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MANIA
Pokémon
invade o planeta
Pesadelo
dos pais, festa da Nintendo
Adivinhe o que seu filho vai pedir para o Papai Noel? Com alguma
sorte, ele se contentará com um bichinho feio, amarelo,
de nome Pikachu, o personagem principal de uma história
que ninguém com mais de 10-15 anos é capaz de entender.
Se você já comprou o tal do Pikachu, prepare-se para
gastar: a febre mundial do Pokémon, criatura encontrada
no universo de mesmo nome, gerou 150 - isso mesmo, 150 - tipos
diferentes de pokémon (como será o plural na língua
desses caras?), cada um com um nome mais estrambótico que
o outro e com habilidades tão delicadas como explodir,
atirar, pôr fogo etc. Ah, tem outro detalhe importante para
quem se inicia nesse mundo criado pela imaginação
japonesa e comercializado no mundo todo pela Nintendo: não
se faça de desentendido quando ouvir qualquer menção
ao Pika Power, uma versão amarela do Pikachu, recorde em
velocidade de vendas em toda a história da Nintendo.
Para os pais, é uma praga, no mínimo por enlouquecer
o mais calmo dos seres humanos quando o filho pede ajuda para
procurar desesperadamente o pokémon Jiggypluff no meio
daquela bagunça de seres de um universo impenetrável
pelos adultos. É esse? Não. É esse outro
aqui? Não. Achei! Não é esse, pai. A lengalenga
pode levar uma hora. E quem mais ganha é a Nintendo, líder
mundial na criação de lazer interativo. Seu Game
Boy, o instrumento que dá vida ao pokémon, já
ultrapassou a marca de 80 milhões de exemplares vendidos
no mundo todo, desde que surgiu há dez anos. Quem brinca
são garotos com menos de 14 anos (65% das vendas). Mas
a família toda acaba se rendendo àquele aparelhinho
do tamanho de uma calculadora, com uma tela proporcional às
suas dimensões e um poder mágico de entreter a criançada.
A preocupação dos pais com tamanha adesão
da criançada pode ser aliviada por um estudo realizado
na Universidade de Colônia, na Alemanha, pelo professor
Elmar Souvignier: ele afirma que esse tipo de jogo eletrônico
reforça a capacidade intelectual da criança. O professor
fez uma experiência com três grupos de alunos e o
resultado foi surpreendente: o grupo game boy se saiu
sensivelmente melhor que os outros dois.
Melhor ainda para a Nintendo. Seu relatório anual de 1999
é um mar de rosas. A empresa alcançou, no período,
o melhor resultado dos últimos seis anos. E o pokémon
está ali, na carta aos acionistas assinada pelo presidente
Hiroshi Yamauchi, destacado pelo insaciável apetite da
criançada por novos itens e pela indicação
de que a febre está longe de ceder, impulsionando as vendas
do Game Boy. Em um ano, as vendas mais que duplicaram, para 8
milhões de unidades. A expectativa é chegar aos
28 milhões, graças, em parte, ao grupo de 150 criaturas
que compõem a família Pokémon, que primeiro
conquistou o Japão, em nove meses virou febre nos Estados
Unidos e atingiu até a Europa, tradicionalmente avessa
a essas invenções non sense de japoneses e americanos.
No
Brasil, um dos dez países onde mantém operação,
a Nintendo chegou em 1993, através da Playtronic Industrial
Ltda., primeira fabricante dos produtos fora do Japão.
Em 1996, a empresa passou a chamar-se Gradiente Entertainment,
com fábrica em Manaus, escritório em São
Paulo e representantes em todo o território nacional. Os
números da operação brasileira são
de 1998: 1,5 milhão de unidades de hardware vendidas e
1,4 milhão de unidades de software. Olhando os brinquedos
do seu filho, você vai perceber o poderio desses japoneses
que começaram essa história em Kioto com uma pequena
indústria de baralhos para exportação. Deu
no que deu e o quarto dos seus filhos é o maior testemunho
do gigantismo da Nintendo. Experimente checar. Vai dar de cara
com um Nintendo 64, com um Game Boy e uma dezena de personagens-ícones
que já fizeram seu filho espernear na vitrine da loja de
brinquedos: Mario em suas inúmeras versões, Donkey
Kong, idem, Zelda, fora, claro, a dúzia e meia de pokémon.
Resta aos pais torcer para que a Nintendo não cumpra seus
planos de entrar no próximo milênio virando a cabeça
da criançada com suas novidades. Vem aí o console
Dolphin, um avanço significativo ao videogame PlayStation
2, o Game Boy color etc. etc. Num futuro próximo, a empresa
também pretende anunciar o que chama de intrigantes
caminhos de conexão entre o Game Boy Advance e o console
Dolphin. A comunidade Pokémon, a essas alturas, estará
jogada em algum canto da sua casa. Mas não se iluda, a
garotada, se depender da Nintendo, não vai sossegar.
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