNET
Terra faz estréia bilionária
Seu valor de mercado triplica para US$ 10 bilhões

(Foto:PITI REALI )

PULOS DE ALEGRIA: Lacerda viu de perto a alta de 185% das ações da Terra Network

Passava das 7h da noite e Sílvia de Jesus, diretora-executiva do ZAZ, não tirava os olhos do computador. "Será que já fechou?", indagava com ansiedade, na última quarta-feira 17, no escritório paulista da provedora de acesso à Internet. Enquanto isso, em Nova York, Marcelo Lacerda, diretor de Novos Negócios do ZAZ, observava a mesma tela com igual ansiedade. Ambos acompanhavam, no site da Nasdaq - a bolsa de valores virtual dos Estados Unidos -, a incrível valorização das ações da Terra Networks, a holding européia que controla o ZAZ e tem 70% do capital nas mãos da espanhola Telefónica. Lançadas ao público na véspera por US$ 13,40, as ações da empresa já tinham triplicado de valor, fechando a US$ 38,25 - alta de 185% no primeiro dia de negociação. Durante o pregão eletrônico, a cotação chegou a US$ 54,12, para deleite de Sílvia e dos demais funcionários do ZAZ que, como ela, têm direito a receber parte da remuneração anual em ações da empresa (uma regalia chamada de stock options). "Pulamos de alegria", diz a executiva.

A operação de abertura de capital, feita em Madri e em Nova York, fez da Terra Networks a maior empresa de Internet da Europa: o valor de mercado pulou de US$ 3,75 bilhões na estréia para US$ 10,6 bilhões, superando a inglesa Freeserve Plc. Só na Espanha as ordens de compra dos investidores superaram em 30 vezes o volume de ações ofertadas. Com isso, Lacerda, Sílvia e o diretor e Novas Tecnologias, Sérgio Preto, entraram para o time dos executivos que estão fazendo fortunas com ações de empresas de tecnologia. A Terra Networks separou 5% de suas ações para premiar os funcionários das empresas controladas com stock options. Com a venda de 25% da empresa no mercado acionário e a conseqüente valorização, as opções de compra de ações no futuro - ao preço do lançamento - viraram ouro puro.

A criação de riquezas instantâneas com empresas que não dão lucro tem sido uma regra no setor de informática. Nem todas as companhias, contudo, mantêm o fôlego inicial na bolsa. A StarMedia Network, de Nova York, não conseguiu sustentar as explosivas cotações de seus papéis. Eles foram lançados a US$ 15 em maio passado, chegaram a US$ 70 em julho e cederam para a casa dos US$ 35 neste mês. Os executivos do ZAZ torcem para que suas ações continuem na estratosfera - e têm boas razões para acreditar nisso. O potencial de crescimento dos negócios na Internet é imenso. Na América Latina, região em que a Terra Networks tem sua maior clientela, o número de internautas deve pular de 7 milhões para 12 milhões até 2002. No Brasil, o ZAZ tem 340 mil usuários e não pára de crescer, em que pese a dura concorrência do Universo On Line (UOL) e, mais recentemente, da America Online (AOL). "Vamos duplicar nossa base de assinantes no ano que vem", diz Sílvia.

Envie esta página para um amigoA globalização de suas operações é o ponto forte da empresa. O ZAZ é a porta local da Terra.com, site que reúne provedores de acesso de seis países (Argentina, Brasil, Chile, Guatemala, México e Peru), além da Espanha. O lançamento do megaportal foi feito no final de outubro, com números que impressionaram os investidores: mais de 800 mil clientes, 18 milhões de visitas mensais e 300 milhões de páginas abertas por mês. A companhia só deve dar lucro daqui a três anos, o que não a impediu de captar US$ 500 milhões nas bolsas para financiar investimentos na compra de provedores na América Latina. Sinal de que a febre do cyberspace nos pregões está apenas começando.

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