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Tem boi na linha
O reinado da Embratel está por um fio. Telemar, Telefônica e Tele
Centro Sul se unem para disputar o mercado de longa distância
ISABEL CRISTINA
CAMPOS

(ilustração: BIÔ BARREIRA - FOTOMONTAGEM: GALISMARTEO)
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A Embratel
que se cuide. Como não bastasse a Bonari, que no final
do ano vai iniciar as suas atividades, as operadoras regionais
Telemar, Telefônica e Tele Centro Sul estão se unindo
para abocanhar uma parte do mercado de longa distância.
O assunto está sendo guardado a sete chaves pelas três,
que se limitam apenas a confirmar um primeiro acordo operacional
no segmento de 0800. "Estamos numa disputa comercial e não
podemos revelar nossos planos, pois a concorrência pode
nos copiar", diz Carlos Eduardo Jardim, diretor de Comunicação
da Telefônica. Mas o que se sabe é que a história
não pára por aí e o que não falta
a elas é disposição para encontrar novos
nichos de serviços, principalmente no segmento corporativo,
muito mais lucrativo que o residencial. "Tudo o que pudermos
pegar da Embratel, nós vamos pegar", afirma Fernando
Xavier, presidente da Telefônica, num tom de desafio pessoal
e, pelo jeito, ainda ressentido com as acusações
que ambas trocaram por conta dos problemas no início das
operações de DDD, em julho.
De acordo
com a regulamentação do setor de telecomunicações,
as operadoras regionais não podem atuar na área
de longa distância. Isso só será possível
a partir de 2002 - quando o mercado estará aberto à
livre competição -, desde que elas estejam com suas
metas referentes a 2003 em dia. Essa norma, no entanto, não
impede que as regionais façam amarrações
técnicas que permitam oferecer serviços de longa
distância, sem ferir a legislação, como o
contrato que fecharam com o Banco do Brasil, de R$ 30 milhões,
no segmento de 0800. Segundo um técnico do setor, quando
uma empresa contrata um serviço de 0800 com abrangência
nacional, cada ligação interurbana envolve o custo
de três operadoras: duas regionais - uma referente à
localidade de onde se originou a ligação e outra
à da central de call center - e a Embratel. Ao fazer o
acordo operacional para atender ao Banco do Brasil, as três
eliminaram a Embratel do meio-de-campo, montando várias
centrais de call center, que automaticamente direcionam as chamadas
recebidas para a central que estiver dentro da mesma região.
Ou seja, evitam os interurbanos.
Resta saber
o que mais vem pela frente. Não é fácil encontrar
nichos disponíveis como esse do 0800. Além disso,
qualquer tipo de operação fora do padrão
tradicional precisa ser submetido à aprovação
da Anatel, que tem se mostrado bastante rigorosa. Há quem
diga que essas primeiras negociações seriam a base
para uma futura união entre as três, a partir de
2002, para atuar na longa distância, que tanto poderia ficar
só na esfera operacional como evoluir para a formação
de uma nova e poderosa empresa. Difícil de concretizar?
É sempre bom lembrar que o mercado da Embratel não
é nada desprezível: no ano passado movimentou US$
6 bilhões, o equivalente à metade do Produto Interno
Bruto gerado pelo setor de telecomunicações do Brasil.
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