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TURISMO
Nova
rota do lucro de Cabral
Na
comemoração dos 500 anos, os portugueses também querem faturar
com o descobrimento
Márcia Avruch, de Lisboa
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(Foto:
MUSEU PAULISTA)
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Desde 1500, quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil,
seu nome nunca esteve tão em evidência quanto agora.
As comemorações dos 500 anos do descobrimento acontecem
num momento especial. Depois de uma década de acelerado
crescimento econômico, que triplicou a renda per capita
e reduziu à metade as taxas de inflação e
desemprego, Portugal está descobrindo no turismo um novo
e promissor filão, que já responde por 8% do Produto
Interno Bruto (PIB) e é responsável por 500 mil
empregos diretos e indiretos. Para os portugueses, a comemoração
dos 500 anos do descobrimento do Brasil é um motivo e tanto
para que os brasileiros façam o caminho inverso de Cabral,
troquem seus reais por escudos (cada dólar compra 178 escudos)
e desembarquem na terra que, além de Cabral, viu nascer
Camões, Fernando Pessoa, Saramago, Amália Rodrigues,
Euzébio...
Dos
11,2 milhões de estrangeiros que ficam ao menos uma noite
em solo português, apenas 90 mil são brasileiros.
Embora registrem uma das maiores médias de permanência,
13 dias, estão longe de gerar a receita proporcionada pelos
quase 4 milhões de britânicos que todos os anos lotam
as praias do Algarve em busca, literalmente, de um lugar ao sol.
O brasileiro não tem uma imagem real do que é
Portugal, diz o diretor do Icep (órgão de
promoção turística português), João
Custódio. E o governo está tentando recuperar o
tempo perdido, com investimentos de US$ 2,5 milhões. A
principal atração é um roteiro que segue
a curta trajetória de Pedro Álvares Cabral, a partir
de sua cidade natal, a vila de Belmonte, no centro do país.
Como o navegador morreu cedo, aos 37 anos, e nunca chegou a ter
a fama de um Vasco da Gama, o trajeto tem poucas passagens obrigatórias.
Porto, Coimbra, Óbidos e Sintra não têm registros
da passagem de Cabral, mas estão no caminho que nos faz
torcer para que, enfim, o fado tropical de Chico Buarque e Rui
Guerra deixe de ser uma ironia e o Brasil se transforme num grande
Portugal.
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