24 de novembro de 1999 - nº 117 

A Guerra dos anőes
Vira vira na RTP
Internet ŕ mineira
Nova rota do lucro de Cabral

Santos desembarca no futuro

Pokemón invade o planeta

A regente do Mozarteum

Reduto de mulher bonita

A nova trilha de Duda

Esteé Lauder vem ŕs compras no Brasil

Quem constrói o mosáico?

A máquina de idéias da Citroën
Terra faz estréia bilionária
A fraude das margarinas







MANIA
Pokémon invade o planeta
Pesadelo dos pais, festa da Nintendo

Adivinhe o que seu filho vai pedir para o Papai Noel? Com alguma sorte, ele se contentará com um bichinho feio, amarelo, de nome Pikachu, o personagem principal de uma história que ninguém com mais de 10-15 anos é capaz de entender. Se você já comprou o tal do Pikachu, prepare-se para gastar: a febre mundial do Pokémon, criatura encontrada no universo de mesmo nome, gerou 150 - isso mesmo, 150 - tipos diferentes de pokémon (como será o plural na língua desses caras?), cada um com um nome mais estrambótico que o outro e com habilidades tão delicadas como explodir, atirar, pôr fogo etc. Ah, tem outro detalhe importante para quem se inicia nesse mundo criado pela imaginação japonesa e comercializado no mundo todo pela Nintendo: não se faça de desentendido quando ouvir qualquer menção ao Pika Power, uma versão amarela do Pikachu, recorde em velocidade de vendas em toda a história da Nintendo.

Para os pais, é uma praga, no mínimo por enlouquecer o mais calmo dos seres humanos quando o filho pede ajuda para procurar desesperadamente o pokémon Jiggypluff no meio daquela bagunça de seres de um universo impenetrável pelos adultos. É esse? Não. É esse outro aqui? Não. Achei! Não é esse, pai. A lengalenga pode levar uma hora. E quem mais ganha é a Nintendo, líder mundial na criação de lazer interativo. Seu Game Boy, o instrumento que dá vida ao pokémon, já ultrapassou a marca de 80 milhões de exemplares vendidos no mundo todo, desde que surgiu há dez anos. Quem brinca são garotos com menos de 14 anos (65% das vendas). Mas a família toda acaba se rendendo àquele aparelhinho do tamanho de uma calculadora, com uma tela proporcional às suas dimensões e um poder mágico de entreter a criançada. A preocupação dos pais com tamanha adesão da criançada pode ser aliviada por um estudo realizado na Universidade de Colônia, na Alemanha, pelo professor Elmar Souvignier: ele afirma que esse tipo de jogo eletrônico reforça a capacidade intelectual da criança. O professor fez uma experiência com três grupos de alunos e o resultado foi surpreendente: o grupo “game boy” se saiu sensivelmente melhor que os outros dois.

Melhor ainda para a Nintendo. Seu relatório anual de 1999 é um mar de rosas. A empresa alcançou, no período, o melhor resultado dos últimos seis anos. E o pokémon está ali, na carta aos acionistas assinada pelo presidente Hiroshi Yamauchi, destacado pelo insaciável apetite da criançada por novos itens e pela indicação de que a febre está longe de ceder, impulsionando as vendas do Game Boy. Em um ano, as vendas mais que duplicaram, para 8 milhões de unidades. A expectativa é chegar aos 28 milhões, graças, em parte, ao grupo de 150 criaturas que compõem a família Pokémon, que primeiro conquistou o Japão, em nove meses virou febre nos Estados Unidos e atingiu até a Europa, tradicionalmente avessa a essas invenções non sense de japoneses e americanos.

Envie esta página para um amigoNo Brasil, um dos dez países onde mantém operação, a Nintendo chegou em 1993, através da Playtronic Industrial Ltda., primeira fabricante dos produtos fora do Japão. Em 1996, a empresa passou a chamar-se Gradiente Entertainment, com fábrica em Manaus, escritório em São Paulo e representantes em todo o território nacional. Os números da operação brasileira são de 1998: 1,5 milhão de unidades de hardware vendidas e 1,4 milhão de unidades de software. Olhando os brinquedos do seu filho, você vai perceber o poderio desses japoneses que começaram essa história em Kioto com uma pequena indústria de baralhos para exportação. Deu no que deu e o quarto dos seus filhos é o maior testemunho do gigantismo da Nintendo. Experimente checar. Vai dar de cara com um Nintendo 64, com um Game Boy e uma dezena de personagens-ícones que já fizeram seu filho espernear na vitrine da loja de brinquedos: Mario em suas inúmeras versões, Donkey Kong, idem, Zelda, fora, claro, a dúzia e meia de pokémon. Resta aos pais torcer para que a Nintendo não cumpra seus planos de entrar no próximo milênio virando a cabeça da criançada com suas novidades. Vem aí o console Dolphin, um avanço significativo ao videogame PlayStation 2, o Game Boy color etc. etc. Num futuro próximo, a empresa também pretende anunciar o que chama de “intrigantes caminhos de conexão entre o Game Boy Advance e o console Dolphin”. A comunidade Pokémon, a essas alturas, estará jogada em algum canto da sua casa. Mas não se iluda, a garotada, se depender da Nintendo, não vai sossegar.

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