|
TELEVISÃO
Vira-vira
na RTP
A
mais popular emissora portuguesa tem dívidas de mais de US$ 30
milhões
Uma onda de desastres administrativos e financeiros está
engolindo a mais popular rede de televisão de Portugal.
A estatal RTP coleciona dívidas de mais de US$ 30 milhões
e busca desesperadamente um porto seguro. Faltam equipamentos
modernos e estúdios à altura das concorrentes privadas.
A programação empobreceu, o financiamento do governo
cessou, a audiência despencou e há empregados demais
para trabalho de menos. Trapalhadas dos executivos ajudam a afundar
o barco. Um dos maiores exemplos foi a compra, no último
mês, de uma quantidade enorme de filmes que nem chegaram
a ser exibidos. A gota dágua veio com um comunicado
da Comissão de Trabalhadores da RTP estampado nos principais
jornais de Portugal. Dizia: A RTP é um edifício
que se desmorona por dentro. Uma empresa sem norte nem comando.
Foi, na verdade, uma reação direta à ameaça
de demissão de mais de 400 empregados nos próximos
meses. Por tudo isso, a estação que começou
suas atividades em 1956 vem sendo chamada pelos telespectadores
portugueses de Tele-Titanic.
Temos
três meses para dizer como todos os problemas vão
ser resolvidos, diz Brandão de Brito, presidente
da empresa. Para salvar o transatlântico, Brito
pretende fazer uma verdadeira faxina. Além das demissões
- que, garante, serão gradativas e negociadas caso a caso
-, uma revisão geral da programação, bem
como das regras conservadoras que gerem a emissora, estão
na ordem do dia. Exemplo maior da mentalidade atrasada da RTP
está na rigidez de seus contratos com publicidade. Enquanto
os canais privados podem negociar 12 minutos/hora de comerciais,
a estatal tem de se contentar com 7 minutos/hora. Ao mesmo
tempo que corremos para saldar as dívidas, temos de nos
desdobrar para fazer enormes investimentos. Só assim será
possível oferecer qualidade e competir com outros canais,
diz Brito. Parte do dinheiro para a operação resgate
da RTP virá, com certeza, do governo - via contribuinte
português, é claro. Mas a maioria dos recursos para
tentar evitar o iceberg da Tele-Titanic está sendo caçada
junto a um parceiro estratégico, do qual os executivos
da emissora evitam revelar o nome. Com o dinheiro na mão,
Brito garante que a RTP poderá se livrar do naufrágio.
E já sonha alto. Segundo ele, a emissora será um
dos motores da abertura da televisão digital em Portugal.
Em dois anos, garante o presidente, a RTP será reinventada,
tornando-se mais ágil e mais criativa. A RTP vai
sobreviver. Temos amor à camisa, diz Brito.
|