24 de novembro de 1999 - nº 117 

A Guerra dos anões
Vira vira na RTP
Internet à mineira
Nova rota do lucro de Cabral

Santos desembarca no futuro

Pokemón invade o planeta

A regente do Mozarteum

Reduto de mulher bonita

A nova trilha de Duda

Esteé Lauder vem às compras no Brasil

Quem constrói o mosáico?

A máquina de idéias da Citroën
Terra faz estréia bilionária
A fraude das margarinas







TECNOLOGIA
Internet à mineira
A americana PSINet chegou sem alarde. Agora vai gastar US$ 500 milhões no Brasil

Rosenildo Gomes Ferreira

(Foto: BIÔ BARREIRA)

Harold Wills: “Temos US$ 1,7 bilhão em caixa para expandir a rede pelo mundo"

Grande nos Estados Unidos, ela chegou aqui sem estardalhaço. Fez lances discretos, adquirindo pequenos negócios restritos a mercados locais. Mas na semana passada, quando Harold Wills, seu presidente mundial, desembarcou em São Paulo, a PSINet, uma das maiores provedoras de acesso à Internet na América do Norte, já podia se declarar uma competidora de peso também no Brasil. As seis empresas que comprou no País - mais especificamente nas cidades de Salvador, Rio, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte - lhe garantem mais de 150 mil usuários pagantes por dia, colocando-a entre as cinco grandes do setor e permitindo-lhe que sonhe alto. Pelas contas da companhia, o mercado brasileiro tem potencial para triplicar de tamanho no curto prazo, atingindo a marca de 10 milhões de internautas. Assim, torna-se digno de um investimento portentoso: nada menos que US$ 500 milhões.

Segundo Wills, esses recursos serão usados, em no máximo quatro anos, para a ampliação da infra-estrutura dos seis provedores locais e na captação de novos clientes, especialmente do segmento corporativo, o filé mignon do mercado. Wills não revela quanto já desembolsou na compra dessas empresas. Afirma apenas que as aquisições estão incluídas nos US$ 400 milhões investidos nos últimos 18 meses. “Temos mais US$ 1,7 bilhão em caixa para financiar nossa expansão nos Estados Unidos, Europa e América Latina”, conta. Parte dessa bolada foi usada recentemente para comprar a TNSI, empresa que processa diariamente 20 milhões de transações feitas através de cartões de crédito nos Estados Unidos, ao custo de US$ 350 milhões.

A ambição de Wills é semelhante à de concorrentes ruidosos como America Online e StarMedia. A diferença é que, além dos dólares, a PSINet traz na bagagem o pioneirismo na área de comércio eletrônico. O sistema foi desenvolvido por Bill Schrader, biólogo e pesquisador da Cornell University de Nova York. O uso comercial da idéia - que nasceu com o propósito de unificar os computadores das universidades daquele Estado - foi descoberto por acaso. Em 1989, um telefonema de executivos da Xerox, propondo uma parceria, provocou uma guinada na vida do cientista, que ao lado da esposa, Kathleen, decidiu investir por conta própria no negócio. Os US$ 40 mil gastos em 1989 transformaram-se em US$ 4 bilhões - valor de mercado da PSINet, da qual Schrader ainda possui uma fatia de 9%.

Boa parte do faturamento previsto para este ano (US$ 562 milhões) sai das 80 mil contas empresariais, na qual incluem-se 35 das 100 maiores empresas listadas pela revista Fortune. A PSINet também investe pesado em mídia alternativa (WebTV, por exemplo) e em sistemas de segurança para transações eletrônicas de grandes corporações como a Fidelity e o banco Goldman Sachs.

Envie esta página para um amigoSão essas armas de Wills - ou Pete, como ele faz questão de se apresentar - que a empresa espera usar para pegar fatias generosas do mercado brasileiro. A aposta é alta, mas ele garante ter cacife para bancá-la.

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