24 de novembro de 1999 - nº 117 

A Guerra dos anões
Vira vira na RTP
Internet à mineira
Nova rota do lucro de Cabral

Santos desembarca no futuro

Pokemón invade o planeta

A regente do Mozarteum

Reduto de mulher bonita

A nova trilha de Duda

Esteé Lauder vem às compras no Brasil

Quem constrói o mosáico?

A máquina de idéias da Citroën
Terra faz estréia bilionária
A fraude das margarinas







AVENTURA
A nova trilha de Duda
Eduardo Gouvêa Vieira, filho do presidente da Firjan, aposenta a gravata e monta agência de esportes radicais

Simone Godberg

(Foto: CALÉ)

Pé na estrada: investimento inicial de R$ 250 mil na XTREEM

Adrenalina. Não há palavra melhor para definir o que move o jovem empresário Eduardo Gouvêa Vieira, mais conhecido como Duda. Filho de Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e diretor do grupo Ipiranga, Duda largou um emprego seguro e com boas perspectivas de futuro no banco Icatu para ganhar dinheiro com sua maior paixão: esportes radicais. Aos 26 anos, o economista Duda é dono da XTREEM Adrenaline Research, uma agência carioca de turismo especializada em aventura e atividades como vôo livre, rafting, escalada, trekking, pára-quedismo, entre outras modalidades arrepiantes. O setor, novo no País, é promissor. E Duda, estreando no comando de um negócio, também. Desde que a XTREEM começou a operar, em meados de 1998, seu faturamento cresceu 500%. E o investimento inicial, de cerca de R$ 250 mil, deve se pagar em mais alguns meses.

O sucesso do jovem Duda não surpreende a quem o conheceu de terno e gravata, envolvido com contabilidade bancária. “O Duda é muito criativo e sempre sugeria coisas novas. Ele tem talento e está numa área que adora, o esporte”, elogia Theodoro Messa, seu ex-colega no Icatu. No banco, Duda adquiriu conhecimentos que iam de diversificadas operações financeiras a técnicas comerciais. Apostar num vôo-solo era questão de tempo. A atração por um setor ainda pouco explorado, como o turismo de aventura, faria o resto. “O ecoturismo, ou turismo esportivo, representa 40% do movimento do turismo mundial. No Brasil, está apenas engatinhando”, diz Duda. Ele conhece o terreno em que está pisando. Praticante de motocross, supercross, mountain bike, alpinismo, wakeboard (espécie de esqui aquático sobre prancha) e snowboard (tipo de surfe na neve), e acostumado a viajar para viver suas aventuras esportivas, Duda percebeu que se a Nova Zelândia, meca dos esportes radicais, ganhou esse título, o Rio, uma cidade dotada de natureza exuberante, também pode conquistá-lo.

“Com a vantagem de que, no Rio, não é preciso cruzar grandes distâncias. Em 40 minutos é possível chegar em alguma área para a prática de aventura”, diz. A Nova Zelândia não foi lembrada por acaso. Foi lá, na terra do bungee-jumping (o pulo no vazio com os pés presos por uma corda elástica), que Duda começou a pensar numa mudança de vida. Corria o ano de 1996 e ele passava férias com um amigo. “Fiquei encantado com o que vi. Foram as melhores férias da minha vida.” Duda tomou o avião de volta para o Brasil com a cabeça cheia de idéias. Uma delas era justamente montar a XTREEM.

Poucos meses depois, deixava seu trabalho de quatro anos no banco para transformar em realidade o projeto da agência. Seu público é dividido em três grupos: empresas, turistas e iniciantes em esportes radicais. O foco principal são executivos, geralmente em treinamento. “Muitas empresas utilizam esportes radicais para fazer uma analogia de situações vividas dentro do escritório, como ajuda mútua, exercício de liderança e coisas do gênero”, explica o jovem empreendedor. Apesar de filho de empresário, Duda não ganha colher de chá do pai. “Ele nunca me indicou clientes. Alguém podia dar essa idéia a ele”, brinca. “Não gosto de interferir na vida ou nos negócios do Duda. Se ele preferiu largar a gravata e se dedicar a um projeto que o realiza, tudo bem”, diz Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira.

Assim, com o apoio moral do papai Firjan, Duda trata de expandir. Sua XTREEM vai funcionar também como escola e oferecer cursos de esportes ligados à natureza. Escalada e vôo livre são os primeiros da lista. Toda essa movimentação está sendo acompanhada de uma dose extra de marketing. Uma das armas para isso é a Internet, onde a página da XTREEM está sendo renovada. Outra é a promoção de eventos, como o Dodge Wind Challenge 99, etapa brasileira do campeonato sul-americano de windsurf, em Búzios, litoral fluminense, no mês passado. “Os eventos ajudam a marcar o nome XTREEM. É o primeiro passo para fazermos da empresa e do Rio uma referência no setor”, acredita Duda. Seu plano é ambicioso. Afinal, tornar o Rio de Janeiro a capital mundial dos esportes de ação pode esbarrar no mesmo obstáculo que impede a cidade de explodir como destino turístico: a violência urbana.

Envie esta página para um amigoDuda afasta esse fantasma. “A segurança pode não ser 100%, mas não creio que o caos vá se estabelecer na cidade”, acredita. Uma opinião para lá de otimista. Afinal, em outubro de 1995, Duda foi seqüestrado em Botafogo, bairro da zona sul do Rio, e passou 35 dias em cativeiro. Sua captura foi o combustível para inflamar o movimento Viva Rio, que luta contra a violência nas ruas cariocas. Superado o trauma, o jovem empresário hoje tem obsessão por segurança quando seus clientes estão praticando alguma atividade esportiva de risco. “Reinvisto tudo em treinamento de pessoal e em equipamentos de apoio”, diz. “Sei que ainda tem muito amador atuando em ecoturismo e algumas atividades são arriscadas mesmo. Quero criar um diferencial pela segurança oferecida, dos guias e instrutores aos apetrechos utilizados”, afirma Duda. Para ele, um serviço de qualidade somado à natureza carioca pode colocar o Rio no topo da preferência dos aventureiros.

 

Copyright© 1999 Revista Dinheiro. Todos os direitos reservados. All rights reserved.