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DISPUTA
A
Guerra dos anões
Com
preços muito mais baixos, poloneses deixam os gnomos alemães para
trás
Gigantes se torpedeando não assustam mais ninguém.
Coca/Pepsi, Daimler-Benz/BMW, Microsoft/Apple, Bradesco/Itaú...
Curiosa mesmo é a guerra que estão travando alemães
e poloneses em torno dos anões de jardim, aquelas peças
de gosto duvidoso que encantam as crianças. Os anões
dos alemães são caros. Chegam a custar até
mais de US$ 100. Mas são pintados à mão e
trazem uma riqueza de detalhes tipicamente alemã. Os poloneses,
por seu lado, que produzem anões aos borbotões,
vendem suas peças a preço de pechincha: US$ 10.
Só que são anões de plástico e, em
favor da verdade, não cheiram muito bem. Quem compra, em
geral, quer pagar menos e a disputa esquenta justamente por isso.
Os fabricantes da região alemã do Estado da Bavária,
onde fica a alegre Munique, produzem anões há pelo
menos um século e têm tradição e cultura
para glorificar seus produtos. Estão em jardins, exposições,
performances de arte. Por causa do preço salgado, perderam
a supremacia para os poloneses, e Nowa Sol, província próxima
à fronteira alemã, tornou-se a capital dos anões.
São 40 fábricas, para desespero dos alemães
- que calculam que vários milhões de poloneses moram
ilegalmente na Alemanha e outros milhões estão continuamente
cruzando a fronteira.
Quem está se saindo bem nessa disputa é Lech Baczek,
dono da companhia P. W. Westimex, que produz em Nowa Sol cerca
de 140 mil anões por ano, com 300 modelos diferentes e
em quatro fábricas. Ele começou em 1992, por mero
acaso. Pequeno agricultor, Baczek ganhou de um amigo um anão,
batizado de Anão Pescador. Colocou a peça
no jardim, olhou, olhou, olhou, e decidiu começar a produzir
algo na mesma linha no fundo de seu quintal. Jamais imaginou,
na época, que um dia seria motivo de preocupação
dos poderosos alemães. Lech Baczek foi além de tudo
o que previu. Não só exporta para a Alemanha como
para seis outros países, incluindo os Estados Unidos. Os
alemães, orgulhosos da qualidade impecável de seus
produtos, não resistem aos preços poloneses e passam
horas na fila da alfândega para cruzar a fronteira em busca
dos anões de plástico. O ex-agricultor Baczek virou
uma espécie de magnata na comunidade. A discreta elegância
ao se vestir e os dois Mercedes sedan que o conduzem pelas ruas
de Nowa Sol são testemunhas de sua prosperidade.
Sua próxima investida vai enraivecer os concorrentes alemães.
Eis o Gnomo do Milênio, diz ele com orgulho.
É sua primeira e mais recente criação, que,
ele prevê, vai estourar nesse final de ano. As encomendas
das lojas de departamentos francesas já chegaram. E os
alemães continuam desembarcando nas cidades fronteiriças
para comprar anões poloneses que, dizem os mais exigentes,
cheiram a chumbo. O consumidor parece não dar atenção
a esse detalhe. Gosta das cópias que os poloneses fazem
dos anões carésimos que são vendidos
na Alemanha. Os anões poloneses são inferiores,
diz Wilfried Messner, dono de uma fábrica que produz 400
mil gnomos por ano, na Bavária, 20% a menos do que costumava
produzir antes da invasão polonesa.
A
guerra está longe de terminar. Numa feira recente em Colônia,
na Alemanha, os poloneses saíram carregados de catálogos.
É dos catálogos alemães que os fabricantes
da Polônia tiram o design de seus produtos. Foram mais de
20 designs apropriados por eles neste ano, acusa a mais venerada
fabricante de anões da Bavária, a Zeho. Os poloneses
dão de ombros. Os alemães correm atrás do
prejuízo. Os anões que estão sendo fabricados
na indústria de Wilfried Messner logo, logo vão
falar e cantar, graças a uma tecnologia encontrada em Taiwan.
É novidade - até que os poloneses não encontrem
o mesmo fornecedor e lancem seus anões falantes a um preço
condizente com seu tamanho.
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