Começa na próxima semana a festa de 20 anos do lançamento de E.T. – O Extraterrestre, que vai durar nada menos do que 13 meses. O estúdio Universal anunciou uma série de maneiras de comemorar o aniversário do filme infantil de Steven Spielberg, que vai culminar com o relançamento mundial da produção em março do ano que vem.A iniciativa começa na quarta-feira, quando o estúdio passa a usar um logotipo com o extraterrestre e seu amigo Elliot – em sua bicicleta voadora – em volta da imagem tradicional da empresa, o globo terrestre com a palavra Universal. A estréia vai ser nos créditos de abertura do filme Spy Game, mas o logotipo vai aparecer em todos os lançamentos do estúdio no ano que vem. "Eu acho que nenhum filme é tão identificado com um estúdio quanto ‘E.T.’ à Universal", disse Ron Meyer, presidente do estúdio, em um comunicado à imprensa.
A aposta no relançamento do filme é grande. Uma série de promoções e produtos relacionados com a fita vão aparecer nos Estados Unidos no início de 2002. O estúdio já tem contratos para o licenciamento de merchadising com a indústria alimentícia Kraft, os chocolates Hershey's e o fast food Dairy Queen. E.T. também vai ter destaque nos parques temáticos e web sites do grupo Vivendi Universal, o conglomerado francês de mídia que é dono do estúdio.
Mas é no cinema e no formato DVD que E.T. vai chamar atenção. O filme vai ser lançado pela primeira vez em DVD em duas versões: na original, que foi exibidas nas telas de cinema em 1982, e em uma “edição especial”, com novas cenas, uma trilha sonora remixada e efeitos especiais refeitos. É esta versão da produção, que o diretor chama de seu “projeto mais pessoal”, que vai estrear nos cinemas dos Estados Unidos em 22 de março. Os DVDs devem ser lançados logo depois.
Entre as cenas inéditas, a principal tem o E.T. e Elliot tomando um banho de banheira. O segmento original não entrou no filme porque Spielberg não estava satisfeito com a maneira como o boneco de “animatrônica” funcionou na cena. De acordo com a produtora Kathleen Kennedy, também foram feitas muitas pequenas modificações com computação gráfica. Uma delas é a cena com a famosa frase “E.T. phone home”, que foi retocada para que os lábios do extraterrestre ficassem sincronizados com as palavras.
O diretor também aumentou a seqüência de Halloween e mudou uma cena em que a mãe de Elliot (Dee Wallace) proíbe o menino de ir fantasiado de “terrorista”. Depois dos ataques terroristas de 11 de setembro, o “terrorista” virou um “hippie”. Na verdade, a modificação foi feita originalmente dez anos atrás, para uma exibição do filme na TV. Outra mudança é o corte de um insulto de Elliot a seu irmão mais velho, que teria um “bafo de pênis”. A decisão foi do próprio Spielberg. Em tempos de correção política, os agentes do governo que perseguem o E.T. e os meninos em suas bicicletas perderam seus revólveres originais e ganharam walkie-talkies.
E.T. – O Extraterrestre ainda é o filme de maior bilheteria do estúdio Universal no mercado da América do Norte, onde o faturamento foi de quase US$ 400 milhões – o quarto maior da história de Hollywood. No resto do mundo, a fita arrecadou outros US$ 301 milhões. O filme também faturou quatro Oscars em 1983: melhores efeitos especiais, melhor som, melhor canção e melhor trilha sonora (de John Williams, que também ganhou o Grammy pelo trabalho).