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Lucélia Santos teve medo durante filmagens no Timor

Quinta, 27 de junho de 2002, 20h00

Depois de ficar mundialmente famosa com a novela Escrava Isaura e de interpretar inúmeros papéis românticos na TV, a atriz Lucélia Santos estréia como cineasta com um documentário contundente: Timor Lorosae - O Massacre que o Mundo Não Viu, sobre o conflito no Timor Leste.

Desde 1995 quando o professor José Ramos Horta veio ao Brasil em busca de apoio à causa timorense, a atriz sentiu-se atraída pelo povo sofredor daquela pequena ilha anexada pela Indonésia.

Um ano depois, Horta foi agraciado com o Nobel da Paz e Lucélia participou da solenidade de entrega do prêmio, em Oslo. Foi o local e o momento que marcaram o nascimento do projeto de Timor Lorosae, um documentário que registrou as cenas de destruição no país e a vitória do movimento de emancipação comandado por Xanana Gusmão.

Lucélia já havia feito documentários sobre a China, Hong Kong, Tibete e Macau, mas ela própria os considerava "quase institucionais", já que faziam parte de um projeto com a China de aproximação e intercâmbio cultural.

"Quando fui para o Timor tinha uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Com pouco dinheiro e uma equipe pequena, o conceito de filmagem era: vamos ver o que dá para fazer", revelou a atriz à Reuters. "Eu não sabia o nível de dificuldades que encontraria no país. Fui com a cara e a coragem."

Registro Negro
Lucélia chegou a Dili, capital, em meio a um cenário de devastação. Com a ajuda do Exército Brasileiro, que enviou militares para integrar a força de paz das Nações Unidas, e de integrantes de outras frentes militares internacionais, a diretora percorreu várias regiões do país e registrou com câmera digital a desolação que encontrou.

Muitas cenas mostradas no documentário são registros históricos feitos pelo documentarista inglês Max Stahl.

Uma cena particularmente chocante é o ataque contra manifestantes desarmados no principal cemitério da capital, que foi registrado por Stahl e exibido na época em horário nobre pela BBC de Londres.

"Foi o que chamou a atenção do mundo para o que estava acontecendo no Timor", acredita Lucélia, que até pensou, inicialmente, em fazer um filme ficcional sobre a ilha, mas para isso precisaria de um roteiro primoroso e grandes atores.

Lucélia Santos admite que teve medo durante o período que permaneceu no país com sua equipe, mas revelou ter conseguido se fortalecer ao pensar na causa timorense.

"Não tinha o direito de ser fraca e meu compromisso mínimo era o de respeitar o sofrimento daquelas pessoas."

Lucélia já tem dois novos projetos em estudo, todos documentários. O primeiro é sobre as Olimpíadas, que serão realizadas na Grécia em 2004, e o segundo é sobre o conflito no Oriente Médio.

Luiz Vita/ Reuters

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