08 de setembro de 1999  

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Tem boi na linha

O reinado da Embratel está por um fio. Telemar, Telefônica e Tele Centro Sul se unem para disputar o mercado de longa distância

ISABEL CRISTINA CAMPOS

(ilustração: BIÔ BARREIRA - FOTOMONTAGEM: GALISMARTEO)

A Embratel que se cuide. Como não bastasse a Bonari, que no final do ano vai iniciar as suas atividades, as operadoras regionais Telemar, Telefônica e Tele Centro Sul estão se unindo para abocanhar uma parte do mercado de longa distância. O assunto está sendo guardado a sete chaves pelas três, que se limitam apenas a confirmar um primeiro acordo operacional no segmento de 0800. "Estamos numa disputa comercial e não podemos revelar nossos planos, pois a concorrência pode nos copiar", diz Carlos Eduardo Jardim, diretor de Comunicação da Telefônica. Mas o que se sabe é que a história não pára por aí e o que não falta a elas é disposição para encontrar novos nichos de serviços, principalmente no segmento corporativo, muito mais lucrativo que o residencial. "Tudo o que pudermos pegar da Embratel, nós vamos pegar", afirma Fernando Xavier, presidente da Telefônica, num tom de desafio pessoal e, pelo jeito, ainda ressentido com as acusações que ambas trocaram por conta dos problemas no início das operações de DDD, em julho.

De acordo com a regulamentação do setor de telecomunicações, as operadoras regionais não podem atuar na área de longa distância. Isso só será possível a partir de 2002 - quando o mercado estará aberto à livre competição -, desde que elas estejam com suas metas referentes a 2003 em dia. Essa norma, no entanto, não impede que as regionais façam amarrações técnicas que permitam oferecer serviços de longa distância, sem ferir a legislação, como o contrato que fecharam com o Banco do Brasil, de R$ 30 milhões, no segmento de 0800. Segundo um técnico do setor, quando uma empresa contrata um serviço de 0800 com abrangência nacional, cada ligação interurbana envolve o custo de três operadoras: duas regionais - uma referente à localidade de onde se originou a ligação e outra à da central de call center - e a Embratel. Ao fazer o acordo operacional para atender ao Banco do Brasil, as três eliminaram a Embratel do meio-de-campo, montando várias centrais de call center, que automaticamente direcionam as chamadas recebidas para a central que estiver dentro da mesma região. Ou seja, evitam os interurbanos.

Resta saber o que mais vem pela frente. Não é fácil encontrar nichos disponíveis como esse do 0800. Além disso, qualquer tipo de operação fora do padrão tradicional precisa ser submetido à aprovação da Anatel, que tem se mostrado bastante rigorosa. Há quem diga que essas primeiras negociações seriam a base para uma futura união entre as três, a partir de 2002, para atuar na longa distância, que tanto poderia ficar só na esfera operacional como evoluir para a formação de uma nova e poderosa empresa. Difícil de concretizar? É sempre bom lembrar que o mercado da Embratel não é nada desprezível: no ano passado movimentou US$ 6 bilhões, o equivalente à metade do Produto Interno Bruto gerado pelo setor de telecomunicações do Brasil.

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