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TECNOLOGIA
Internet
à mineira
A
americana PSINet chegou sem alarde. Agora vai gastar US$ 500 milhões
no Brasil
Rosenildo Gomes Ferreira
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(Foto:
BIÔ BARREIRA)
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Harold
Wills: “Temos US$ 1,7 bilhão em caixa para expandir a rede
pelo mundo" |
Grande nos Estados Unidos, ela chegou aqui sem estardalhaço.
Fez lances discretos, adquirindo pequenos negócios restritos
a mercados locais. Mas na semana passada, quando Harold Wills,
seu presidente mundial, desembarcou em São Paulo, a PSINet,
uma das maiores provedoras de acesso à Internet na América
do Norte, já podia se declarar uma competidora de peso
também no Brasil. As seis empresas que comprou no País
- mais especificamente nas cidades de Salvador, Rio, São
Paulo, Brasília, Belo Horizonte - lhe garantem mais de
150 mil usuários pagantes por dia, colocando-a entre as
cinco grandes do setor e permitindo-lhe que sonhe alto. Pelas
contas da companhia, o mercado brasileiro tem potencial para triplicar
de tamanho no curto prazo, atingindo a marca de 10 milhões
de internautas. Assim, torna-se digno de um investimento portentoso:
nada menos que US$ 500 milhões.
Segundo Wills, esses recursos serão usados, em no máximo
quatro anos, para a ampliação da infra-estrutura
dos seis provedores locais e na captação de novos
clientes, especialmente do segmento corporativo, o filé
mignon do mercado. Wills não revela quanto já desembolsou
na compra dessas empresas. Afirma apenas que as aquisições
estão incluídas nos US$ 400 milhões investidos
nos últimos 18 meses. Temos mais US$ 1,7 bilhão
em caixa para financiar nossa expansão nos Estados Unidos,
Europa e América Latina, conta. Parte dessa bolada
foi usada recentemente para comprar a TNSI, empresa que processa
diariamente 20 milhões de transações feitas
através de cartões de crédito nos Estados
Unidos, ao custo de US$ 350 milhões.
A ambição de Wills é semelhante à
de concorrentes ruidosos como America Online e StarMedia. A diferença
é que, além dos dólares, a PSINet traz na
bagagem o pioneirismo na área de comércio eletrônico.
O sistema foi desenvolvido por Bill Schrader, biólogo e
pesquisador da Cornell University de Nova York. O uso comercial
da idéia - que nasceu com o propósito de unificar
os computadores das universidades daquele Estado - foi descoberto
por acaso. Em 1989, um telefonema de executivos da Xerox, propondo
uma parceria, provocou uma guinada na vida do cientista, que ao
lado da esposa, Kathleen, decidiu investir por conta própria
no negócio. Os US$ 40 mil gastos em 1989 transformaram-se
em US$ 4 bilhões - valor de mercado da PSINet, da qual
Schrader ainda possui uma fatia de 9%.
Boa parte do faturamento previsto para este ano (US$ 562 milhões)
sai das 80 mil contas empresariais, na qual incluem-se 35 das
100 maiores empresas listadas pela revista Fortune. A PSINet também
investe pesado em mídia alternativa (WebTV, por exemplo)
e em sistemas de segurança para transações
eletrônicas de grandes corporações como a
Fidelity e o banco Goldman Sachs.
São
essas armas de Wills - ou Pete, como ele faz questão de
se apresentar - que a empresa espera usar para pegar fatias generosas
do mercado brasileiro. A aposta é alta, mas ele garante
ter cacife para bancá-la.
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