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Nova cópia de Dona Flor pode atrair 300 mil pessoas

Terça, 20 de novembro de 2001, 18h16

Cena do filme de 1976
O diretor Bruno Barreto espera que cerca de 300 mil pessoas assistam ao relançamento de Dona Flor e seus Dois Maridos, previsto para seis capitais brasileiras a partir da próxima sexta (30) - Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife, Goiânia e Fortaleza.

Adaptado do livro homônimo de Jorge Amado e lançado originalmente em 1976, o filme foi o maior sucesso de público do cinema nacional de todos os tempos e um dos maiores do mercado cinematográfico brasileiro em geral, com 12 milhões de espectadores. Outras cidades, como São Paulo, só verão a nova cópia da fita em janeiro de 2002.

Neste relançamento comemorativo dos 25 anos do filme, os espectadores poderão assistir a cenas que tinham sido cortadas pela censura, além de outros cortes impostos pela TV aberta e pela distribuição internacional.

Fora a reintrodução destas sequências, as 20 cópias do relançamento tiveram o som original inteiramente remixado. Para este trabalho, segundo o diretor, "não foi captado um tostão de leis de incentivo". Foram dois laboratórios, o Labocine e a Rob Filmes, que bancaram o trabalho por conta própria, cujo custo é estimado em R$ 80 mil por Barreto, só que sem cobrar a conta, apenas apostando numa participação na bilheteria.

O diretor comentou que não via o filme há mais de dez anos e teve uma grande emoção ao reencontrar-se com a obra. "Eu era muito jovem quando o fiz, tinha 20 anos. Acho que o filme tem a mesma alegria e espontaneidade que eu tinha na época, sem nenhum bloqueio", disse à reportagem.

Rever seu trabalho também significou retomar contato com o elenco, como a atriz Sonia Braga, com quem Barreto vai gravar, nas próximas semanas, os comentários que farão parte da edição de Dona Flor e seus Dois Maridos em DVD - que chega ao mercado brasileiro em março de 2002, com extras como um documentário e um making of de sete minutos de duração.

Fora isso, Dona Flor e seus Dois Maridos ganhará uma versão teatral na Itália, também sob a direção de Bruno Barreto que fará, dessa maneira, sua estréia no palco. A peça deve entrar em cartaz em Roma em outubro do ano que vem e contará com seis músicas novas, compostas pelo italiano Lucio Dalla e pelo brasileiro Chico Buarque de Holanda - aliás, autor de O Que Será, Que Será, música originalmente composta para o filme de 1976 e que constará da trilha da peça.

Neusa Barbosa
Reuters

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