24 de novembro de 1999 - nº 117 

A Guerra dos anões
Vira vira na RTP
Internet à mineira
Nova rota do lucro de Cabral

Santos desembarca no futuro

Pokemón invade o planeta

A regente do Mozarteum

Reduto de mulher bonita

A nova trilha de Duda

Esteé Lauder vem às compras no Brasil

Quem constrói o mosáico?

A máquina de idéias da Citroën
Terra faz estréia bilionária
A fraude das margarinas







TELEVISÃO
Vira-vira na RTP
A mais popular emissora portuguesa tem dívidas de mais de US$ 30 milhões

Uma onda de desastres administrativos e financeiros está engolindo a mais popular rede de televisão de Portugal. A estatal RTP coleciona dívidas de mais de US$ 30 milhões e busca desesperadamente um porto seguro. Faltam equipamentos modernos e estúdios à altura das concorrentes privadas. A programação empobreceu, o financiamento do governo cessou, a audiência despencou e há empregados demais para trabalho de menos. Trapalhadas dos executivos ajudam a afundar o barco. Um dos maiores exemplos foi a compra, no último mês, de uma quantidade enorme de filmes que nem chegaram a ser exibidos. A gota d’água veio com um comunicado da Comissão de Trabalhadores da RTP estampado nos principais jornais de Portugal. Dizia: “A RTP é um edifício que se desmorona por dentro. Uma empresa sem norte nem comando”. Foi, na verdade, uma reação direta à ameaça de demissão de mais de 400 empregados nos próximos meses. Por tudo isso, a estação que começou suas atividades em 1956 vem sendo chamada pelos telespectadores portugueses de Tele-Titanic.

Envie esta página para um amigo“Temos três meses para dizer como todos os problemas vão ser resolvidos”, diz Brandão de Brito, presidente da empresa. Para salvar o “transatlântico”, Brito pretende fazer uma verdadeira faxina. Além das demissões - que, garante, serão gradativas e negociadas caso a caso -, uma revisão geral da programação, bem como das regras conservadoras que gerem a emissora, estão na ordem do dia. Exemplo maior da mentalidade atrasada da RTP está na rigidez de seus contratos com publicidade. Enquanto os canais privados podem negociar 12 minutos/hora de comerciais, a estatal tem de se contentar com 7 minutos/hora. “Ao mesmo tempo que corremos para saldar as dívidas, temos de nos desdobrar para fazer enormes investimentos. Só assim será possível oferecer qualidade e competir com outros canais”, diz Brito. Parte do dinheiro para a operação resgate da RTP virá, com certeza, do governo - via contribuinte português, é claro. Mas a maioria dos recursos para tentar evitar o iceberg da Tele-Titanic está sendo caçada junto a um parceiro estratégico, do qual os executivos da emissora evitam revelar o nome. Com o dinheiro na mão, Brito garante que a RTP poderá se livrar do naufrágio. E já sonha alto. Segundo ele, a emissora será um dos motores da abertura da televisão digital em Portugal. Em dois anos, garante o presidente, a RTP será reinventada, tornando-se mais ágil e mais criativa. “A RTP vai sobreviver. Temos amor à camisa”, diz Brito.

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