Sir Anthony Hopkins solta um longo suspiro. "Então...", diz. "Terminamos?"O ator, vencedor do Oscar que descreve seu trabalho como "um emprego como outro qualquer", participou esta semana de mais uma rodada de entrevistas para promover duas edições especiais em DVD de sua criação cinematográfica mais célebre: o gourmet canibal Hannibal Lecter.
Assistentes se aproximam discretamente, conduzindo-o de uma sala para outra. Ele parece francamente entediado, um pouco divertido e ocasionalmente irritado, como se pudesse comê-los no jantar.
Hopkins é há muito tempo um dos maiores representantes da escola "quanto menos melhor" de interpretação, roubando a cena com silêncio ou com um olhar fixo penetrante. Aos 63 anos, ele atingiu um estado de desprendimento afinado com a melodia suave de sua voz galesa.
"Não tenho mais expectativas. Nunca tive grandes expectativas. Surpreendo-me de me encontrar nessa posição. Não sou cínico, mas sou cauteloso. Quando as pessoas dizem 'estou muito entusiasmado com isso', eu digo 'sei, sei'. Não levo muito a sério", disse Hopkins à Reuters.
As novas versões em DVD de Silêncio dos Inocentes e Hannibal celebram o fenômeno que rendeu a Hopkins o epíteto de "homem mais temido da América".
Elas contêm várias horas extras, um fim alternativo a Hannibal e entrevistas com Hopkins, Jodie Foster e Ridley Scott.
Hopkins já interpretou Richard Nixon, Adolf Hitler, Pablo Picasso, John Quincy Adams e vários mordomos, professores universitários e médicos -- sem contar uma carreira teatral que inclui quase todos os principais papéis shakespeareanos.
Mas ele descreve sua profissão como simples, e não têm paciência para atores que ficam líricos sobre seu "ofício".
"Chego de manhã, vou para o camarim, às vezes eles me maquiam um pouco, só Deus sabe porquê, penteiam meu cabelo, ou o que resta dele, vou para o set, e aí dizem ação, é isso aí, e então vou para casa", diz Hopkins.
O ator já fez mais de 100 filmes, mas diz que nenhum é seu favorito. "Não os assisto. Vou à pré-estréia, mas é isso. Uma vez feito, está feito. Espero que audiência goste, mas, se não gostar, um abraço. Não ligo".