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No dia 6 de março passado, o Congresso
americano pediu ao presidente W. Bush para ajudar a Colômbia a defender-se
da ameaça representada pelas organizações terroristas.
A resposta ao Congresso foi ofertada pelo secretário de Estado,
Colin Powell, que anunciou ter o governo W. Bush mudado o Plano Colômbia.
A fim de reprimir o terrorismo associado ao narcotráfico.
Então, colocou-se a Colômbia no Enduring Freedom. Ou melhor,
no plano americano de reação ao ataque de 11 de setembro.
Isso tudo sem que as guerrilhas colombianas tenham influenciado, apoiado
ou promovido ações além das suas fronteiras.
Em 1984, os americanos começaram a sustentar a existência
da narcoguerrilha. E, a contar de 6 de março, o governo W. Bush
equiparou ao terrorismo internacional a subversão da ordem constitucional
promovida pelos guerrilheiros das Farc e do Exército de Libertação
Nacional (ELN). Na verdade, mero leguleio bélico para legitimar
a intervenção.
Nessa intervenção,
os paramilitares continuarão velhos aliados, apesar de estar relacionados
na lista de W. Bush como organização terrorista.
Os líderes das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), Carlos
Castaño e Salvatore Mancuso, combatem as Farc e o ELN e pressionam
o governo. Têm velados apoios dos americanos e do Exército
colombiano. Realizam o chamado "trabalho sujo" da eliminação
sumária de civis suspeitos de colaboração com as
Farc e o ELN. Os paramilitares atuaram em conjunto com a DEA - agência
americana de combate às drogas - na eliminação de
Pablo Escobar, em 2 de dezembro de 1993.
Com efeito, calçou como luva a eleição de Álvaro
Uribe Vélez, ligado aos paramilitares. É peça indispensável
à pretensão bélica americana, que cobra adesão
do Brasil. Num desprezo ao princípio da autodeterminação
dos povos.
Essa ampliação do Plano Colômbia significou um novo
momento na geopolítica das drogas e, na América Latina,
esse fenômeno sempre serviu como máscara à política
norte-americana de dominação.
A proposta inicial de Uribe para a guerrilha abandonar as armas e ingressar
na vida política representou mera encenação. O próprio
presidente Pastrana reconheceu que a guerrilha foi quase aniquilada na
última vez em que acreditou na proposta e entregou as armas.
Com a negativa da guerrilha, Uribe partirá para o ataque e os paramilitares
continuarão incumbidos dos massacres aos civis. Uribe será
o Sharon da América Latina. Terá o auxílio bélico
americano, pois, no momento, apenas as Farc e o venezuelano Hugo Chávez
atrapalham os interesses hegemônicos e econômicos dos EUA
na América Latina.
Os americanos construíram
várias bases militares com a aparente finalidade de reprimir o
narcotráfico internacional: Mantua (Equador), Iquitos (Peru), Aruba
(Caribe) e Curaçao (Antilhas). Dessas citadas bases saem os conhecidos
aviões Awacs, de espionagem. E lá estão estacionadas
as potentes aeronaves de bombardeio B-25. Já que, para W. Bush,
guerrilha eversiva se confunde com terrorismo e narcotráfico, as
bases servirão para as operações na Colômbia.
A respeito dos interesses ocultos, uma dica foi dada pela embaixadora
americana, Anne Patterson: "Depois do 11 de setembro, as fontes tradicionais
de oferta de petróleo ficaram menos seguras e, agora, mais do que
nunca, é fundamental a diversificação, entrando as
latino-americanas, até para evitar eventuais especulações
sobre o aumento do óleo bruto".
O principal oleoduto colombiano liga as jazidas de Caño Limón
ao porto caribenho de Coveñas. A exploração mais
rentável é realizada pela multinacional Oxy, sediada em
Los Angeles. Sabe-se que o governo americano forneceu US$ 98 milhões
para a 18a Brigada do Exército Colombiano, estacionada na região
petrolífera do Arauca. Isso para reforçar a proteção
aos oleodutos da região, incluídos os da Oxy. Uma situação
inusitada, em que uma brigada do Exército colombiano defende interesse
de multinacional.
Convém lembrar que os americanos treinam pilotos colombianos com
instrutores da Army Force e até da DynCorp, uma empresa privada
de adestramento militar.
Na obra Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez
lembrou do massacre de 5 de dezembro de 1928. Promovido pela United Fruit
e vitimando explorados plantadores de bananas. O tempo passou e a Colômbia,
agora, é reconhecidamente rica em reservas de petróleo,
urânio, biodiversidade, etc.
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