O sucesso nas salas de cinema da minissérie televisiva O Auto da Compadecida, de Guel Arraes, fez a rede Globo abrir os olhos para um novo filão: a produção de filmes nacionais, que podem ir diretamente para a telona depois de serem exibidos ne tevê. A partir do ano que vem, afirma o diretor televisivo Daniel Filho, a Globo Filmes pretende incluir uma nova produção nacional em sua programação televisiva a cada semana, que posteriormente iria para o cinema.
"A idéia é fazer de 12 a 24 longas-metragens por ano. É um plano que poderá mexer com a cinematografia brasileira. O projeto vai abrir espaço para muita gente, pois a Globo Filmes não terá condições de fazer tudo sozinha", disse ele durante o lançamento de seu livro sobre televisão na 10ª Bienal do Rio de Janeiro.
A Globo Filmes - que começou as atividades no cinema com Orfeu, de Cacá Diegues - já tem produções esquematizadas para 2002.
No dia 8 de junho, chega às telas de todo o país A Partilha, de Miguel Falabella, sob a direção do próprio Daniel Filho. O diretor ainda está cotado para comandar outra adaptação, desta vez da obra de Garcia-Rosa, O Silêncio da Chuva.
O esboço do cronograma da Globo Filmes para o ano que vem prevê as produções de Carandiru, de Hector Babenco, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e O Redentor, da produtora Conspiração Filmes, feito com Cláudio Torres.
As produções de cunho popular também estão incluídas. "Não pretendemos fazer apenas filmes de arte, ou voltados para um público mais intelectualizado", diz Filho.
A Globo Filmes ainda quer fazer a estréia da dupla adolescente Sandy e Júnior no cinema e produzir as novas fitas da apresentadora de TV Angélica e dos Trapalhões.
"Em produções mais requintadas podemos investir mais, porém a meta é ter projetos baratos na faixa de 1 milhão de reais e de fácil aceitação popular", diz.
Enquanto os planos não saem do papel, o diretor vai exercendo seus dotes artísticos nos palcos. Ele produzirá um disco romântico com Gal Costa. O projeto prevê regravações recentes e antigas, que vão de Ed Motta a Cândido Neves.
"Resolvi fazer um disco com a Gal, só com canções de amor apaixonadas, que levem as pessoas a namorar. Escolhi as músicas e ainda vou dirigir um show no Rio de Janeiro na casa de espetáculos Canecão", diz o diretor.