A Disney tenta recuperar esta semana o trono principal do mercado dos longa-metragens de animação com a estréia do aguardado Monsters, Inc.. O projeto, uma nova parceria com a Pixar, responsável pelos hits Toy Story e Vida de Inseto, custou mais de US$ 100 milhões e tem a importante missão de garantir para o estúdio o Oscar de melhor filme de animação, que estréia na premiação em março. A produção também deve tentar superar o sucesso de Shrek, da DreamWorks, que arrecadou US$ 266 milhões nos Estados Unidos.A Disney, que domina a fatia do mercado desde Branca de Neve e os Sete Anões, de 1937, começou a errar na mão nos últimos tempos, com fracassos como Dinossauros, A Nova Onda do Imperador e Atlantis. Enquanto isso, a DreamWorks transformou Shrek no desenho animado que mais faturou em toda a história depois de O Rei Leão (Shrek, por sinal, está sendo lançado em vídeo e DVD nos Estados Unidos). Para aumentar a frustração dos executivos da Disney, o filme trazia um monstro verde – exatamente o ponto de partida de Monsters, Inc, que estava em produção havia vários anos.
De um lado, o estúdio vai ter de enfrentar as comparações, convencer o público a ir aos cinemas em um período delicado nos Estados Unidos e ainda combater a concorrência de Harry Potter, a produção infantil mais aguardada do ano, que estréia três semanas depois. De outro, vai contar com a ajuda da internet de maneira inédita (em um website totalmente interativo, que deve se tornar uma atração paralela) e com um elenco que inclui John Goodman, Billy Crystal, James Coburn e Steve Buscemi, todos escolhidos mais por conta do talento do que pela conta bancária.
Monsters, Inc. tem ainda uma nova tecnologia desenvolvida pela Pixar, muito mais avançada do que a usada em Toy Story 2. Com mais definição, o filme oferece agora novas texturas (o que possibilitou desenhar os pêlos dos monstros de uma maneira mais sofisticada) e movimentos mais humanos (a roupa da menina que é a personagem principal move-se independentemente do resto do corpo quando ela está andando).
Para a sorte da Disney, o filme conta com um bom roteiro e personagens que devem virar mania. Assim como Toy Story, a trama parte de uma premissa que toda criança pode se identificar: a de que monstros moram nos cantos escuros de seus quartos e armários. Na história, boa parte deles trabalha na Monsters, Inc., uma fábrica processadora de gritos de crianças – o maior combustível para as criaturas. Assim como as crianças têm medo deles, os monstros acham que o contato com humanos pode ser tóxico.
Os problemas e a diversão começam quando uma menina consegue entrar no mundo dos monstros e perde-se dentro da fábrica (os fãs de animação vão gostar de fazer a visita virtual ao lugar, no website oficial do filme). Os dois personagens principais, Sulley e Mike Wazowski (Goodman e Crystal), reeditam o humor do Gordo e o Magro, mas em versão esperta e atualizada. As outras criaturas, se não apresentam personalidade forte, têm um design que deve fascinar as crianças.
O estúdio está tão confiante de que os monstros do filme vão fazer sucesso que os produtos temáticos foram distribuídos antecipadamente – incluindo fantasias de Halloween. Se as crianças adotarem os personagens de Monsters, Inc. nas comemorações desta quarta-feira, antes de o filme chegar aos cinemas, os executivos da Disney já podem começar a comemorar.
Boa parte da indústria está confiante, arriscando palpites de estréias milionárias e faturamentos astronômicos. O mercado deve acompanhar de perto os números, para saber se a parceria da Disney com a Pixar pode superar seus projetos anteriores (Toy Story arrecadou US$ 192 milhões e Toy Story 2, US$ 245 milhões – apenas nos Estados Unidos). Mas, por enquanto, o grande vencedor é a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que vai ter uma boa disputa para chamar atenção na nova categoria do Oscar.