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BIOGRAFIA
Gil lança DVD "MTV Acústico"
Em 1994, Gilberto Gil foi um dos pioneiros no formato acústico
no Brasil ao produzir, junto à MTV, o programa e CD "Gilberto
Gil Unplugged". Sete anos depois, esse registro histórico
volta totalmente remasterizado em DVD. Produzidos pela Refazenda
- empresa fundada por Flora Gil - o DVD conta com 3 faixas
inéditas em vídeo, comentários de Gil, cifras para violão,
biografia ilustrada, discografia completa, links para Internet
e uma apresentação dos músicos.
Com mais essa inovação, o cantor baiano de 59 anos de idade
mostra que está em plena atividade, longe da aposentadoria
dos meios Músicais - é o brasileiro com mais indicações para
o Grammy Latino deste ano.
Apesar de intimamente ligado à música, Gil expandiu sua atuação
para a direção de festivais Músicais (Percpan), criação de
rádio online (Expresso 2222), participação em eventos sociais
(Movimento GNT) e outras atividades pelo país. Com uma extensa
carreira, mantém uma aura de respeitabilidade que poucos no
Brasil podem dizer que tem. Gil parece reencarnar o rei Midas,
pois tudo que toca imediatamente ganha peso e verdade. Se
faz a trilha de um filme como Eu Tu Eles, por exemplo,
ela vira hit nas paradas brasileiras. E Gil não parece se
preocupar com o ouro que cria, tanto que vive dando entrevistas
e gentilmente explicando seus pontos de vista.
A trajetória "mitológica" de Gil teve sua estréia Músical
oficial no longínquo compacto de 1962 Povo Petroleiro,
com a marcha Coça, Coça, Lacerdinha. De lá para cá
sua biografia se transforma em um infindável número de acontecimentos
significativos dentro da música e adjacências. O disco de
estréia foi Gilberto Gil - Sua Música, Sua Interpretação,
de 1963. Fã de João Gilberto, chegou a cantar no mesmo estilo
que a fonte geradora da bossa nova.
Festivais
Em 1965 conheceu seu parceiro mais recorrente, Caetano
Veloso, na direção do show Inventário. No mesmo ano,
já morava em São Paulo e circulava pelos meios culturais da
cidade. Com Maria Betânia, Gal, Tom Zé e Caetano, participou
de vários espetáculos teatrais, o que chamou a atenção da
cantora Elis Regina, que passou a incluir músicas de Gil no
famoso programa de TV O Fino da Bossa, da TV Record.
Louvação foi seu primeiro hit.
Nessa época, deixou seu emprego burocrático na Gessy-Lever
e gravou seu primeiro LP por um selo grande. A participação
no Festival da Record com Domingo no Parque, ao lado
dos Mutantes, foi um momento decisivo na carreira de Gil.
Outras canções do compositor também participaram do III FMPB,
nas vozes de outros cantores.
O tropicalismo e seu efeito na música popular brasileira começava
nesta época e o disco Gilberto Gil trazia todas as
características do movimento. Tropicália ou Panis
et Circensis mostrava que o caminho da tropicália era
diferente da bossa nova que marcava o perfil da MPB da época.
Gil continuou se apresentando nos Festivais da Record, veículo
das idéias Músicais e políticas mais significativas da cultura
brasileira dos anos 60 - afinal, a TV e a música levavam para
o país todo as mensagens às vezes não tão veladas assim contra
a ditadura.
Prisão e exílio
Com isso, em 1968, Gil, ao lado de Caetano, foram presos em
dezembro em São Paulo e soltos na Quarta-feira de Cinzas em
1969. Em confinamento e já em Salvador, compôs um de seus
hinos, Aquele Abraço. Lançou o disco seu terceiro disco
e logo arrumou suas malas para um exílio em Londres.
Ficou quase três anos fora do país e enviou canções como Fechado
para Balanço, gravada por Elis Regina. Em 1972, lançou
o disco Expresso 2222. um novo parceiro surgiu em 1975:
Jorge Ben Jor, com o disco Gil-Jorge. Rita Lee juntou-se
ao barco em 1976 com o disco e show Refestança.
Seu nome já rodava em círculos estrangeiros devido a vários
shows, como Montreaux, e discos gravados fora do Brasil, como
Nightingale. Em 1979 lançou mais um disco clássico
de seu currículo, Realce, com uma "pegada" mais pop.
A vertente reggae de Gil talvez tenha se acirrado com a parceria
com Jimmy Cliff, em 1980, quando a dupla fez shows pelo Brasil.
Vários discos vieram: Um Banda Um, Extra, Raça Humana.
Gil não começou sua carreira como "trilheiro" para cinema
com o recente filme Eu Tu Eles - fez Quilombo, Jubiabá
e Um Trem para as Estrelas, entre outras. O último
filme/música, aliás, foi feita em parceria com Cazuza e parte
de um novo segmento na música brasileira: o forte pop rock
dos anos 80.
Seu primeiro disco acústico oficial também não foi o lançado
pelo selo MTV - Gilberto Gil em Concerto, de 1987,
já trazia Gil no formato que ele mesmo diz nunca ter saído.
Com um pé informal na política, acabou elegendo-se Vereador
- algo que poucos lembram - por Salvador com o maior número
de votos já alcançado por um candidato na região.
Prestígio
O X Prêmio Shell deu-lhe um prêmio pelo conjunto de sua obra
em 90 - além de receber o título de Cavaleiro da Ordem e das
Artes do Ministério da Cultura Francês. Continuou sua carreira
internacional com shows, como o que fez ao lado de Caetano,
Tom Jobim e Sting para a fundação Mata Virgem, e discos como
Afoxé - Ernie Watts With Gilberto Gil. Rodou a Europa
com voz e violão em punho, recebendo mais uma homenagem no
Festival de Montreaux de 1993.
Sua trajetória pelos anos 90 reafirmaram seu prestígio e qualidade
no cenário da MPB. O Unplugged de Gil, marco do selo
da MTV, o CD duplo Quanta, e a versão ao vivo do mesmo,
asseguravam seu lugar na música, enquanto, ao lado do percussionista
Naná Vasconcelos, promovia o Percpan, Panorama Percussivo
Mundial - festival que trouxe diversos artistas de qualidade
para o país, além dos brasileiros, em ousados formatos percussivos.
A recente união com o mineiro Milton Nascimento para um CD
é uma das facetas do trabalho do compositor baiano. Da parceria
com um dos cantores brasileiros mais respeitos no exterior,
percebe-se um lado às vezes subestimado de Gil, o da interpretação.
Passou o tempo e Gil depurou seu melhor instrumento, a voz.
Ricardo Ivanov, Redação Terra
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