24 de novembro de 1999 - nº 117 

A Guerra dos anões
Vira vira na RTP
Internet à mineira
Nova rota do lucro de Cabral

Santos desembarca no futuro

Pokemón invade o planeta

A regente do Mozarteum

Reduto de mulher bonita

A nova trilha de Duda

Esteé Lauder vem às compras no Brasil

Quem constrói o mosáico?

A máquina de idéias da Citroën
Terra faz estréia bilionária
A fraude das margarinas







ENTRETENIMENTO
A regente do Mozarteum
Por trás dos grandes espetáculos, Sabine Lovatelli comanda empresa de US$ 3,3 milhões

Cristiane Barbieri

(Foto: BIÔ BARREIRA)

Sabine: seis pessoas para cuidar da vinda de centenas de músicos e toneladas de equipamentos

Uma das poucas oportunidades de sair de casa que as adolescentes da cidade de Hannover, na Alemanha, tinham no início dos anos 60 era ir às grandes salas de concerto. Obrigadas pelo colégio, ao menos uma vez por mês assistiam a espetáculos de música clássica, óperas ou peças de teatro. Rock-and-roll, nem pensar. “As primeiras vezes que fui aos concertos vi apenas os primeiros atos”, lembra a condessa Sabine Lovatelli, com um sorriso maroto. “Tão logo dava o intervalo, eu e minhas amigas saíamos para passear na rua.” Imposição ou não, foi então que Sabine tomou os primeiros contatos com a música clássica. E que anos depois fariam com que criasse o Mozarteum Brasileiro, organização que trouxe para o País alguns dos melhores espetáculos já vistos pelos palcos brasileiros. “Eu já morava no Brasil havia dez anos e, além de achar que o País sentia falta da cultura clássica, queria participar e manter o contato internacional”, conta ela.

Corria o ano de 1981 e, sem a tradição de grandes espetáculos no Brasil, Sabine gastou lábia e manteve o pulso firme para conseguir trazer para cá grandes nomes. “Era comum os dirigentes das orquestras quererem mandar músicos iniciantes, perguntar se no Brasil havia hotéis ou mesmo se a água era boa”, relembra. Com o passar dos anos, o Mozarteum foi se tornando uma máquina de gerir o negócio de espetáculos gigantescos. Estiveram por aqui as filarmônicas de Viena, Munique e Nova York, os maestros Lorin Maazel e Zubin Mehta, os balés Bolshoi, Kirov e New York City, entre dezenas de grandes nomes. O orçamento também é grandioso. Este ano serão US$ 2,5 milhões e, no ano 2000, US$ 3,3 milhões. Cerca de 70% do valor é mantido com patrocínios de empresas como Volkswagen, Votorantim, Siemens e Schering-Plough, e os outros 30% vêm da venda de ingressos. “É impossível calcular o preço do ingresso com base no custo do espetáculo”, diz Sabine. “Cobro um preço que o paulistano pode pagar e depois corremos atrás de dinheiro para cobrir o rombo.” O negócio pode parecer difícil de equilibrar na ponta do lápis, mas o Mozarteum tem espaço para crescer. Cada espetáculo é exibido por duas noites, sendo que as pessoas que compram a assinatura por toda a temporada lotariam a casa nas duas apresentações.

Envie esta página para um amigoA estrutura enxuta também faz parte do organograma do Mozarteum, muito antes de o downsizing virar moda. Apenas seis funcionários controlam a vinda de centenas de músicos e toneladas de equipamentos a cada concerto. No próximo grande evento, por exemplo, virão 152 músicos da Filarmônica de Berlim, considerada a melhor do mundo e cuja apresentação no Brasil está sendo negociada há exatos 19 anos. O avião fretado sairá de Berlim, carregando 15 toneladas de instrumentos musicais, e parte do seguro está sendo pago pelo Mozarteum. Bastidores que ficam anos se movimentando para que finalmente, em maio, os espectadores vejam a orquestra se apresentar por cerca de duas horas. “Procuramos dar as condições máximas para que os músicos produzam e dêem o melhor de si”, diz Sabine. “O resto é a faísca que acontece entre o público brasileiro e os músicos no palco.”

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