Ranking
Colunistas
Festivais
Chats
Newsletter
E-mail
Busca
 

Copacabana vive crise dos 90 anos com criatividade

Terça, 17 de julho de 2001, 10h00

Muito já se falou sobre a crise dos 30 e dos 40, mas pela primeira vez o cinema brasileiro aborda as incertezas de quem já entrou na casa dos 90 anos de idade com o filme Copacabana, dirigido por Carla Camurati.

Misturando presente e passado embalados por uma deliciosa trilha sonora -- que inclui de Lamartine Babo ao bem sacado rap de abertura Planet Copacabana --, o filme conta a vida do fotógrafo Alberto, de 90 anos, vivido por Marco Nanini, que vai e volta no tempo sob o céu do bairro mais famoso do Brasil.

Assim como Alberto, Copacabana também envelheceu e tem muita história para contar. E para isso, bairro e morador retratam o dia a dia do local juntamente com personagens como travestis, prostitutas, crianças de rua, e muitos, muitos velhinhos.

O filme conta a origem do nome Copacabana, a vida de Alberto e seus amores, e acontecimentos históricos presenciados no bairro, como o movimento Dezoito do Forte, a passagem do zepelim e a inauguração do hotel Copacabana Palace.

O longa-metragem diverte pelos diálogos criativos e pelos passeios de Alberto à sua infância e juventude, um resgate do passado que cria situações hilárias, como o beijo em uma desconhecida dentro de uma boate durante uma viagem à sua primeira noite de sexo em um prostíbulo.

Mas nem sempre Copacabana segue bem. O filme cai de ritmo quando busca o riso fácil e transforma travestis e prostitutas em estereótipos. Também não são reais nem animadas o suficiente as reconstituições dos carnavais passados e da passagem do dirigível.

As pequenas falhas, no entanto, não chegam a comprometer a poesia do filme, uma comédia nostálgica que mostra um lado bem mais suave da velhice e faz muita gente querer entrar na tela e participar do animado grupo de amigos de Alberto.

Esse é o caso da dona de casa Maria dos Anjos, 63 anos, que entre aplausos entusiasmados ao final da sessão desabafou: "Se eu tivesse um grupo de amigos assim, minha vida também seria um filme."

Mesmo os mais jovens gostaram de Copacabana. Adriana Baritelli, 19 anos, deseja ser como Carla Camurati. "O cinema brasileiro está encontrando um caminho e esse filme é lindo", disse ela.

E quando o público deixa o cinema, percebe que não é preciso entrar na tela para viver Copacabana. Os personagens estão todos do lado de fora, pedindo esmola, mancando na calçada ou esperando um freguês, evidenciando que o bairro, assim como Alberto, também está em plena crise dos 90 anos sem perder o charme.

Reuters

mais notícias
 
Copyright© 1996 - 2001 Terra Networks, S.A.
Todos os direitos reservados. All rights reserved