|
ENTRETENIMENTO
A
regente do Mozarteum
Por
trás dos grandes espetáculos, Sabine Lovatelli comanda empresa
de US$ 3,3 milhões
Cristiane Barbieri
|
(Foto:
BIÔ BARREIRA)
|

Sabine:
seis pessoas para cuidar da vinda de centenas de músicos e
toneladas de equipamentos |
Uma das poucas oportunidades de sair de casa que as adolescentes
da cidade de Hannover, na Alemanha, tinham no início dos
anos 60 era ir às grandes salas de concerto. Obrigadas
pelo colégio, ao menos uma vez por mês assistiam
a espetáculos de música clássica, óperas
ou peças de teatro. Rock-and-roll, nem pensar. As
primeiras vezes que fui aos concertos vi apenas os primeiros atos,
lembra a condessa Sabine Lovatelli, com um sorriso maroto. Tão
logo dava o intervalo, eu e minhas amigas saíamos para
passear na rua. Imposição ou não, foi
então que Sabine tomou os primeiros contatos com a música
clássica. E que anos depois fariam com que criasse o Mozarteum
Brasileiro, organização que trouxe para o País
alguns dos melhores espetáculos já vistos pelos
palcos brasileiros. Eu já morava no Brasil havia
dez anos e, além de achar que o País sentia falta
da cultura clássica, queria participar e manter o contato
internacional, conta ela.
Corria o ano de 1981 e, sem a tradição de grandes
espetáculos no Brasil, Sabine gastou lábia e manteve
o pulso firme para conseguir trazer para cá grandes nomes.
Era comum os dirigentes das orquestras quererem mandar músicos
iniciantes, perguntar se no Brasil havia hotéis ou mesmo
se a água era boa, relembra. Com o passar dos anos,
o Mozarteum foi se tornando uma máquina de gerir o negócio
de espetáculos gigantescos. Estiveram por aqui as filarmônicas
de Viena, Munique e Nova York, os maestros Lorin Maazel e Zubin
Mehta, os balés Bolshoi, Kirov e New York City, entre dezenas
de grandes nomes. O orçamento também é grandioso.
Este ano serão US$ 2,5 milhões e, no ano 2000, US$
3,3 milhões. Cerca de 70% do valor é mantido com
patrocínios de empresas como Volkswagen, Votorantim, Siemens
e Schering-Plough, e os outros 30% vêm da venda de ingressos.
É impossível calcular o preço do ingresso
com base no custo do espetáculo, diz Sabine. Cobro
um preço que o paulistano pode pagar e depois corremos
atrás de dinheiro para cobrir o rombo. O negócio
pode parecer difícil de equilibrar na ponta do lápis,
mas o Mozarteum tem espaço para crescer. Cada espetáculo
é exibido por duas noites, sendo que as pessoas que compram
a assinatura por toda a temporada lotariam a casa nas duas apresentações.
A
estrutura enxuta também faz parte do organograma do Mozarteum,
muito antes de o downsizing virar moda. Apenas seis funcionários
controlam a vinda de centenas de músicos e toneladas de
equipamentos a cada concerto. No próximo grande evento,
por exemplo, virão 152 músicos da Filarmônica
de Berlim, considerada a melhor do mundo e cuja apresentação
no Brasil está sendo negociada há exatos 19 anos.
O avião fretado sairá de Berlim, carregando 15 toneladas
de instrumentos musicais, e parte do seguro está sendo
pago pelo Mozarteum. Bastidores que ficam anos se movimentando
para que finalmente, em maio, os espectadores vejam a orquestra
se apresentar por cerca de duas horas. Procuramos dar as
condições máximas para que os músicos
produzam e dêem o melhor de si, diz Sabine. O
resto é a faísca que acontece entre o público
brasileiro e os músicos no palco.
|