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AVENTURA
A
nova trilha de Duda
Eduardo
Gouvêa Vieira, filho do presidente da Firjan, aposenta a gravata
e monta agência de esportes radicais
Simone Godberg
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(Foto:
CALÉ)
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Pé na estrada:
investimento inicial de R$ 250 mil na XTREEM |
Adrenalina. Não há palavra melhor para definir
o que move o jovem empresário Eduardo Gouvêa Vieira,
mais conhecido como Duda. Filho de Eduardo Eugênio Gouvêa
Vieira, presidente da Federação das Indústrias
do Rio de Janeiro (Firjan) e diretor do grupo Ipiranga, Duda largou
um emprego seguro e com boas perspectivas de futuro no banco Icatu
para ganhar dinheiro com sua maior paixão: esportes radicais.
Aos 26 anos, o economista Duda é dono da XTREEM Adrenaline
Research, uma agência carioca de turismo especializada em
aventura e atividades como vôo livre, rafting, escalada,
trekking, pára-quedismo, entre outras modalidades arrepiantes.
O setor, novo no País, é promissor. E Duda, estreando
no comando de um negócio, também. Desde que a XTREEM
começou a operar, em meados de 1998, seu faturamento cresceu
500%. E o investimento inicial, de cerca de R$ 250 mil, deve se
pagar em mais alguns meses.
O sucesso do jovem Duda não surpreende a quem o conheceu
de terno e gravata, envolvido com contabilidade bancária.
O Duda é muito criativo e sempre sugeria coisas novas.
Ele tem talento e está numa área que adora, o esporte,
elogia Theodoro Messa, seu ex-colega no Icatu. No banco, Duda
adquiriu conhecimentos que iam de diversificadas operações
financeiras a técnicas comerciais. Apostar num vôo-solo
era questão de tempo. A atração por um setor
ainda pouco explorado, como o turismo de aventura, faria o resto.
O ecoturismo, ou turismo esportivo, representa 40% do movimento
do turismo mundial. No Brasil, está apenas engatinhando,
diz Duda. Ele conhece o terreno em que está pisando. Praticante
de motocross, supercross, mountain bike, alpinismo, wakeboard
(espécie de esqui aquático sobre prancha) e snowboard
(tipo de surfe na neve), e acostumado a viajar para viver suas
aventuras esportivas, Duda percebeu que se a Nova Zelândia,
meca dos esportes radicais, ganhou esse título, o Rio,
uma cidade dotada de natureza exuberante, também pode conquistá-lo.
Com a vantagem de que, no Rio, não é preciso
cruzar grandes distâncias. Em 40 minutos é possível
chegar em alguma área para a prática de aventura,
diz. A Nova Zelândia não foi lembrada por acaso.
Foi lá, na terra do bungee-jumping (o pulo no vazio com
os pés presos por uma corda elástica), que Duda
começou a pensar numa mudança de vida. Corria o
ano de 1996 e ele passava férias com um amigo. Fiquei
encantado com o que vi. Foram as melhores férias da minha
vida. Duda tomou o avião de volta para o Brasil com
a cabeça cheia de idéias. Uma delas era justamente
montar a XTREEM.
Poucos meses depois, deixava seu trabalho de quatro anos no banco
para transformar em realidade o projeto da agência. Seu
público é dividido em três grupos: empresas,
turistas e iniciantes em esportes radicais. O foco principal são
executivos, geralmente em treinamento. Muitas empresas utilizam
esportes radicais para fazer uma analogia de situações
vividas dentro do escritório, como ajuda mútua,
exercício de liderança e coisas do gênero,
explica o jovem empreendedor. Apesar de filho de empresário,
Duda não ganha colher de chá do pai. Ele nunca
me indicou clientes. Alguém podia dar essa idéia
a ele, brinca. Não gosto de interferir na vida
ou nos negócios do Duda. Se ele preferiu largar a gravata
e se dedicar a um projeto que o realiza, tudo bem, diz Eduardo
Eugênio Gouvêa Vieira.
Assim, com o apoio moral do papai Firjan, Duda trata de expandir.
Sua XTREEM vai funcionar também como escola e oferecer
cursos de esportes ligados à natureza. Escalada e vôo
livre são os primeiros da lista. Toda essa movimentação
está sendo acompanhada de uma dose extra de marketing.
Uma das armas para isso é a Internet, onde a página
da XTREEM está sendo renovada. Outra é a promoção
de eventos, como o Dodge Wind Challenge 99, etapa brasileira do
campeonato sul-americano de windsurf, em Búzios, litoral
fluminense, no mês passado. Os eventos ajudam a marcar
o nome XTREEM. É o primeiro passo para fazermos da empresa
e do Rio uma referência no setor, acredita Duda. Seu
plano é ambicioso. Afinal, tornar o Rio de Janeiro a capital
mundial dos esportes de ação pode esbarrar no mesmo
obstáculo que impede a cidade de explodir como destino
turístico: a violência urbana.
Duda
afasta esse fantasma. A segurança pode não
ser 100%, mas não creio que o caos vá se estabelecer
na cidade, acredita. Uma opinião para lá de
otimista. Afinal, em outubro de 1995, Duda foi seqüestrado
em Botafogo, bairro da zona sul do Rio, e passou 35 dias em cativeiro.
Sua captura foi o combustível para inflamar o movimento
Viva Rio, que luta contra a violência nas ruas cariocas.
Superado o trauma, o jovem empresário hoje tem obsessão
por segurança quando seus clientes estão praticando
alguma atividade esportiva de risco. Reinvisto tudo em treinamento
de pessoal e em equipamentos de apoio, diz. Sei que
ainda tem muito amador atuando em ecoturismo e algumas atividades
são arriscadas mesmo. Quero criar um diferencial pela segurança
oferecida, dos guias e instrutores aos apetrechos utilizados,
afirma Duda. Para ele, um serviço de qualidade somado à
natureza carioca pode colocar o Rio no topo da preferência
dos aventureiros.
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