24 de novembro de 1999 - nº 117 

A Guerra dos anões
Vira vira na RTP
Internet à mineira
Nova rota do lucro de Cabral

Santos desembarca no futuro

Pokemón invade o planeta

A regente do Mozarteum

Reduto de mulher bonita

A nova trilha de Duda

Esteé Lauder vem às compras no Brasil

Quem constrói o mosáico?

A máquina de idéias da Citroën
Terra faz estréia bilionária
A fraude das margarinas







TURISMO
Nova rota do lucro de Cabral
Na comemoração dos 500 anos, os portugueses também querem faturar com o descobrimento

Márcia Avruch, de Lisboa

(Foto: MUSEU PAULISTA)

Desde 1500, quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, seu nome nunca esteve tão em evidência quanto agora. As comemorações dos 500 anos do descobrimento acontecem num momento especial. Depois de uma década de acelerado crescimento econômico, que triplicou a renda per capita e reduziu à metade as taxas de inflação e desemprego, Portugal está descobrindo no turismo um novo e promissor filão, que já responde por 8% do Produto Interno Bruto (PIB) e é responsável por 500 mil empregos diretos e indiretos. Para os portugueses, a comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil é um motivo e tanto para que os brasileiros façam o caminho inverso de Cabral, troquem seus reais por escudos (cada dólar compra 178 escudos) e desembarquem na terra que, além de Cabral, viu nascer Camões, Fernando Pessoa, Saramago, Amália Rodrigues, Euzébio...

Envie esta página para um amigoDos 11,2 milhões de estrangeiros que ficam ao menos uma noite em solo português, apenas 90 mil são brasileiros. Embora registrem uma das maiores médias de permanência, 13 dias, estão longe de gerar a receita proporcionada pelos quase 4 milhões de britânicos que todos os anos lotam as praias do Algarve em busca, literalmente, de um lugar ao sol. “O brasileiro não tem uma imagem real do que é Portugal”, diz o diretor do Icep (órgão de promoção turística português), João Custódio. E o governo está tentando recuperar o tempo perdido, com investimentos de US$ 2,5 milhões. A principal atração é um roteiro que segue a curta trajetória de Pedro Álvares Cabral, a partir de sua cidade natal, a vila de Belmonte, no centro do país. Como o navegador morreu cedo, aos 37 anos, e nunca chegou a ter a fama de um Vasco da Gama, o trajeto tem poucas passagens obrigatórias. Porto, Coimbra, Óbidos e Sintra não têm registros da passagem de Cabral, mas estão no caminho que nos faz torcer para que, enfim, o fado tropical de Chico Buarque e Rui Guerra deixe de ser uma ironia e o Brasil se transforme num grande Portugal.

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