24 de novembro de 1999 - nº 117 

A Guerra dos anões
Vira vira na RTP
Internet à mineira
Nova rota do lucro de Cabral

Santos desembarca no futuro

Pokemón invade o planeta

A regente do Mozarteum

Reduto de mulher bonita

A nova trilha de Duda

Esteé Lauder vem às compras no Brasil

Quem constrói o mosáico?

A máquina de idéias da Citroën
Terra faz estréia bilionária
A fraude das margarinas







DISPUTA
A Guerra dos anões
Com preços muito mais baixos, poloneses deixam os gnomos alemães para trás

Gigantes se torpedeando não assustam mais ninguém. Coca/Pepsi, Daimler-Benz/BMW, Microsoft/Apple, Bradesco/Itaú... Curiosa mesmo é a guerra que estão travando alemães e poloneses em torno dos anões de jardim, aquelas peças de gosto duvidoso que encantam as crianças. Os anões dos alemães são caros. Chegam a custar até mais de US$ 100. Mas são pintados à mão e trazem uma riqueza de detalhes tipicamente alemã. Os poloneses, por seu lado, que produzem anões aos borbotões, vendem suas peças a preço de pechincha: US$ 10. Só que são anões de plástico e, em favor da verdade, não cheiram muito bem. Quem compra, em geral, quer pagar menos e a disputa esquenta justamente por isso. Os fabricantes da região alemã do Estado da Bavária, onde fica a alegre Munique, produzem anões há pelo menos um século e têm tradição e cultura para glorificar seus produtos. Estão em jardins, exposições, performances de arte. Por causa do preço salgado, perderam a supremacia para os poloneses, e Nowa Sol, província próxima à fronteira alemã, tornou-se a capital dos anões. São 40 fábricas, para desespero dos alemães - que calculam que vários milhões de poloneses “moram” ilegalmente na Alemanha e outros milhões estão continuamente cruzando a fronteira.

Quem está se saindo bem nessa disputa é Lech Baczek, dono da companhia P. W. Westimex, que produz em Nowa Sol cerca de 140 mil anões por ano, com 300 modelos diferentes e em quatro fábricas. Ele começou em 1992, por mero acaso. Pequeno agricultor, Baczek ganhou de um amigo um anão, batizado de “Anão Pescador”. Colocou a peça no jardim, olhou, olhou, olhou, e decidiu começar a produzir algo na mesma linha no fundo de seu quintal. Jamais imaginou, na época, que um dia seria motivo de preocupação dos poderosos alemães. Lech Baczek foi além de tudo o que previu. Não só exporta para a Alemanha como para seis outros países, incluindo os Estados Unidos. Os alemães, orgulhosos da qualidade impecável de seus produtos, não resistem aos preços poloneses e passam horas na fila da alfândega para cruzar a fronteira em busca dos anões de plástico. O ex-agricultor Baczek virou uma espécie de magnata na comunidade. A discreta elegância ao se vestir e os dois Mercedes sedan que o conduzem pelas ruas de Nowa Sol são testemunhas de sua prosperidade.

Sua próxima investida vai enraivecer os concorrentes alemães. “Eis o Gnomo do Milênio”, diz ele com orgulho. É sua primeira e mais recente criação, que, ele prevê, vai estourar nesse final de ano. As encomendas das lojas de departamentos francesas já chegaram. E os alemães continuam desembarcando nas cidades fronteiriças para comprar anões poloneses que, dizem os mais exigentes, cheiram a chumbo. O consumidor parece não dar atenção a esse detalhe. Gosta das cópias que os poloneses fazem dos anões “carésimos” que são vendidos na Alemanha. “Os anões poloneses são inferiores”, diz Wilfried Messner, dono de uma fábrica que produz 400 mil gnomos por ano, na Bavária, 20% a menos do que costumava produzir antes da invasão polonesa.

Envie esta página para um amigoA guerra está longe de terminar. Numa feira recente em Colônia, na Alemanha, os poloneses saíram carregados de catálogos. É dos catálogos alemães que os fabricantes da Polônia tiram o design de seus produtos. Foram mais de 20 designs apropriados por eles neste ano, acusa a mais venerada fabricante de anões da Bavária, a Zeho. Os poloneses dão de ombros. Os alemães correm atrás do prejuízo. Os anões que estão sendo fabricados na indústria de Wilfried Messner logo, logo vão falar e cantar, graças a uma tecnologia encontrada em Taiwan. É novidade - até que os poloneses não encontrem o mesmo fornecedor e lancem seus anões falantes a um preço condizente com seu tamanho.

 

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